Como saber que Deus quer que você se casar

Najiyu Ep 8 - A rainha dos gatinhos

2020.09.10 16:10 henrylore Najiyu Ep 8 - A rainha dos gatinhos

**aparece um garotinho andando por aí se equilibrando em pedaços de madeira jogados na rua, pulando de pedrinha em pedrinha pra não pular nas frestas, um garoto normal andando pelo reino de catcastle
??: *comprando um sorvete de morango (é um garoto normal, de cabelo castanho, um colar com uma pedra de pingente, um amuleto)
*tomando o sorvete enquanto...
??²: *olhando pra ele escondido atrás de um telhado, olhando fixamente pra ele através das tendas de venda
hmm.....
*da pra reconhecer q é a mesma pessoa que tava no trem, roubando todo mundo, as orelhas de pelo cinza, os olhos azuis
*se esconde
...
**voltando...
Ne: nós precisamos falar com a rainha may
Hb: iiiii calma aí
a gente precisa conhecer vocês primeiro! já chegaram querendo entrar no castelo, não funciona assim aqui...
Ne: ...
H: *olha pra Nevaska e volta o olhar pra eles dois
tá, então vamos conhecer o reino inteiro?
Li: rapaz o reino inteiro eu não sei não viu, mas grande parte a gente consegue mostrar
Hb: faz sentido, vamos nessa
vocês provavelmente vieram cedo pro festival da música, o pessoal só chega daqui a alguns dias, eles nunca chegam exatamente no dia do festival....
H: por que não tem tanta gente aqui?
Hb: eu não sei, a galera curte os festivais mas na hora de morar eles desistem
H: hmmmm...
(a postura do Hb é super tranquila perante a tudo oq tá acontecendo, parece que ele faz aquilo ali todo dia)
L: e aquele castelão ali?
eu sempre quis um castelão
Hb: o castelo é da rainha, só entra lá quem tiver coisas importantes pra falar
com os tickets
*puxa uns papeizinhos do bolso e mostra
H: e isso aí são os tickets?
Hb: é... a maioria
eu presumo que alguns aqui são umas multas ou mensagens de fãs mas não tem segredo
eu tenho que ler os tickets ainda...
Li: o hb é preguiçoso, liga não
Hb: você que é chata
P: *sussurra no ouvido do Henry
o que tá acontecendo
H: eu sei lá
L: mano isso é maneiro
isso tudo é muito maneiro
Hb: algum de vocês quer casar?
H: °°
L: que
Ne: ????
P: err
Li: nao doido não com ele, é que ele é padre
H: aaaah
L: Hmmmm. faz sentido
EI CARA EU POSSO SER PADRE?
Hb: -'
L: MANO EU SEMPRE QUIS SER PADRE NAMORAL DEVE SER MANEIRISSIMO
Ne: Lusk...?
L: o que foi é minha chance de ser padre
Hb: calma lá amigo não se emociona
H: •-• carceres luskeiros
Li: rapaz vocês são energéticos
gostei
Hb: bem, pra ter a confiança de vocês eu tenho que apresentar vocês pros outros guardas daqui
P: guardas?
Li: tem guardas moradores velhos... tinham patinhas...
P: patinhas?
Li: é como a may chama os indicados a guarda por aqui
a gente separa esse pessoal em categorias e coisas que eles merecem por ações que eles fazem
o hb por exemplo é um guarda
Hb: oi
L: QUE MANEIRO Eu gostaria de guardar.
H: *olha pro lusk com uma cara bem séria
L: opa
Ne: então é só a gente conhecer os outros caras que a gente pode falar com a rainha
Hb: calma lá eu preciso deixar eles cientes de que vocês tão aqui, porque não é nada contra, mas a gente precisa ter certeza de que vocês são confiáveis
Ne: aaaa-
H: tranquilo
Hb: vem cá
**vão em direção ao castelo, e na porta já percebem um cara do lado dela, bem alto, que olha pra eles e diz
??: Olá. bem vindos ao catcastle!
Hb: esse aqui é o gui, ele é show de bola
Gui: opa meus queridos, tudo show?
*abraça pra cumprimentar eles já que ele é muito alto mesmo
L: caraaaaca
Gui: vocês podem me chamar de gui, ou de gordo
L: GORDAOOOOO
Li: *chega perto do Henry
rapaz esse teu amigo grita que é um tanto não?
H: eh-
*puxa o lusk
Calma cara.
L: COMO QUE EU VOU ME CONTROLAR COM TANRA COISA MANEI-
Ne: *da uma cotovelada na costela dele
L: a-
Hb: Gui, eu vou levar eles até a rainha, cuida da porta aqui enquanto eu não chego ok?
Gui: pode deixar
Hb: *abre a porta
**veem um corredor enorme cheio de armaduras e quadros, com uma escada no fundo
H: corredor bonito
L: foi o que ela disse num campeonato de corrida
Hb: *guia eles até às escadas, que levam a outro corredor
ué... o gerb era pra ta aqui
Li: *olha pro hb
nao era seu turno doido?
Hb: °°
viiish é hoje que eu perco o caaargo
**vão até o final e param de frente a uma porta vermelha com detalhes de gatos de diamante, mais chique que a porta de fora, com uma tranca aberta, mas que quando fechada parece bem resistente
Hb: ó só
a partir daqui,
cuidado tabom?
H: blz
P: ok
Ne: tranquilo
L: *colocando a mão na costela de dor
tran-quilo
Li: *da dois passos pra trás
Hb: *cuidadosamente abre a porta
**se revela uma sala cheia de janelas, com um tapete roxo no centro, e um lustre enorme com bastões luminosos que soltam glitter visíveis no ar pela própria luz do sol no fundo, se encontra um trono branco e roxo, com uma pessoa sentada, e uma caneca do outro lado
**é então que a pessoa vira pra eles e diz
??: Sim?
H: *ameaça ajoelhar no chão quando...
Hb: eai may tranquilo?
Ma: oi
Hb: eu trouxe uma galera aqui *aponta pra eles
e acho que você devia dar uma olhada sei lá vai que eles são uns chineses infiltrados
Ma: oi gente pessoas novas? *bebe um gole do que ela tá tomando na caneca e coloca no braço do trono de novo deixando pingar um pouquinho pra fora *na hora todo mundo percebe q é café
*desce do trono como se fosse um penhasco
Ma: pessoas novas...!
que surpresa
prazer gente eu sou a MayGabi, rainha dos gatinhos
e dona dessa vila aqui toda!
H: prazer eu sou o henry
P: prazer eu sou a... *pensa em algo
toggi!
H: que?
L: eu sou o grande, glorioso, bonitão, Lusk.
Ne: eu sou a Nevaska
eae
*faz um paz e amor
Hb: eu vou ali pra porta
não aprontem nada viu?
Ma: hmmmm...
o que vieram fazer? normalmente não vem gente pra cá...
...não por enquanto
Ne: nós viemos fazer um trabalho e precisamos da sua ajuda
a gente tá investigando uma pessoa que.. talvez tenha vindo pra cá
e a gente precisaria dos registros de quem entrou na vila ultimamente
Ma: eu não posso sair dando nomes de pessoas aqui pra vocês assim
Ne: hmmm... sabe se viu um cara chamado shibaru por aqui?
Ma: ... Shi- o que?
eu não sei gente, não tem como eu saber dentre tantas pessoas que entraram e saíram daqui
Ne: pode verificar pra gente?
Ma: ...
Ne: *puxa o distintivo dourado do shibaru e joga pra ela
a parada é séria. o cara é da ordem
Ma: *olha atentamente pro distintivo enquanto pensa
Li: não acham que se ele for entrar aqui ele não vai entrar desse jeito assim?
H: hm?
Li: ele entraria escondido se fosse entrar aqui, já que ele é da ordem
se vocês tão procurando ele, ele não ia pra um lugar onde a rainha tem nome de todo mundo que entra e sai
Ma: eu vou verificar os registros.
vejam com os guardas da fronteira se eles encontraram alguém
H: ue mas ninguém recebeu a gente
L: ninguém perguntou nome da gente
Li: tinham dois staffs encarregados disso mas eles sumiram...
Ma: o Bessa e o Clocks tavam encarregados disso no lugar deles. eles devem ter tido algum problema
ou... sei lá
H: ja começaram os desaparecimentos aqui?
Li: ...
Ma: ja começaram?
Ne: é, tá rolando uns desaparecimentos pelo lugar todo
e a gente ta investigando isso
Ma: e o que esse menino tem a ver com isso?
Ne: ele... fez coisas erradas e a gente tá buscando ele
Ma: hmmm.... eu não sei eu não posso julgar algo se eu não sei nada sobre ele né? a gente conversa mais tarde sobre isso, ok?
Lily
Li: sim?
Ma: voce ainda tem o seu hotel né? leva eles lá pra eles passarem essa noite
daqui a uns dias vai ser o grande festival
não quero que vocês vão embora antes disso acontecer
P: pode ter certeza que não vamos, rainha música sempre foi e continua sendo minha paixão eu costumava dançar quando criança
Ma: que interessante... togginha né? hehe
então vão lá
e boa tarde ;3
P: boa tardeeee
Ne: °°
ponce?
P: ah qual foi eu realmente dançava quando criança
Ne: a parada não é essa, você concordou em ir ao festival
e as investigações?
P: seja lá o que o shibaru quer fazer, ele vai fazer em lugares com grandes concentrações de pessoas, e se ele escolheu aqui, esse é o ponto dele
Ne: ...
P: ta achando o que minha filha
Ne: *boceja e bota as mãos atrás da cabeça
mas que saco hein
vai ver tem algo interessante nisso aí
**do lado de fora do castelo
Gui: *fecha a porta
vai com deus, pessoal!
H: aqule mano ali parece ser simpático
Li: todo mundo é simpático aqui...
hummmm *olha pra cima
tá anoitecendo, querem comer alguma coisa
H: beleza
L: eu tô com fome...
P: por que nao falou de comida antes?
Ne: meh
Li: vou apresentar pra vocês algumas pessoas daqui
*abre a porta de uma loja
*bate no balcão
Xiulabi! esse aqui é o cara
Xi: hummm
eai Lily o que trás aí?
Li: rapaz esses aqui são os novos caras que acabaram de chegar aqui
**sai um cara de uma porta do lado
??: hum?
Li: ah e esse aí é o kanix, eles sempre andam juntos
H: o que é essa loja?
Li: essa loja aqui é uma oficina de coisas avançadas, eles usam outros tipos de pedras pra fazerem não só armas mas como máquinas e outras coisas
eles costumam fazer as únicas coisas elétricas daqui
L: comequié??? xilofone?
H: XIXUXI?
Li: xixuxi... aksskakskjs
*olha pro relógio
vixe gente... tá tarde é melhor eu ir
Ne: vai lá
Li: *entrega um cartãozinho pra Nevaska
se vocês quiserem ir lá no hotel vocês podem, tem uma pessoinha lá pra ajudar vocês
;)
*sai da loja
Xi: meeee kanix é melhor a gente fechar também
Ka: verdade bora lá
Ne, H, L, P: *saem da loja
Ne: hotel forestvalley hm?
**veem um vulto preto andando
Ne: *olha atentamente pra ele e percebe um rosto familiar
??: *olhando pro lado procurando algo
Ne: ...
ei!
??: *olha pra eles revelando o rosto, de uma pessoa alta, meio magra mas musculosa *percebe-se, o shibaru olha pra eles e diz
sim?
Ne: é você!
Sh: poxa vida que coincidência né? *tira o gorro do casaco
achei que vocês iam tá numa missão agora
Ne: e estamos
o que você tá fazendo aqui?
Sh: bom, como você voltou eu resolvi tirar umas férias né?
relaxar, botar os pés pra cima, curtir um festival
eu sou humano também, não?
hahaha
H: a gente sabe o que você fez
Sh: o que eu fiz? como assim o que eu fiz?
Ne: a gente viu o corpo da Winry no chão, completamente morto
você não tem nenhum senso de humanidade não?
Sh: o que? o que.. como assim? a Winry, morta?
e como tá o Arthur
L: nao de faz de preocupado, a gente sabe que foi você
P: *olha atentamente pra ele
...
°-°
*fica parada observando
Ne: foi você, a gente tem todas as provas!
Sh: e quais são?
e quem é ela? *aponta com o olhar pra ponce
P: ... foi você...
Sh: ?
P: foi você que me botou naquela pirâmide!
Sh: voce deve tá se confundindo
H: para de fingir, óbvio que foi você
*pega o distintivo do shibaru e enrola num monte de papel
*joga nele
Sh: *segura, depois de bater na barriga dele
...
H: você matou a Winry depois que ela leu isso aí
Sh: ... ela tinha que aprender a cuidar da própria vida...
Ne: COMO É??
Sh: eu particularmente não gosto de deixar outras pessoas verem minhas coisas pessoais...
Ne: ENTÃO VOCE ADMITE QUE MATOU????
Sh: pra calar a boca dela? digamos que talvez
Ne: *avança num ataque de fúria e soca com tudo a barriga dele
Sh: *vai um pouco pra trás e fica parado com as mãos na barriga
*deixa o distintivo cair
ugh
*se ergue e olha pra Nevaska
Ne: seu... MEXILHÃOZINHO
*soca a cara dele e tenta dar outro soco nele
Sh: *segura Nevaska
u-uh guarda???
algum guarda? alguém?
socorro!
Hb: *passando por ali olha e vê os dois brigando
*corre e entra no meio
opa opa opa opa
que isso gente? calma aí..
Ne: como que eu vou ter calma pra um assassino???
*empurra hb
Hb: *quase cai no chão
*levanta meio sério
moça, e vocês vocês vem comigo
H: °°
Ne: hurrrrr
:l
Hb: *segura Nevaska
Ne: EI ME SOLTA
Hb: Clocks
Cl: *surge de trás de uma das casinhas
Hb: ah perfeito, clocks ce consegue levar esses caras aqui pra prisão enquanto eu converso com o senhor aqui?
Cl: *segura a Nevaska
L: ouououou qual foi a gente não vai ser presos não tá maluco????
Cl: *olha pra trás e vê um cara bem alto e forte passando
ei, gerbidal, por favor
Ge: qual o problema?
Cl: cuida desses guris aqui pra mim
Ne: ME LARGA LOGO SEU RELÓGIO
*tenta segurar os braços do clocks mesmo estando imobilizada
Cl: eu quero ver se você vai falar isso depois...
Ge: *carregando um em cada parte de um jeito indescritível
eae pra onde a gente leva essas caçamba véia?
Cl: me segue
*vão se distanciando
Hb: humph
senhor, pode me dizer o que acontece-
*olha pra trás
...
senhor?
...
...
*não tem ninguém...
No próximo do de Najiyu:
Najiyu Ep 9 Nós somos prisioneiros! Por enquanto
🕵️‍♂️
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2020.07.12 00:12 britojp ODEIO MEU PAI E NÃO VEJO A HORA DE ME SEPARAR DELE

ESSA HISTÓRIA É BEM LONGA, SALVE E SE NÃO PUDER TERMINAR, TERMINA DPS, TALVEZ VOCÊ SE INTERESSE. (OU NÃO)
Meu pai é um desgraçado, mexe com meu psicológico desde que eu nasci, queria ter nascido sem pai. Atenção: Tenho 14 anos.
Meu pai desde que eu era pequeno me bate, me maltrata e faz eu me sentir um lixo, além de já ter tentado bater na minha mãe, traiu minha mãe com 11 BISCATES, e quando ela vai sair ele segue ela. Todo dia ele me xinga, quando eu era pequeno ele me bateu na cara com fio de extensão elétrica, infelizmente as fotos ficaram no celular antigo da minha mãe que estava velho e eu não tenho mais as fotos. Uma vez eu estava vendo a Branca de Neve, porque quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, minha tia tinha uma amiga que vendia dvd's, e minha tia me comprou vários. Aí quando eu estava vendo um, depois de já ter assistido vários, minha mãe perguntou se ela podia ver a novela dela (com educação lógico), e eu não me importei já que eu tinha visto um monte e precisava de uma pausa, mas antes de eu responder, ele disse pra ela: "Deixa o menino ver." Meio grosso, minha mãe só respondeu pra ele (não lembro o que ela disse, mas ela não foi grossa ou mal educada em nenhum momento) e ele começou a brigar com ela, e a briga foi até a porta da cozinha, na frente do meu quarto, e lá, ele empurrou ela e ela escorregou e caiu, e meu pai não fez nada, ficou lá parado, e eu chorando, queria muito ir ajudar ela a se levantar mas o medo não deixou. Depois, com 9 anos, eu lembrei ela disso e meu pai escutou, falou que me mandaria pro hospital se eu falasse naquilo de novo. Antes disso quando eu tinha 7 anos, ele traiu minha mãe, e eu fui testemunha, meu pai estava no quarto deitado e minha mãe estava colocando as roupas no varal, e eu estava ajudando ela, quando a gente vê uma mulher chamando: "Fontini, Fontini!" No portão. (Fontini é meu sobrenome e do meu pai, e todos chamam ele assim) Minha mãe foi atender a mulher comigo também, depois minha mãe tirou satisfação com meu pai e depois descobrimos que ela estava traindo minha mãe com ela, e vários anos depois (agora) ele já traiu minha mãe com a dona do bar que ele vai, com umas mulheres que ele já fez móveis, e minha mãe achou uma foto com ele agarrado com a mãe da minha melhor amiga no celular dele, na véspera do natal que ele tava na casa dela, depois eu mandei pra minha melhor amiga e ela também ficou chocada. Meus pais não são casados no papel, só decidiram que iam se casar, mas não foram no cartório assinar o casamento, e nem fizeram uma festa, só decidiram se casar, e um ano depois deles terem se conhecido, tiveram eu. Em Janeiro se separaram, e no celular dele na verdade minha mãe pediu (sem me obrigar) pra mim tentar conseguir provas com traições dele, achei conversas com a Dona do bar, e outras que eu nunca achei que ele escreveria aquilo. Isso esse ano, porque com 9 anos meu pai começou a pegar o celular da minha mãe pra ver se né, sendo que ela nunca fez isso. Agora minha mãe tá com o namorado dela, mas só começou a namorar com ele quando ela falou pra ele que queria um divórcio, o que prova que ela nunca traiu ele, e eu sou testemunha de tudo. Agora mudando de assunto, tudo ele joga na minha cara, que ele paga meu curso, que comprou celular, computador e tv. Tô de saco cheio disso até hj, tanto que não quero mais nada que venha dele, celular minha mãe comprou outro, e claro sou grato a ela, o computador, não aguentei e vendi, pra não escutar merda dele, e vou pegar o dinheiro e comprar um notebook. Só não vendo a TV pq eu uso. Já minha mãe nunca falou nada e nunca jogou na minha cara, prefiro mil vezes ela do que ele. E ele vai receber o auxílio emergencial, e ele pediu meu cpf pra fazer, e minha mãe perguntou se ele ia receber e ele disse que não, se ele disse que não é pq ele tem certeza, sendo que eu vi aprovado no app, ou seja, ele vai receber 1200 já que ele colocou pai solteiro, com as 5 parcelas dá 6000 reais, fez o cadastro pedindo o meu CPF, e não quer me dar nem 100 reais, já que tenho que ficar fazendo favores pra ele quase todo dia, minha tia disse pra minha mãe que eu tava triste por causa disso, e sem eu saber minha mãe falou com o meu pai, que me acordou dizendo que ia me dar sim, e pediu pra mim acessar pra ele, sendo que ele tá me enrolando faz dois dias só pra não dar um centavo pra alguém que ele maltratou por 13 anos, e usou o meu CPF pra pegar. OUTRAS COISAS: Minha mãe já saiu e ele seguiu ela e xingou ela como se tivesse obrigação de seguir ela, xinga ela e eu, fica no bar até de madrugada comendo as biscate e não deixa minha mãe sair um minuto. Ele já chamou minha vó de puta, e disse que minha tia e minha vó, que moram na casa do lado da nossa, deveriam morar na rua ou na cadeia. Tô cansado dele, e só não saiu daqui ainda depois que eles separaram porque ainda não tem dinheiro pra alugar um lugar, mas eu não aguento maia ele e minha mãe também não, quando eles discutem nem eu nem minha cachorrinha gostamos de ficar perto, minha cachorra que é também é minha irmã, odeia ouvir eles brigando e sai chorando pra casa da minha tia, ou pro guarda roupa do meu quarto, e quando ela não pode ir pra essas lugares eu coloco ela na minha cama e abraço ela, e uma vez eu tava indo pra lá e ele me obrigou a ficar lá onde eu tava, minha mãe reclamou com ele e eu fui, além dele ser insuportável e ter me deixado com depressão dois anos atrás. Ah, e em maio, eu acordei, e fui desbloquear meu celular, quando eu digito a senha errada sem querer, o celular faz eu esperar 30 segundos, sendo que isso só acontece quando erra 5 vezes, então achei que alguém poderia ter mexido, Depois, a noite, eu instalei um app que tira fotos da pessoa assim que ela erra sua senha (o app chama Intruder Selfie Alert), e no dia seguinte, quando eu acordei e peguei meu telefone vi duas fotos do meu pai mexendo no meu telefone, querendo ver e talvez apagar as provas já que minha mãe falou que tinha tudo guardado num pen drive. Mas ele deve ter tentado ver se tinha no meu telefone. Mas de tudo, o que eu mais fiquei mal foi ele me chamar de hacker, uma vez minha mãe chegou dps de 2 horas que ela saiu, e eu fui lá atrás dela, só tava com meu telefone e carregador na mão normal, indo lá, aí eu dou UMA MÍSERA OLHADA PRA TRÁS, que não foi de propósito, tipo coisa do cérebro de olhar prós lugares, e ele logo achou que eu tava olhando pra ele, uma olhada de 0,1 segundos, e disse: "VEM AQUI PEDRO!! DEIXA EU VER ESSE TELEFONE!" (Meu nome é João Pedro, mas pro meu amigo e minha família é só Pedro) e eu falei que eu não fiz nada e ele falou que eu tava mexendo nas coisas dele, ficou falando que eu hackeei senha dele pq minha mãe pegou as conversas, sim, eu ajudei minha mãe pra pegar as conversas de traições, mas isso colocando a senha que ele fez na minha frente, nunca fiz e nem sei fazer essas coisas, e ficou falando que eu era hacker, só por causa de uma olhada, e outra vez também, ficou falando que eu fazia essas coisas. E eu odiei, porque mesmo eu me interessando MUITO, D+ por tecnologia desde que eu tinha 9 anos, eu não sei programação, e mesmo se soubesse eu nunca faria essas coisas, se eu quiser dinheiro vou ganhar do meu suor, e se Deus quiser não quero viver com nada que venha dele, e já me planejo agora pro futuro, porque quando eu atingir maioridade, não quero mais ver ele, vou trabalhar, pagar minha faculdade (ou uma parte, mas só se minha mãe se oferecer pra isso), e talvez alugar uma casa e dividir com a minha melhor amiga, e já falei pra ela que aí cada um paga metade do aluguel, até lá já vou arrumando meu dinheiro, ainda não posso trabalhar né, mas eu dou um jeito. FOI GRANDE, MAS É ASSIM MESMO. ESPERO QUE TENHAM GOSTADO.
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2020.06.08 04:48 altovaliriano Shae (parte 2)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
A relação entre Tyrion e Shae começa com um tom promissor. Tyrion fica satisfeito por ter arranjado uma mulher esperta, indolente e com poucos escrúpulos. Shae arranjou um cliente abastado, zeloso e lúcido. A única coisa que vai se transformando durante A Fúria dos Reis é justamente a lucidez de Tyrion.
Agora estou livre de Tysha, pensou. Ela me assombrou durante metade da minha vida, mas já não preciso dela, não mais do que preciso de Alayaya, Dancy ou Marei, ou das centenas de mulheres iguais a elas com que fui me deitando ao longo dos anos. Agora tenho Shae. Shae.
(ACOK, Tyrion VII)
É uma situação que chegará a tal ponto de absurdo em A Tormenta de Espadas que até o próprio Varys se permite a um desabafo:
[…] Confesso que não compreendo o que há nela para fazer com que um homem inteligente como você aja tão tolamente.
(ASOS, Tyrion VII)
Eu acho que consigo responder a Varys o que há em Shae para que Tyrion haja como um bobo. Shae é a muleta na qual Tyrion se apoia durante sua ascensão á posição de maior importância que alcançou em sua vida. Tyrion ignora todos os defeitos de Shae porque ela se torna um amuleto de seu momento. Ele quer preservar Shae na mesma medida em que busca preservar o prestígio recém-adquirido.
Quando Tyrion conhece Shae à beira do Ramo Verde, o anão era apenas o mais desprezível dos Lannisters. Aquele que o próprio Tywin não se importava em enviar à morte como bucha de canhão. Porém, o aprisionamento de Jaime e a impotência de Cersei em controlar Joffrey elevam Tyrion ao terceiro lugar da Casa (Kevan era o segundo, tão importante que Tywin não pode enviá-lo a Porto Real).
Como já aleguei antes,tenho impressão de que a trajetória de Tyrion lembra aquela frase atribuída a Abraham Lincoln: "Quase todos os homens podem suportar adversidades, mas se quiser testar o caráter de um homem, lhe dê poder". A Guerra dos Cinco Reis dá e tira poder de Tyrion, mas ele sempre pode contar com o afeto artificial de Shae.
É real, tudo isso, pensou, as guerras, as intrigas, o grande jogo sangrento, e eu no centro de tudo… eu, o anão, o monstro, aquele de quem zombavam e riam. Mas agora tenho tudo, o poder, a cidade, a moça. Foi para isso que fui feito e, que os deuses me perdoem, adoro tudo…
(ACOK, Tyrion VII)
Porém, o isolamento de Tyrion no poder faz com ele confunda os serviços incondicionais da prostituta com lealdade incondicional. Tyrion desenvolve sentimentos para com Shae, mas não amor, e sim dependência.
Idiota, disse depois a si mesmo, enquanto descansavam no meio do colchão afundado, entre lençóis amarrotados. Nunca aprenderá, anão? Ela é uma prostituta, maldito seja, é o seu dinheiro que ama, não o seu pau. Lembra de Tysha?
(ACOK, Tyrion I)
Tyrion pensa em Shae como uma prostituta e faz para ela os planos que homens fazem para suas concubinas. Ele não ousa sequer sonhar em casar com ela, mas, claro, sabemos que ele pensa assim exatamente porque sabe o que Tywin faria com ela se soubesse. O que Tyrion não conta ao leitor (e nem poderia) é que é justamente porque o pai o proíbe que ele passa a projetar Tysha (seu outro amor proibido) sobre Shae.
Em outras palavras, ele não ama Shae, ele ama a sombra que Tywin jogou sobre ela e, em razão de seu isolamento no poder, Tyrion fica cada vez mais dependente desta relação. Especialmente porque, desta vez, ele não quer que as coisas terminem como terminaram da última vez.
[...] gostaria de ser sua senhora, senhor. Vestiria todas as coisas bonitas que me deu, cetim, samito e pano de ouro, e usaria suas joias, pegaria na sua mão e sentaria ao seu lado nos banquetes. Poderia dar-lhe filhos, sei que poderia… e juro que nunca o envergonharia.
Meu amor por você já me envergonha o suficiente.
(ACOK, Tyrion X)
Shae, contudo, não corresponde nenhum destes sentimentos. Até porque Shae tem pouca capacidade para empatia (uma das coisas que a série de TV difere dos livros). Talvez seja porque a prostituição a fez assim. Ou talvez ela simplesmente é assim.
De fato, quando fala sobre seu trabalho como aia de Lollys Stokeworth após ela sofrer estupro coletivo durante a revolta do pão, Shae desmerece o trauma de Lollys e só mostra nojo com a sujeira de Lollys com a comida:
Está dormindo. Dormir é tudo o que quer fazer, a grande vaca. Dorme e come. Às vezes adormece enquanto está comendo. A comida cai para dentro de sua manta e ela rola em cima, e tenho de limpá-la – fez uma cara enojada. – Tudo o que fizeram foi fodê-la.
(ACOK, Tyrion XII)
Essa resposta é particularmente interessante, pois, em um capítulo anterior, Shae havia assim reagido quando o anão lhe contou sobre a punição de Tysha:
Os olhos de Shae tinham-se aberto muito, mas Tyrion não conseguiu ler o que havia por trás.
(ACOK, Tyrion X)
Apesar de sua esperteza, Shae demonstra repetidas vezes ter uma visão míope sobre como o mundo de Tyrion funciona. Quando Tyrion afirma que não poderia casar com ela por causa de sua família, Shae aparece com uma solução brilhante: mate sua família.
– Então mate-a e resolva o assunto. Não é como se houvesse algum amor entre vocês.
Tyrion suspirou.
– Ela é minha irmã. O homem que mata seu próprio sangue é para sempre maldito aos olhos dos deuses e dos homens. Além disso, [...] meu pai e meu irmão gostam dela. […] Contra Jaime ou meu pai, não tenho mais do que umas costas tortas e um par de pernas atrofiadas.
– Tem a mim – Shae o beijou, deslizando os braços em volta de seu pescoço enquanto pressionava o corpo contra o dele.
(ACOK, Tyrion X)
Em outro momento, quando Varys estava propondo o enigma do mercenário, Shae deixa escapar em um ato falho que o homem rico era o mais poderoso:
– Numa sala estão sentados três grandes homens, um rei, um sacerdote e um homem rico com o seu ouro. Entre eles está um mercenário, [...]: Quem sobrevive e quem morre? […]
Shae franziu seu lindo rosto.
– O rico sobrevive, não é?
(ACOK, Tyrion I)
Quando Shae fica sabendo que Tyrion habitaria a Torre da Mão na Fortaleza Vermelha, ela faz de tudo para manipulá-lo a levá-la também. Mesmo quando Tyrion aluga uma mansão para ela, Shae parece insatisfeita o suficiente para certas máscaras começarem a cair:
Tinha instalado Shae numa vasta mansão [...]. Queria passar mais tempo com ele, tinha dito; queria servi-lo e ajudá-lo. “Ajuda-me mais aqui, entre os lençóis”, disse-lhe uma noite depois do amor [...]. Ela não tinha respondido, exceto com os olhos. Foi aí que viu que aquilo não era o que ela queria ter ouvido.
(ACOK, Tyrion I)
Quando Shae vislumbra que o plano de Tyrion para trazê-la para o castelo era deixá-la nas cozinhas como lavadora de pratos, Shae chega a pedir para ficar na mansão (“não podia apenas me dar mais guardas?”). Tyrion a agride quando ela desdenha do poder de Tywin, ele lhe conta sobre Tysha e ela finalmente concorda.
Neste diálogo vimos Shae fazer alegações sobre seu próprio passado como forma de ameaça velada de deixar Tyrion, com clara intenção de manipulá-lo. Contudo, quando Tyrion a confronta com a versão anterior do relato, ela simplesmente mente para consertar a contradição:
Meu pai fez de mim a ajudante de cozinha dele – ela disse, com a boca se contorcendo. – Foi por isso que fugi.
Tinha me dito que fugiu porque seu pai fez de você a prostituta dele – lembrou-lhe Tyrion.
Isso também.
(ACOK, Tyrion X)
Como Tyrion logo depois conta a Shae que decidiu lhe dar o cargo de aia de Lollys, eu acredito que a garota deve ter sentido que havia conseguido persuadir Tyrion com sua insistência, ignorante de que a alternativa havia sido apresentada e arranjada por Varys.
Eu, inclusive, suspeito que foi neste momento que Shae passou a constar da folha de pagamento do eunuco, que fez isso justamente para evitar que ela entrasse na folha de Petyr Baelish. Permitam-me explicar.
Tyrion havia enganado Varys, Pycelle e Mindinho sobre seus planos com Myrcella (ACOK, Tyrion IV), mas Petyr havia ficado realmente irritado por ter sido dobrado pro Tyrion (ACOK, Tyrion V). Tyrion já está usando o túnel da mão pra visitar Shae há um bom tempo (ACOK, Tyrion III), mas certo dia Tyrion chega ouvir “o som de música pairando sobre os telhados” quando sai dos estábulos (ACOK, Tyrion VII), indicando que talvez Symon Lingua-de-Prata já estivesse espiando as redondezas.
Pois bem, Petyr deixara Porto Real para Ponteamarga algum tempo antes de Myrcela partir (ACOK, Tyrion VIII), um álibi clássico de Petyr antes de dar o sinal verde para seus planos. Após a revolta do pão, Symon já está na mansão com Shae algo que Tyrion não saberia caso não tivesse abandonado a cautela e saído a galope por Porto Real, “correndo para o seu amor” (ACOK, Tyrion X).
Mas a fala de Shae sobre Symon parece indicar que Symon é um visitante habitual desde um pouco depois de que Tyrion e Mindinho tiveram sua desavença:
– Não vai lhe fazer mal, não é? – Shae acendeu uma vela perfumada e ajoelhou-se para tirar suas botas. – Suas canções alegram-me nas noites em que você não vem.
(ACOK, Tyrion X)
Portanto, eu acredito que Symon é um agente de Mindinho que está espionando Shae a fim de descobrir pontos fracos na Mão. Alguns leitores acreditam que a própria Shae seria uma espiã de Petyr, a partir do fato de que ela estava bem informada demais sobre as atrações do casamento de Joffrey - especialmente a justa de bobos (ASOS, Tyrion II). Entretanto, estes leitores deixam passar que foi Symon quem trouxe essas informações à Shae.
Não por outra razão, no mesmo capítulo que Symon e Tyrion se encontram pela primeira vez, Varys encontra a solução perfeita para trazer Shae para a corte. Varys combina perfeitamente as necessidades ostentadoras de Shae, os desejos de Tyrion e a necessidade de tirar urgentemente a menina da linha de fogo dos agentes de Petyr.
– É melhor aia de uma senhora do que ajudante de cozinha –Shae dissera quando Tyrion lhe contou o plano do eunuco. – Posso levar o cinto de flores de prata e o colar de ouro com diamantes negros que disse que se pareciam com meus olhos? Não os usarei, se disser que não devo.
(ACOK, Tyrion XI)
Por outro lado, Lollys é a patroa ideal para neutralizar a ganância de Shae. O esquema de Varys requeria que ele contasse à mãe de Lollys (Senhora Tanda) que a aia atual de sua filha estava roubando jóias (ACOK, Tyrion X). Não sabemos se esta história é verdade ou Varys iria armar para cima da atual serva. O que importa perceber é que, uma vez que a história vazasse, Tanda provavelmente endureceria a vigilância sobre a nova criada, deixando pouco espaço para Shae causar problema roubado coisas na corte.
Como se vê, a natureza de Shae está muito aparente para aqueles ao redor de Tyrion, exceto para o próprio Tyrion. Por mais que exercite com frequência a lembrança de que ela é uma prostituta atrás de dinheiro e conforto, e de saber que a relação entre eles não passará daquele estágio de amor proibido, ele parece incapaz de fantasiar com seu afeto.
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2020.05.11 05:03 altovaliriano Jon Snow (Parte 5)

Começo o texto como uma pergunta: se Jon tivesse se oposto à migração dos selvagens para a Dádiva ainda haveria motim? Em outras palavras, eu estou querendo saber se Bowen Marsh ainda tramaria contra Jon apenas com base na execução de Janos Slynt e na deserção para lutar contra os Boltons.
A reposta desta questão é necessária para entender a natureza dos acontecimentos em Castelo Negro a partir do momento em que Janos Slynt é executado. A impressão mais comum é que as decisões impopulares do Lorde Comandante vão contrariando as facções representadas por Bowen Marsh e Othell Yarwyck, até esgotar a paciência deles quando Jon Snow resolve dar batalha a Ramsay Snow.
Porém, isso não é inteiramente verdade. Eu ouso dizer que ainda haveria motim mesmo que Jon acatasse todos os conselhos de Marsh em relação aos selvagens. O problema de Marsh com o novo Lorde Comandante eram pessoais, e se tornaram ainda mais pessoais com a morte de Janos Slynt.
No final de A Tormenta de Espadas, depois de nove turnos de votação, havia apenas sete candidatos ao cargo de Lorde Comandante, mas apenas cinco com número considerável de votos. Bowen Marsh era o quinto colocado, Othell Yarwyck era o quarto. Entretanto, Yarwyck demorou mais tempo do que Marsh para começar a perder votos:
Depois da noite passada, restavam sete. Sor Denys Mallister reunira duzentos e treze penhores, Cotter Pyke, cento e oitenta e sete, Lorde Slynt, setenta e quatro, Othell Yarwyck, sessenta, Bowen Marsh, quarenta e nove, Hobb Três-Dedos, cinco, e Edd Doloroso Tollett, um. Pyp e suas estúpidas brincadeiras. Sam verificou as contagens anteriores. Sor Denys, Cotter Pyke e Bowen Marsh vinham todos perdendo votos desde o terceiro dia e Othell Yarwyck, desde o sexto. Só Lorde Janos Slynt subia, dia após dia após dia.
(ASOS, Samwell IV)
Somente depois da décima votação foi que Marsh resolveu ceder sua candidatura e declarar a apoio a ninguém menos do que Janos Slynt, justificando seu voto a partir da experiência de Slynt à frente dos Capas Douradas em Porto Real:
Foi seguido por Bowen Marsh, que se ergueu comuma mão no ombro de Lorde Slynt. – Irmãos e amigos, peço que meu nome seja retirado desta escolha. O ferimento ainda me causa problemas e temo que a tarefa seja grande demais para mim... mas não para Lorde Janos aqui, que comandou os homens de manto dourado emPorto Real durante muitos anos. Vamos todos lhe dar o nosso apoio.
(ASOS, Samwell IV)
Porém, na verdade, todos sabemos que essa experiência é apenas uma fachada, um pretexto empregado por Marsh para enfiar a palavra “Porto Real” em seu discurso. Muitos apologistas de Marsh e do motim em Castelo Negro gostam de apontar Marsh como um legítimo homem da Muralha, visceralmente contrário à Patrulha tomar partido em assuntos dos Sete Reinos.
Entretanto, essas alegações não resistem a qualquer releitura. Desde a eleição, Bowen Marsh vinha utilizando o nome de Tywin como forma de persuasão à candidatura de Slynt:
– Lorde Tywin é favorável a Slynt – disse Bowen Marsh, numa voz inquieta e ansiosa. – Posso lhe mostrar a carta dele, Othell. Chamou Slynt de “o nosso fiel amigo e servidor”.
(ASOS, Jon XII)
Que importava a um legítimo homem da Patrulha da Noite se o Trono de Ferro preferia este ou aquele candidato? Com isto não estou querendo dizer que não seja inteligente da parte de Marsh preferir o candidato que conta com o apoio do governo central dos reinos que ele jurou defender. O próprio Jeor Mormont deu o comando da primeira patrulha de Waymar Royce para “não ofender” Lorde Yohn Royce (AGOT, Tyrion III), alguém notoriamente menos poderoso do que Tywin.
Ocorre que Marsh não é Jeor Mormont. Marsh não tem a mínima vontade de se manter neutro nos assuntos dos homens. Mesmo após a morte de Tywin, Marsh continua insistindo a Jon que se oponha a Stannis:
– Eu sei o que dizem. – Jon ouvira os sussurros e vira homens se afastarem quando ele cruzava o pátio. – O que eles queriam que eu fizesse? Que pegasse em armas contra Stannis e contra os selvagens? Sua Graça tem três vezes os homens que nós temos e, além disso, é nosso hóspede. As leis da hospitalidade o protegem. E nós temos uma dívida com ele.
– Lorde Stannis nos ajudou quando precisamos de ajuda – Marsh disse obstinadamente –, mas ele ainda é um rebelde, e sua causa está condenada. Tão condenada quanto estaremos se o Trono de Ferro nos considerar traidores. Devemos ter certeza de não escolher o lado perdedor.
Não pretendo escolher lado algum – disse Jon –, mas não estou tão certo do resultado desta guerra como você parece estar, senhor. Não com Lorde Ty win morto. [...] O leão em Porto Real é um filhote, e o Trono de Ferro é conhecido por fazer homens crescidos em pedaços.
(ADWD, Jon III)
O início da resposta que Jon dá a Marsh é mais próxima do que poderíamos esperar de um homem da Patrulha da Noite. Entretanto, Jon não se limita a isso, fazendo um cálculo político até razoável, que põe tudo que Marsh falou em perspectiva.
Se fosse a intenção de Bowen apenas entrar nos cálculos do custo-benefício para a Patrulha da Noite, deveria então ter respondido a Jon que Tommen até podia ser criança, mas Roose Bolton não era, tampouco Ramsay, e ambos poderiam sentir a necessidade de intervir na Patrulha se ela continuasse a apoiar Stannis.
Contudo, Bowen não faz isso. Sua nova linha de argumento revela que ele não gosta de Stannis, porque ele é um rei herético, enquanto Marsh é fiel aos Setes (como apontei no último texto):
– Ele pode ser um menino, senhor, mas... o Rei Robert era bastante amado, e a maioria dos homens ainda aceita que Tommen é seu filho. Quanto mais eles veem Lorde Stannis, menos o amam, e gostam ainda menos da Senhora Melisandre, com seus fogos e seu sombrio deus vermelho. Eles reclamam.
(ADWD, Jon III)
Bowen Marsh não liga realmente para a Patrulha ou neutralidade política, seus problemas estão mais ligados com a quebra do status quo. E sua convicção quanto a isso é forte o suficiente a ponto de leva-lo a decisões absurdas.
Por exemplo, quando deixou Castelo Negro para ir combater o Chorão na Ponte das Caveiras, Bowen deixou como castelão Sor Wynton Stout, um cavaleiro desmemoriado com mais de 80 anos de idade, simplesmente pelo fato de que ele era o único cavaleiro ungido na guarnição:
[Jon]: – Se Marsh partiu, quem foi que o nomeou como castelão?
O armeiro soltou uma gargalhada.
[Donal Noye]: – Sor Wynton, que os deuses o protejam. O último cavaleiro no castelo, e tudo mais. O problema é que o Stout parece ter se esquecido e ninguém se apressou em lembrá-lo disso. Suponho que sou o melhor que temos agora como comandante. O mais feroz dos aleijados.
(ASOS, Jon VI)
O mesmo acontece quando ele se opõe a nomeação de Cetim como intendente de Jon, Couros como novo mestre-de-armas de Castelo Negro (ADWD, Jon VIII) ou quando inventa um desculpa para fazer com que recrutas sulistas façam seus votos no septo ao invés de diante dos represeiros na Floresta Assombrada (ADWD, Jon VII).
Nada disso foi “surgindo com o tempo”. São questões pessoais de Marsh que acompanham Marsh desde que ele desistiu da candidatura em prol de Janos Slynt. Quando Bowen se aliou ao ex-capa dourada, estava deixando claro sua oposição a Stannis (cuja intenção era deixar passar pela Muralha os selvagens “convertidos”). Após a eleição de Jon, Bowen era facilmente seu terceiro opositor mais influente, depois de Janos e Alliser.
O mesmo não acontecia com os demais candidatos. Othell Yarwick, por exemplo, que sempre aparece ao lado de Bowen para contestar as decisões de Jon, não era motivo de preocupação. Primeiro porque ele era conhecido por ser uma pessoa tratável:
[Cotter Pyke]: Othell é um seguidor, faz o que lhe dizem, e faz bem, mas não passa disso.
(ASOS, Samwell V)
Othell Yarwyck não era um homem de fortes convicções, exceto naquilo que dizia respeito a madeira, pedra e argamassa. O Velho Urso sabia disso.
(ASOS, Jon XII)
Porém, em segundo lugar, a razão principal do porquê Othell não era de longe tão perigoso quanto Marsh decorria justamente do fato de ele ter, mesmo sem convicção, apoiado Jon:
Seja como for, agora que estou aqui em pé, não me lembro por que foi que pensei que Slynt seria uma escolha assim tão boa. Isso seria como dar um chute na boca do Rei Stannis, e não vejo como é que isso nos é útil. Pode ser que o Snow seja melhor. Está há mais tempo na Muralha, é sobrinho de Ben Stark e serviu o Velho Urso como escudeiro. – Yarwyck encolheu os ombros. – Escolham quem quiserem, desde que não seja eu. – E sentou-se.
(ASOS, Jon XII)
Com efeito, Bowen Marsh era tão perigoso que conseguia angariar apoio mesmo entre os seguidores de Yarwick, como ocorreu no impasse com os Selvagens capturados por Stannis e libertados na Dádiva.
Marsh sugeriu que a Patrulha desse a oportunidade dos Selvagens voltarem para suas vilas e que os Portões fossem selados. Jon Snow concorda que o argumento é bom, mas algo lhe diz que seria uma decisão da qual se arrependeria depois, pois precisava de pessoas patrulhando o outro lado. Mas Marsh discorda, pois homens demais foram perdidos em batalha.
– Se selarmos os portões, não poderemos enviar patrulheiros – observou. – Seremos tão bons quanto cegos.
– A última patrulha de Lorde Mormont custou um quarto dos homens da Patrulha, senhor. Precisamos conservar as forças que nos restam. [...]
(ADWD, Jon III)
O que interessa neste impasse é que, embora Marsh não tenha conseguido convencer Jon e os Patrulheiros, ele consegue convencer os intendentes e até os construtores, homens de Yarwick (quem, como vimos, apoiou Jon na eleição):
[Dywen}: – Sele nossos portões e plante nossos gordos traseiros negros na Muralha, sim, e o povo livre vem fervilhando da Ponte das Caveiras ou através de algum portão que você pensou estar fechado há quinhentos anos – o velho patrulheiro Dywen declarara em voz alta durante o jantar, duas noites antes. – Não temos homens para vigiar a mais de quinhentos quilômetros da Muralha. Tormund Terror dos Gigantes e o maldito Chorão sabem disso também. Já viu um pato congelado em um lago, com os pés no gelo? Funciona do mesmo jeito para os corvos.
A maioria dos patrulheiros fez eco com Dywen, enquanto os intendentes e os construtores se inclinavam para Bowen Marsh.
(ADWD, Jon IV)
Jon levou algum tempo para decidir o que fazer com Alliser Throne (um pouco mais de 2 meses, segundo A Mais Precisa Linha do Tempo), porém deixou Marsh no cargo até o momento final. Após a eleição, Bowen se aproximara “para dizer que ficaria feliz por continuar sendo Senhor Intendente” se Jon o aceitasse (ASOS, Jon XII). Se Jon fosse um jogador político, teria nomeado Samwell ou outra pessoa próxima para o cargo, ao invés de ter o único candidato que se aliou a Janos Slynt lhe servindo.
Isso, porém, não quer dizer que Jon estivesse desatento à possibilidade de Marsh o trair.
Quando Marsh estava alegando que a Patrulha ser inimiga dos selvagens e ter feito votos neste sentido, Jon lembra que não há nada nos votos sobre isso. Diante do silêncio de Bowen e Yarwick, Jon dá ordens a cada um que concordam a contragosto. Neste momento, Jon lembra das palavras de Melisandre, indicando saber que de um deles poderia surgir um motim:
– Sim, Lorde Snow – respondeu Bowen Marsh.
E Jon pensou, Gelo, ela disse, e adagas na escuridão. Sangue congelado vermelho e duro, e aço nu. Sua mão da espada flexionou. O vento estava aumentando.
(ADWD, Jon XI)
Entretanto, isso só torna a situação mais desnecessariamente desafiadora para Jon. Ele conhecia os perigos e os riscos, e os correu sem nenhum motivo plausível. Caso ele tivesse cuidado de todos os aliados de Janos como tratou de Alliser Thorne, talvez não teria que ficar com Melisandre buzinando premonições no ouvido.
Possivelmente, Jon parou de dar crédito aos poderes de Melisandre no momento em que ela errou a previsão sobre Alys Karstark chegando na Muralha. Mas isso é assunto para a próxima parte do texto.
O que eu queria estabelecer aqui é que Bowen Marsh não deixaria passar em branco a deserção de Jon, independentemente se os Selvagens fossem mandados embora. Afinal, mesmo depois que Slynt perdeu a cabeça e Tywin estava morto, Bowen continuava a pregar a obediência ao Trono de Ferro. O mesmo Trono de Ferro que estava patrocinando os Bolton como novo Protetores do Norte, que havia legitimado Ramsay e enviado a falsa Arya para se casar com o novo Senhor de Winterfell.
Na verdade, Jon sempre imperava nos debates contra Marsh e Yarwick. Esse cabo de guerra entre Lorde Comandante, Primeiro Intendente, Primeiro Construtor e, às vezes, o Septão servia para deixar o Lorde Comandante cada vez mais dependente de seus homens do Povo Livre, até o ponto em que Jon Snow estava fazendo planos primeiro com Tormund para só depois discuti-los com seus homens.
Haverá uma parte 6.
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2020.04.13 04:42 altovaliriano Jon Snow (Parte 3)

O Jon que encontramos em A Fúria dos Reis é alguém decidido a fazer parte da Patrulha e seguir para o Norte com o Lorde Comandante Mormont para a batalha contra os selvagens.
Como sua lealdade foi testada durante A Guerra dos Tronos, é natural que Jon esteja em paz com seu papel na hierarquia da Patrulha e dedique suas forças e coragem para cumprir suas ordens. Por essa razão, não surpreende que Jon tenha evitado o bordel de Vila Toupeira mesmo diante da perspectiva de não retornar vivo. Quanta ironia que a última ordem que Jon recebe em A Fúria dos Reis (dada por Qhorin Meia-mão) seja justamente quebrar seus votos e trair a Patrulha.
A primeira cena de Jon em A Fúria dos Reis é interessante. Ele procura por Samwell na biblioteca de Castelo Negro e não compreende o interesse do amigo pelo local.
– Talvez você se surpreendesse. Esta galeria é um tesouro, Jon.
– Se você diz...
Jon tinha dúvidas. Tesouro queria dizer ouro, prata e joias, não poeira, aranhas e couro apodrecido.
(ACOK, Jon I)
Essa reação é curiosa, pois vimos como a educação formal de Jon o distinguia dentro da Muralha. É claro que ninguém pretende comparar a erudição de Tarly com a de Jon, mas retratar Jon como alguém que somente se interessa por conhecimento com utilidade prática é algo soa bastante Eddard Stark. Em contrapartida, Rhaegar Targaryen seria alguém mais parecido com Samwell.
Mas talvez este desinteresse tenha sido Martin plantando um desejo momentâneo por mais ação. Pois é certo que, uma vez que eles entram na Floresta Assombrada, a erudição de Tarly não serve para muito diante da amplitude de coisas inexplicáveis que ocorrem nas terras para-lá-da-Muralha.
Ao chegar em Brancarbor, Jon afirma poder sentir o poder do enorme represeiro no meio da vila. Não fica muito claro o sentimento que perpassa o personagem naquele momento. Ficamos sem saber se o rapaz sentia realmente a presença de algo sobrenatural ou apenas estava fazendo uma metáfora para o quão impressionante aos olhos era a velha árvore.
Outro evento que escapa à razão se dá quando a Patrulha está montando acampamento no Punho dos Primeiros Homens. Fantasma passa a se comportar estranhamento no local, se mostrando desobediente a Jon de forma até então inédita. O lobo se nega a entrar nas ruínas e, quando finalmente entra, começa a chamar Jon para seguí-lo (outra coisas que não o vemos fazer em nenhum outro momento).
No momento em que Jon é levado por Fantasma até a trouxa com as armas de obsidiana e o berrante de chifre de auroque, o pacote está coberto por “um montículo arredondado de terra mole”, o que dá a entender que alguém o havia enterrado ali recentemente. Mas quem quer que tenha enterrado os itens ali o fez para serem achado especificamente por Jon?
A escolha de Jon para fazer parte da equipe de Qhorin Meia-mão é outro momento em que o rapaz é tratado como escolhido pelos deuses.
– Muito bem. Escolho Jon Snow.
Mormont pestanejou:
– Ele é pouco mais do que um rapaz. E, além disso, é meu intendente. Nem sequer é patrulheiro.
– Tollett também pode cuidar do senhor – Qhorin ergueu sua mão mutilada, com apenas dois dedos. – Os deuses antigos ainda são fortes para lá da Muralha. Os deuses dos Primeiros Homens… e dos Stark.
(ACOK, Jon V)
Logo quando estes dois se conhecem, Qhorin logo quer saber em saber onde está Fantasma, que não está presente. Com isso, o patrulheiro estabelece interesse pelos predicados místicos de Jon. Esta inclinação de Qhorin pelo sobrenatural se repete quando ele afirma que Mance está reunindo tropas Presas de Gelo porque estaria atrás de um “poder” mágico, enquanto que Mormont pensa que isso ocorreu para esconder suas tropas dos olhos da Patrulha.
Para a sorte de Qhorin, sua aposta em Jon deu resultado. O rapaz teve um vívido sonho de warg dentro de Fantasma enquanto o lobo se aproximava do exército de Mance Rayder, poupando o trabalho dos patrulheiros. Entretanto, o afloramento deste poder através da intervenção de Bran parece ter sido um modo que GRRM achou de tornar este evento único. Ou seja, Martin o fez dessa forma para parecer que Jon não conseguiria repetir o feito sozinho. E como se vê nos livros seguintes, Jon não entra na pele de Fantasma em sonhos futuros.
De todo modo, Jon não consegue evitar a fama de troca-pele. Ela é suscitada na Muralha e entre o Povo Livre. Jon deve à intervenção hábil de Ygritte sua vida, caso contrário o bando de Camisa de Chocalho poderia estar duplamente disposto a matar um patrulheiro que também era um troca-pele, tivesse ele se rendido ou não.
Assim, fica claro que A Fúria dos Reis envolve um arco mais mágico de Jon nas terras para-lá-da-Muralha. Em contrapartida, A Tormenta de Espadas vai se focar em conflitos internos, no teste de suas lealdades e nas consequências de suas escolhas.
A jornada de Jon com Mance é bem exemplificativa disto. Inicialmente, Jon trata Mance como inimigo em seu íntimo para no final do livro ouvir que seu plano de “conquista” dos Sete Reinos é apenas uma fuga dos Outros. Jon tanto simpatiza pela causa de Mance que assume-a para si quando pensa que Mance estava morto, ao ponto de deixar a Patrulha à beira do motim (que só ocorreu quando ele quebra seus votos para tentar enfrentar Ramsay).
Mas essa empatia por Mance é cultivada por todo o livro. Logo no primeiro encontro, quando Mance parecia ser um completo estranho, GRRM habilmente introduz Mance na infância de Jon, fazendo com que o rapaz experimente a sensação de familiaridade por Rayder.
– [...] Você era só um garoto e eu estava todo de preto, fazia parte de uma dúzia que escoltou o velho Senhor Comandante Qorgyle quando ele desceu até Winterfell para um encontro como seu pai. Eu percorria a muralha em volta do pátio quando me deparei com você e seu irmão Robb. Nevara na noite anterior, e vocês tinham feito uma grande montanha por cima do portão e estavam esperando que alguém passasse por baixo.
– Eu me lembro – disse Jon, surpreso, comuma gargalhada. Um jovem irmão negro no adarve, sim. – Jurou não contar.
(ASOS, Jon I)
Por outro lado, Mance teve motivo para matar Jon duas vezes (quando o garoto mentiu no Punho dos Primeiros Homens e quando seu acampamento foi atacado enquanto Jon foi enviado por Janos Slynt para matar Mance Rayder). Contudo, em nenhuma das duas oportunidades o fez. Na verdade, pouco antes de ser capturado por Stannis, Mance estava explicando que gostava de Jon (apesar de não confiar nele).
Na verdade, durante o ataque de Stannis o próprio Jon teve a oportunidade de finalmente matar Mance e terminar o conflito. Porém, durante o capítulo, o rapaz não fez outra coisa senão avaliar como seria impróprio matar Mance naquelas circuntâncias, demonstrando que não mais o enxergava como um inimigo a ser eliminado a qualquer custo.
No caso do conflito envolvendo Ygritte a coisa é mais óbvia. Mesmo acossado por tipos como Alliser Thorne e Janos Slynt, Jon provou estar mais inclinado à ser leal à Patrulha do que aos desejos românticos. Ainda que Jon não tenha sido capaz de atirar na garota quando a teve sob a mira do arco (nem para retribuir a flecha que ele supõe que ela lhe atirou em Coroadarrainha), o rapaz nunca investigou quem foi que efetivamente atirou em Ygritte, apenas aceitando sua morte como decorrente do conflito.
Na verdade, a única ponta solta relevante que sobrou do evento em Coroadarrainha foi que Jon teve indícios de que Bran estaria vivo. Ou ao menos, vivendo uma segunda vida.
Em Coroadarrainha vi um lobo gigante, um lobo gigante cinza... cinza... ele me reconheceu. – Se Bran estava morto, poderia uma parte dele sobreviver em seu lobo, tal como Orell vivia no interior de sua águia?
(ASOS, Jon VI)
Estas especulações abrem uma grande brecha para novas direções na história, haja vista que o próprio Jon pode estar à beira de ele mesmo viver uma segunda vida em Fantasma. Assim, não pareceria tão fora do personagem que ele fosse atrás do irmão, ao perceber que sua vida humana acabou.
O último aspecto que quero pontuar em A Tormenta de Espadas é os primeiros momentos do relacionamento de Stannis com Jon. Neste livro, Jon é apenas um intendente que recebe do autoproclamado rei uma oferta de ser legitimado, abjurar seus votos, se casar e herdar Winterfell.
Mesmo diante de uma perspectiva tão sonhada, Jon hesita (talvez da mesma forma que Tyrion hesita em casar com Sansa para ganhar os mesmos títulos e terras). Na verdade, Jon fica irado com a perspectiva, porque, como a lembrança de Catelyn parece indicar, isso faria com que ele se tornasse o usurpador que ela anunciava que ele se tornaria.
Por que estou tão zangado?, perguntou a si mesmo, mas era uma pergunta estúpida. Senhor de Winterfell. Poderia ser Senhor de Winterfell. Herdeiro de meu pai.
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. [...] Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa.
(ASOS, Jon XII)
Entretanto, era levado pela necessidade. Afinal, ele sabia que Janos Slynt estava próximo de ganhar a eleição de Lorde Comandante, o que significava que aceitar a oferta poderia ser o único modo de manter sua vida.
Lorde Janos será escolhido Senhor Comandante. E isso deixa-me o quê, além de Winterfell?
(ASOS, Jon XII)
A parte estranha, que eu nunca consegui entender, é qual foi resposta a que Jon Snow chegou quando encontrou com Fantasma.
Ele e o lobo estavam afastados há algum tempo, desde que Jon teve que escalar a Muralha, quando então se reencontraram no dia em que Snow foi escolhido Lorde Comandante. Naquele dia, Jon estava do outro lado da Muralha, refletindo sobre a proposta de Stannis quando o lobo apareceu. Jon estava olhando para Fantasma quando teve a seguinte cadeia de pensamentos:
Olhos vermelhos, percebeu Jon, mas não como os de Melisandre. O lobo tinha olhos de represeiro. Olhos vermelhos, boca vermelha, pelo branco. Sangue e osso, como uma árvore-coração. Este pertence aos deuses antigos. E só ele, entre todos os lobos gigantes, era branco. Tinham encontrado seis filhotes nas neves do fimdo verão, ele e Robb; cinco que eramcinzentos, negros e castanhos, para os cinco Stark, e umbranco, tão branco como a neve. Snow.
Então obteve a sua resposta.
(ASOS, Jon XII)
Uma vez que a eleição de Jon como Lorde Comandante o impede de contar a Stannis esta resposta, nunca ficamos sabendo a quê conclusão o rapaz chegou. Ou eu estou entendendo errado?
No tópico do domingo que vem, vou analisar Jon em A Dança dos Dragões.

Perguntas

  1. Jon realmente sentiu algum poder sobrenatural na árvore de Brancarbor?
  2. As armas de obsidiana e o berrante de chifre de auroque eram destinados a serem encontrado por Jon?
  3. Bran despertou poderes de warg em Jon? Ou aquele foi um evento único, cuja repetição depende de nova intervenção de Bran (ou de outro vidente verde)?
  4. Qual era a resposta que Jon obteve olhando para Fantasma em ASOS, Jon XII?
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2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
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O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
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[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
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Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
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2020.01.20 01:17 ayu45 Em um balanço

Ser ou não ser: eis a questão Se você se deixar se levar, encontrará a resposta A pessoa mais disposta Abraçar ideais é difícil E se odiar é no mínimo irritante Como lidar com tais sentimentos tão conflitantes, ó céus? Segui e segui Abrir e vi Tentei tentei Encontrar o sentido no mundo Onde estás, ó coisa tão visada e tão complicada ao ponto de que cada sentimento descobrido é mais um motivo para eu me questionar e se quer se chamar de amigo? Tão ambíguo No mínimo algo inabalável Abrir os olhos já tentei Lavei meu rosto e os olhos estiquei Mas por que é tão intrigante Abrir o coração? Como isso tem uma falta alarmante e distante Já me questionei tanto que o perigo continua constante Será que amanhã vou acordar na minha cama Ou vou acordar no céu onde tanto chama? Já convivi tanto que já é algo admirado E constantemente afagado e datado de meus sentimentos mais fiéis e calorosos Ela consume meu amor Ela me abre e coloca cada motivo no meu coração de dizer que é tudo em vão Ela faz com que minha mente haja uma distorção Onde a realidade seja desgraçada e culpada A realidade onde vou no espelho e me vejo Você é tão cruel e abrangente Faça tal ato que será a essência mais sentida, ao mesmo tempo ambígua e contente Cada vez estou menos amarrado Cada vez me culpo mais pelos meus pecados Oh céus, será que é tão ruim assim? Acordar jogado na calçada, onde meu sangue está em contato com a terra E finalmente me sentir parte de algo e sendo gente Terra avermelhada Será tão aclamada e desejada E por muitos será pisada E datada de frescura e pura atuação Oh céus, por que o mundo é tão cruel? O monstro já me deu tantos motivos Que vou pegar meu véu e casar com essa história Junto escória e raiva Descontentamento, mutilação Duplas muitas vezes tão distantes Mas com sentimentos são conflitantes e ardentes Achei que sendo crente em uma fé tantas vezes muito cultuada e titulada Iria me livrar desta disgraça Mas quanto mais olho Mais vejo defeito E me deixo cair no colo de quem me consola O consolador O mais temido e mais servido como abrigo Toda vez que me dou ouvido Faz mais sentido e me afundo Do fundo da caverna não tem luz Essa luz machuca, pai Dei para mim uma manta Onde que espanta qualquer motivo para eu ficar aqui Aqui é tão confortável O medo aqui não é mais inabalável Chega até ser agradável Ó pai, por que tem tanto sangue? Eu só me cortei acidentalmente Lembrei de novo daquele lugar abrangente E me levei de novo pra esse destino que parece tão bom mas muito datado de descontente Ei, pai, me ajudas? Dessa vez não só não me acertei Estava vagando pelo mundo E peguei minha mãe chorando escondida Lá no cantinho da cozinha Ei, eles gostavam mesmo de mim? Tanto falavam , e tentavam ajudar Mostravam mais e mais motivos do por que eu deveria morrer Fui tão julgado Só fui afastado, pai Quero e não quero, pai Uma dúvida tão alarmante e fragante Ela cheirava a cozinha da minha mãe Toda vez que eu ia lá eu me amarrava Oh Deus, eu nasci muitas vezes? Será que a terra está quente Minha mãe me deu um remédio estranho uma vez Sou só uma alma vagante Onde a dúvida mais súbita é constante Tentei tantas vezes entrar mas não deixavam O que eu fiz para merecer tratamentos tão cruéis Eu só queria saber O que é felicidade? Tentei várias vezes mas mais uma vez me deixei levar pela ansiedade Ó Deus, eu só queria saber o que é ser feliz de verdade Rodei este mundo E não vi uma história que me chamasse atenção Toda vez que ia lá de novo Me deixava levar pela tentação Ei moço, você sabe o caminho? Você sabe onde esse destino vai me levar de novo? Vivo e vivo E nunca chego ao o que estimo Abraçar e abraçar A afetividade é o puro veneno Já que a certeza que você vai tê-la é amanhã não é pleno Ainda mais para mim Hora estou ali Rodo um mundo de realidades tão diferentes E nenhumas delas pra me fazer crente de minha presença quanto humanidade e felicidade Andar e andar e sentir que tudo é em vão Me sinto um vagão que carrega cada vez mais problemas e fica cada vez mais difícil de transportar Se interligar e prender Chegar e aprender Isso ta tão complicado Queria me sentir realizado Fases e fases passam Meus sonhos se desfazem Meu além se desliga O ódio me intriga A cama me abriga Tento e tento entrar Não me acolhem, não sei se vou aguentar mais Acho que não sou capaz Oh Deus, por que a vida é tão complicada? Cada vez mais que esse vazio cresce me sinto realizada Alma vagante quebrada e varada O que eu fiz para merecer isso? Só queria dar um sumiço Achei que aquele corte não ia doer tanto Mais problemas eu cada vez mais planto Tantas vidas e vidas E a sociedade trata como preguiça Amar-te antes de amar aos outros Onde ouvi essa frase? Cada vez me intriga mais e minhas esperanças se desfazem Dei voltas e voltas em volta desse solo chamado realizado desenvolvido Tanto vivido mas sempre muito temido Oh meu Deus, o que tu aguardas pra esse próximo recomeço? Sempre estragando tudo e faço cada vez coisas mais erradas eu reconheço Na lógica faz tanto sentido Era só você viver o que era dito Por que a vida é tão cruel? No final as fórmulas não me ajudam E no final só sou mais uma alma vagante de um gênio tão varrido Se eu nunca tivesse existido Talvez essa angústia constante teria sumido Se eu não tivesse me aberto Talvez o sangue não percorresse tanto o meu corpo Mas fez tanto sentido em várias vidas Agora só estou no médio onde todos os crentes mais temem Rezem, rapazes, rezem Talvez seja por isso que estou nesse médio Tantas realidades e eu sempre acabava caindo do prédio Oh Deus, quando você vai acabar com esse tédio? Dúvida cruel que cobre todos os meus machucados e tornam ainda piores Acho que nunca vou ter dias melhores Queria que todas as vidas fossem só feitas pela infância Onde tudo fazia sentido e nada era tomado pela ignorância Eu grito mas parece que ninguém escuta Peço socorro mas ninguem ajuda Rezo e rezo mas a situação só piora E minha autoestima só piora Ó angústia interna, quando vais acabar? Sempre existiu e tão insistente Nem parece que faz parte de uma pessoa tão frágil e fraca como eu
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2019.01.11 15:41 Dimitri_Vladvostok O caçador de segredos [longo e bastante amador]

Eu quero fazer uma confissão. Não tenho ninguém que seja elegível a ouvir o que tenho a dizer, por isso vou jogar esse relato no confins da internet anônima antes que eu finalmente deixe de existir...o que não é de tudo ruim.
Tenho um dom, algo que você já deve ter visto ou ouvido falar de alguma forma similar, e provavelmente era falso. Mas comigo é verdade, infelizmente. Sabe aquele negócio de enxergar as ‘’auras’’ das pessoas? Pois então, eu não vejo auras, mas as ‘’camadas’’ delas. Vou explicar melhor. Cada pessoa tem suas ‘’informações’’ guardadas dentro dela. Essas informações são sua história de vida, fraquezas, qualidades, gostos, desgostos, segredos, memórias, sentimentos, etc. Cada uma dessas informações tem um certo grau de confidencialidade, e são divididas entre camadas, onde as coisas mais superficiais e ‘’visíveis’’ ficam na camada mais externa, e os segredos e características mais profundas ficam nas camadas internas. ‘’Pessoas são como cebolas’’ é o que costumo dizer, graças a isso.
Durante a vida conhecemos uma quantidade incontável de pessoas, e cada uma delas sabem uma certa quantidade sobre você, e vice versa. Cada uma sabe até uma certa camada da sua pessoa, e você, conhece diferentes camadas de diferentes pessoas, geralmente quanto mais próximo, mais profundo. A questão é que consigo ver isso no mundo real, de forma telegrafada, (agora que domino essa habilidade) no momento que quiser. Mas não pense que isso é algo bom não, é exatamente por causa disso que estou escrevendo esse texto, e contando o que aconteceu.
Desde que comecei a sair da adolescência e entrar para a vida adulta tive muito empenho em ajudar os outros e ser gentil, me faz me sentir útil aos outros, mais vivo. Talvez porque nunca experimentei esses valores durante a infância, mas isso não vem ao caso. É um episódio que ficou para trás, e não vou desenterrar ele. Graças a essa boa atitude, conheci muita gente, e lentamente graças a algumas dessas pessoas fui perdendo minha timidez. Me tornei um bom ouvinte, aprendi a conversar e ser uma pessoa mais adorável de se ter perto. Li vários livros sobre esse tema, e a coisa mais importante que aprendi foi que a coisa que todo ser humano mais anseia é a apreciação. Todo mundo quer ser apreciado, ouvido, gostado pelos outros. A sensação de ser importante é como uma droga, e nós alimentamos os outros com ela por meio de conversa e linguagem corporal. Existem diversos pequenos sinais (visíveis e subconscientes) que lhe mostram que alguém está interessado no que você está dizendo ou fazendo, sendo um ouvinte ativo, pela postura amistosa e interessada, no olhar.
Por entender isso, passei a virar parceiro de conversa de muita gente. Muitas vezes falava com alguém que considerava somente um mero colega, aquele que você se dá bem mas não para chamar no aniversário, e essa pessoa começa a contar sobre sua vida ou algum problema, algo pessoal. Então eu entro em um estado de ‘’woah porque ele tá falando isso?’’ e tento meu melhor para ajudar.
Quando completei meus 18 anos algo mudou, um dia qualquer eu acordei com a visão toda embaçada, pensei ter ficado parcialmente cego ou algo do tipo, depois de um certo pânico tudo voltou ao normal. Mas eu estava sozinho em casa aquele dia, minha família havia ido viajar a negócios e só voltava no fim de semana. Nessas horas meu contato humano é bem escasso, gosto de ficar em casa sozinho fazendo tudo que dá na telha, com o silêncio e somente os sons que eu mesmo produzo. Quando saí na rua, já estava vendo as pessoas daquela forma: No peito de cada um havia um círculo, como se estivesse pintado em seu corpo. Claro que inicialmente foi um choque, apesar de ler um pouco sobre misticismo e pessoas com ‘’dons’’ não levava isso completamente a sério. Saí na rua e comecei a observar as pessoas, e todas tinham esse padrão. Até que encontrei um amigo no caminho, e ele era diferente. Haviam três círculos, cada um após o anterior um pouco mais para dentro e menor. Fiquei olhando pra aquilo feito um bobo a ponto de nem me lembrar de cumprimenta-lo, até que voltei a realidade quando o mesmo me chamou alegremente para dar oi. Voltei pra casa, pesquisei sobre isso, nada. Nem nos fóruns mais malucos onde lunáticos claramente inventam superpoderes e acontecimentos havia algo sequer similar a isso.
Dias depois, quando encontrei meus pais, notei que eles tinham também esses círculos, mas ainda mais que o meu amigo, e mais profundos. Como não sou tão bobo, finalmente percebi a lógica disso. Eram pessoas mais próximas, comecei a comparar a quantidade dos círculos de cada um com coisas sobre eles, até que cheguei no ponto: Grau de conhecimento sobre a pessoa.
Depois de meses aceitando e até mesmo ignorando esse curioso caso que agora afetava minha vida, tentei achar alguma utilidade boa para isso. Comecei a participar de comunidades de ajuda, prevenção ao suicídio, coisas assim. Na minha cabeça, se eu tivesse essa vantagem de saber o quanto eu já sabia sobre cada pessoa que estava em um caso perigoso, junto com minha tendência a ajudar e conversar bem, poderia lidar melhor com cada um se baseando nessa margem. Se eu já enxergasse fulano com vários círculos depois de algumas conversas, saberia que tenho bastante informação para trabalhar, e poderia ajudar e dar conselhos com base no que sabia, porque era tudo verdade. Como uma ‘’confirmação’’ de que estava tudo certo.
Tudo ia muito bem, me convenci de que isso era mais uma bênção que só um evento aleatório. Até que involuntariamente comecei a usar isso na minha vida. Nos meus amigos. Nos meus parentes. Havia essa amiga, Vamos chama-la de Ms. Ms e eu éramos amigos de um bom tempo já, conversámos muito e se dávamos incrivelmente bem. Depois que ganhei esses olhos (É como passei a chamar minha habilidade), percebi que ela tinha 3 camadas. Fiquei contente até, como já disse antes, foi uma confirmação de quão ‘’confiável’’ eu era.
Não.
3 camadas, pelo que observei com o tempo, é o nível ‘’amigo’’. Na vida, 95% das pessoas com quem você faz amizade serão amigos, e somente 5% serão os amigos mesmo. Aquelas pessoas com quem você pensa em chamar e conversar, que você vai além do small talk ou de conversa oportuna em um momento social, aquela pessoa que você confia. Esses são os 5%.Sinceramente, nunca tivesse interesse algum em pessoas que não fossem dos cinco. É como se elas só enchessem um vazio que precisava ser preenchido porque a sociedade manda você ter muita gente e interagir o tempo todo. É como se tudo que fizesse com essas pessoas fosse artificial, mais como um trabalho que como algo genuíno e voluntário. Acontece que, eu considerava Ms. Uma pessoa do grupo de amigões, baseado em vários dias e conversas pessoais, etc. Nos entendíamos, assim como era com algumas outras poucas pessoas, que ao contrário dela, tinham mais camadas. Toda vez que aparentemente atingíamos um nível diferente, seja falando sobre um problema ou história, pessoalmente, nada mudava. Eu ainda enxergava as 3 camadas.
Confesso que tenho um certo vício nisso. Em ser apreciado, confiado, importante. Agora, percebo que grande parte das coisas que eu fazia eram pela recompensa, onde eu no fundo não dava a mínima para a pessoa em si, só pela sensação, a gratidão. E enquanto por um lado isso não faz diferença para a pessoa, pois tecnicamente ainda sou algo positivo para elas ajudando, o caso muda quando sinto que perco essa importância. A complacência imediata para o que der e vier se converte lentamente em apatia, pois sendo franco, aquele indivíduo não me servia mais.
Com o tempo isso começou a acontecer com Ms, pois fiquei cheio de nada nunca acontecer, e esse mistério de aparentemente estarmos bem mas meus olhos dizerem o contrário. Mas deixamos essa história de lado por enquanto.
Graças aos olhos, também comecei a detectar mentiras ou irregularidades nas pessoas quando conversávamos. Em algumas ocasiões, em algum momento quando me falavam algo mais pessoal, considerado uma camada mais funda que o normal, nada mudava. Eu metodicamente categorizei cada tipo de informação de acordo com seu grau de camada visível, baseado em quando tal informação foi contada e a mudança imediata de camada na pessoa. E por causa disso, segundo o padrão, nessas situações seus círculos deveriam imediatamente aprofundar em um nível, pois havíamos atingido uma nova fase. Mas não, não acontecia. Então ou era mentira, ou irrelevante. Mas aí é que está! Ela contava como se fosse algo importante. O que indicava segundas intenções, e quase nunca estive errado sobre isso.
Meu pai. Ele só tinha quatro camadas. Isso significa conhecimento sobre gostos e hábitos, e opiniões. Mas isso é superficial, não pode ser o máximo que você tem com seus pais. Deus, eu tinha amigos dos 95 mais profundos que ele! Comecei a me questionar se era porque mentia muito para mim (ou nós, como família) ou se simplesmente não falava nada mesmo. Comecei a puxar assunto com o velho, querer saber das coisas, virar ‘’amigo’’ mesmo dele. Nada. Certo dia, enquanto ficávamos sentados na varanda tomando café e conversando, tentei me puxar para as histórias de família, infância, até conhecer minha mãe, etc. E ele falou bastante coisa, a maioria eu já sabia, mas absolutamente nada aconteceu. Eu queria saber o que havia de errado com ele. Eu queria saber o que me levaria a chegar mais fundo nele. E eu nunca percebi o quanto errado eu estava agindo, como não me importava com ninguém, como minhas buscas eram egoístas e sem empatia pelos outros. Decidi olhar seu celular, o bobão usava a mesma senha para absolutamente tudo. Entrei no seu e-mail, abri seu whatsapp até as primeiras conversas do telefone, Messenger, tudo. Ele falava com muita gente. A grande maioria eu não faço ideia de quem sejam. Descobri que ele tem aquele hábito de tiozão grotesco que mexe no facebook, fica indo em privado de mulheres novas e atraentes, falando aquelas frases horríveis de cantada como se fosse um iludido galanteador dos anos 90. Minha espinha doía lendo aquela vergonha alheia, nem cheguei a pensar na parte de isso de certa forma ser traição.
‘’Como está o garoto?’’‘’Passou direto, esperto como o pai’’
‘’ainda bem que ele puxou a cabeça, não a cara! Hahahha’’
‘’enfim, quando você vem ver ele?’’
O desgraçado tinha outra família escondido. Eu não faço ideia como, vasculhei um pouco o perfil dessa mulher e aparentemente o filho dela tem uns 7 anos. Isso significa que foi durante o casamento, na metade dele, na verdade. Eu só queria ver ele pessoalmente naquela hora. Eu queria contar camada por camada, quantas haviam surgido naquele filho da puta. SETE. SETE. Ele achou que eu estava drogado quando comecei a olhar para o peito dele e contar em voz alta, olhos arregalados e uma cara de maníaco, até ir para o quarto. Aquilo era extremamente bem escondido e pessoal. Se fosse um mal entendido não poderia passar de sei lá, cinco. Mas não, Sete camadas. Eu havia acertado seu ponto fraco, e iria fazer bom uso dele.
Depois de muito tempo isolado com meus pensamentos de o que diabos eu iria fazer, comecei a revirar minhas memórias, analisar a tabela de camadas e como nada ali batia, como tudo provavelmente era mentira ou irrelevante, comparado a tudo que ocorria por baixo dos panos.Lembrei das vezes que os dois discutiam, e um certo evento se destacou dos outros. Enquanto o pai berrava sobre algum motivo de discussão imbecilmente aleatório como de costume, minha mãe, mais exaltada que o normal, solta ‘’Vai voltar a fazer igual antes? Tu começa de novo que vai direto para a cadeia’’. Eu não estava exatamente no local, para ser sincero estava no meu quarto, jogando, pouco me fodendo para ambos. Aquilo deu um click na minha cabeça, eu queria cavar mais a fundo isso. Então meu alvo era a mãe. Resumindo a história, ele tinha o excelente hábito de agredir. Principalmente quando bebia, algo que acontecia quando as vendas não iam bem.
Eu denunciei ele. O miserável me expulsou de casa antes de ir preso, obviamente. Arrumei um teto graças a alguns amigos e estava me virando, valeu a pena. Fiz testemunho, disse o que ouvi, forcei ela a dizer a verdade. Não foi difícil, mãe nunca foi a pessoa com grande QI. Na verdade eu estava fazendo um favor a ela se livrando desse lixo humano. Mas não, não estava pronto ainda. Eu conhecia alguém que estava preso por aqui também. O cara foi uma das pessoas que ‘’ajudei’’ nos tempos sombrios nos grupos de ajuda. Ele era um drogado, roubava qualquer pessoa sem dar a mínima, e para não ter peso na consciência, visitava o centro para contar que ‘’errou’’ e se arrependia. Pra mim era só uma desculpa para não se sentir um completo filho da puta, o que é ainda mais egoísta que roubar. Enfim, acontece que ele se dava muito bem comigo, afinal ele só queria algúem para ouvir suas lamentações e ir embora antes da polícia aparecer (não que eu tenha alguma vez chamado).
Como ele terminou preso? Foi pego, obviamente. Mas teve a feliz ideia de tentar bater no policial para fugir, e obviamente piorou mais ainda. Acontece que esse cidadão e meu velho iriam ficar temporariamente presos juntos, quem diria? Eu fui visitar esse velho amigo, dar umas risadas e tirar ele um pouco desse ambiente decadente sem esperança. E claro, pedir um favor. Contei para ele tudo que meu pai fez, com alguns comoventes detalhes, e conforme ele ia se identificando com a situação e falando que passou por algo parecido. Opa, mais uma camada! Fui moldando a história para ficar mais coincidente com a dele, afinal vale tudo para se ter apreciação e lealdade. Disse para ele dar uma surra no velho. Era o que eu mais queria fazer mas não era capaz. Ele disse para não se preocupar, a ‘’vida’’ iria dar o troco. Depois disso eu já sabia que meu trabalho estava completo.
Ele _Morreu_. Ele bateu tanto no velho que ele morreu. Hemorragia interna, sei lá. Algo importante (pra ele só) parou de funcionar. A parte boa foi o feriado que ganhei com isso. Consegui ganhar algumas boas partidas no Rocket League. Mãe, depois de me deserdar na família por aparentemente ter destruído a mesma (curiosamente ela _perdeu_ camadas depois disso), ligou pedindo se eu não iria. Respondi que precisava de 6 camadas para atender o pedido e desliguei.
Percebe como todo esse negócio foi saindo do controle? Eu estava me tornando um monstro, fissurado nessa maldição de camadas, saber demais e ser extremamente egoísta. Mas tristemente não foi o fim. Eu ainda tinha uma vida meio que andando. Tinha muitos amigos genéricos com quem poderia as vezes contar.
Conheci esse cara novo que começou a trabalhar comigo no setor de automação, e depois de umas semanas juntos, no demos muito bem. Era alguém muito quieto, notei que praticamente só falava _mesmo_ comigo. Trabalhei bastante em me aprofundar nele. Queria saber qual terrível falha ele tinha. Todos tem. Achar elas era meu hobby. Depois de um bom tempo nisso, me conta que fez a cagada de trair a namorada, com quem muito provavelmente iria casar. Eles terminaram por isso, mas já estava naquela putaria de ‘’estou brava mas quero voltar’’, sabe? Ah, mas que ironia. Mas um adúltero. Mas como esse era gente boa no geral, decidi só ‘’ajudar’’ ele mais uma vez. Voltar não era uma boa ideia, nunca iria se perdoar, iria lembrar do acontecido toda vez que olhasse para ela. O melhor seria partir para outra, e fazer ela achar isso também o certo. Claro, com um empurrãozinho. Fomos em um clube para maiores. Bebi pra krl, nem lembro direito como voltei. Mas não fiquei bobo antes de completar a missão: ele acabou ficando com 3, pegou ali mesmo, uma zona sem tamanho. Obviamente acabaram gravando, o vídeo se espalhou porque alguém saiu mandando pra geral, e virou até notícia. ‘’Noivo diz que não quer voltar fazendo vídeo com acompanhantes’’. É, foi um belo estrago. Mas ele ainda não acha que foi culpa minha, afinal foi a coisa certa. Só teve o infortúnio de sair de dentro daquele recinto.
Mas isso não ficou de graça não, ele me fez pagar, querendo ou não. Em um dia aleatório, enquanto trabalhávamos, conversando sobre nosso amigos, caímos sobre um colega em comum. Eu sempre imaginei que ele era do tipo espertalhão sacana, que é gente boa quando não custa nada mas muda se a coisa começa a custar algo para ele. Ou não pensa em ninguém quando tem chance de se dar bem, independente de se vai ferrar os outros. Nada fora do normal, estava quase no piloto automático falando com o rapaz.
‘’Mas ele é muito filha da mãe, tá pegando a Ms, e fica saindo sem pagar por aí com ela toda hora. Ainda fica com várias outras! Ele não perde uma hahaha’’
Era isso. Eu era só um otário tendo serventia. Ela me alimentava com qualquer merda para que continuasse orbitando ao redor, e ajudando. Fizemos dezenas de trabalhos de faculdade que ‘’precisavam ser entregues no dia e te contei como quem não quer nada’’ e nunca tinha tempo para fazer nada. Realmente, desse jeito não sobra tempo. Isso não iria ficar assim.
Eu lembro exatamente de como me senti naquele dia, me sentia traído, manipulado, fraco. É um grande choque quando se está muito tempo acostumado a ter tudo sobre controle. Devido a estar o tempo todo com aqueles olhos, não podia enxergar que o sacana da história era eu, não tinha nada de errado ali.
Lembro-me que ela falava muito sobre o carro. Pelo que entendi era parte muito importante da vida dela, tanto para trabalhar quanto pelo tanto de histórias que ele tinha e foi parte. Era um bom lugar para investir. Afinal, esse povo me acertava no lugar mais fraco, mentir sobre minha apreciação e importância, nada mais justo que acertar no lugar mais fraco deles também. Pesquisei bastante sobre motores, parte elétrica de carros, felizmente a internet tem conteúdo praticamente infinito, onde você aprende tudo o que quiser, basta procurar. Aprendi a superaquecer o motor. Com isso, com azar (ou sorte para mim) o carro também solta resíduos, que quando tocam alguma parte muito quente do veículo pode entrar em combustão. E para tirar o variável ‘’talvez’’, teria um pouco mais de óleo que o normal. Sem precisar de muito contexto, passei o fim de semana na casa da família dela. Durante a madrugada, depois de todo mundo beber excessivamente e desmaiar nos cantos da casa, peguei a chave do carro e fui fazer uma pequena inspeção. Preparei tudo conforme o planejado, estava tudo pronto. Já havia avisado a Ms que precisaria sair cedo no outro dia. Como combinado, de manhã já estava de pé e estávamos saindo. Todo mundo ainda dormia, ou pra ser mais exato, estava em coma alcóolico. Acho incrível como as pessoas gostam de beber tanto, só pra ficarem mais idiotas e morrer por algumas horas no dia seguinte. Enfim, ela foi para o carro, eu disse que só iria pegar a bolsa e ela já poderia ir ligando o carro.
Ouvi o motor dando a partida, os sons fora do normal e estranhos, levando a um grito de susto até chegar nos pedidos de ajuda. Com toda a pressa do mundo fui ajudar, mas já era tarde demais. O carro tinha virado um bloco gigante de carvão, e não tinha nem mesmo como pegar o extintor lá dentro. Ligamos para os bombeiros e tudo terminou ‘’bem’’. Ela parecia um cadáver. Não falava com ninguém, parecia que tinha perdido um parente. ‘’Bem feito’’ era o que eu dizia pra mim mesmo.
‘’Eu venci.’’
Até agora não sei o que eu venci. Era uma guerra? Uma disputa? O que exatamente eu ganhei com tudo isso? Sinceramente agora nada faz sentido. Se eu soubesse tudo isso, mas sendo outra pessoa, acho que iria matar ela. Mas sou eu, eu fiz tudo isso. Nas últimas semanas antes de ter um colapso mental tive alguns dias me sentindo o soberano, o rei. Havia até achado uma nova pessoa para explorar, e tinha começado a dar os primeiros passos.
Me olhei no espelho, e pela primeira vez percebi algo que esteve o tempo todo ali: Eu só tinha uma camada. O que diabos isso significa? Eu não me conheço?
Comecei a estudar sobre meditação, introspecção e coisas do tipo. Comecei a gastar horas meditando e refletindo, criei gosto por isso. Passei a entender alguns dos motivos pelos quais me sentia mal, por exemplo. Em dado momento surgiu mais uma camada. Quando cheguei a conclusão que eu iria ferrar de uma forma ou outra com a próxima pessoa também, não importasse o que acontecesse. Nessa hora percebi que realmente tinha a ver com o quanto eu me conhecia. E isso significava que eu não sabia _NADA_ sobre mim. Passei a questionar até que ponto eu me iludia das coisas que eu fazia, até onde meus ideais estavam certos. Vendo matérias sobre sociopatas, aprendi que eles também não enxergam o valor nas pessoas, elas são irrelevantes na escala emocional e afetiva. E caramba, eu estava pensando assim! Quanto mais parava para pensar mais me aprofundava nesse espiral de realização de que era uma escória para todos. Fazia reflexões e tirava conclusões sobre meus hábitos, como eu estava passando dos limites em cada situação e não tinha remorso, e em toda nova conclusão, uma camada brotava no meu peito. Eu nunca pensei que entender a mim mesmo fosse a coisa mais aterrorizante de todas.
Agora, que estou sozinho, isolado em um lugar escondido, longe de todos que afetei, espero meu fim. Não quero causar mais nada a ninguém, não quero ver suas camadas, não quero existir. E aqui chegamos ao fim, não sei quando ou onde você acabou lendo isso, mas não se preocupe, provavelmente tudo isso não vai passar de mais uma história absurda em um fórum anônimo.
Pessoas são como cebolas, quanto mais camadas tocar, mais você chora.
submitted by Dimitri_Vladvostok to rapidinhapoetica [link] [comments]