Onde é que os negros vêm de

Uma vez Tiririca disse "pior que tá não fica" e eu com meus poucos conhecimentos de economia e política, no tempo, acreditei e desde 2019 vejo toda essa esperança se esvair com o vento...

2020.09.24 03:37 marciliwu Uma vez Tiririca disse "pior que tá não fica" e eu com meus poucos conhecimentos de economia e política, no tempo, acreditei e desde 2019 vejo toda essa esperança se esvair com o vento...

Grandes credores internacionais como Rússia e China estão considerando vender títulos do tesouro Estadunidense. Por isso os EUA está imprimindo trilhões para pagar a dívida pública, sustentar o PIB e mantêr a taxa de juros baixa, no entanto... A dívida pública mesmo assim prossegue aumentando exponencialmente e não tem previsão para normalizar ( isso desde antes da pandemia )... basta buscar por gráficos no Google.
https://www.japantimes.co.jp/news/2020/08/21/business/china-us-debt-trade/
https://www.cnbc.com/2020/05/22/central-banks-are-creating-fake-markets-bank-of-america-strategists-say.html
https://nymag.com/intelligence2020/05/were-paying-for-coronavirus-stimulus-by-printing-money.html repare a necessidade de destacar na notícia "That's fine!!" "Está tudo bem!" )
Desde o começo da pandemia, os bancos centrais norte-americanos vêm manipulando os preços no mercado de ações, acredito que seja para fazer com que as pessoas acreditem que a economia não será afetada por causa da ocasião no longo prazo e para fornecer aporte financeiro para as grandes companhias ( as que estão no índice S&P 500, as 500 maiores ) que não apresentaram bons resultados por consequência da pandemia, isso se chama bailout, o problema é que não vemos nenhuma medida concreta além de imprimir dinheiro sendo discutida, o presidente da reserva federal estadunidense disse semana passada que continuarão imprimindo dinheiro. E o pior é que o governo norte-americano acumula essa bomba relógio desde após a crise de 2008 ( essa foi a maneira de sustentar a economia durante e após a crise ), Vocês acham que estão cobrando impostos absurdos sobre o pequeno empreendedor e regulamentando cada vez mais o mercado por quê mesmo? Estão tirando dinheiro de tudo quanto é canto para sustentar os ativos. Tanto é que está mais fácil ser jovem empreendedor na China socialista do que nos Estados Unidos supostamente capitalista... olha que sou um entusiasta do capitalismo, Agora vamos ser sensatos ... O que isso faz com o resto da economia? Isso destrói o poder aquisitivo, porquê controla a inflação às custas dos menos capazes de pagá-la e destrói também o conceito de livre mercado no qual essa nação se desenvolveu ( livre pra quem se o governo interfere mais que a Peppa faz oink, sério não consegui pensar em outra analogia e to com sono kkkkkk ). O que acontecerá se os Estados Unidos ficar sem munição? Taxa de juros aumenta catastróficamente, investimentos serão desincentivados, governo precisa de dinheiro, hiperinflação... E consequentemente dólar se transforma em um papel sem valor, porque as dívidas não foram cobertas e nenhuma outra grande economia vai observar a moeda da mesma maneira... por isso digo que é uma bomba-relógio E o pior é que quando isso acontece quem paga é a população #tbtcollor
A economia não é formada só pelos grandes, por isso acho que uma hora ou outra essa bolha irá estourar e será como a depressão de 29. O mercado não está sendo movido por fundamentos de mercado, é pura manipulação / especulação / fraude. É conhecimento comum que todo remédio para as crises cíclicas do sistema se torna um veneno para o mercado no futuro, foi isso que aconteceu em 2008 em 29... Eu já citei que estão imprimindo dinheiro para pagar a dívida externa ( caso parem de fazer isso fudeu Bahia, todo mundo vendendo suas ações, estado de calamidade total, porque a dívida externa dos Estados Unidos é a mais alta do mundo, é como se cada americano devesse uns 200k pro estado, não sei o número exato porque a última estatística disso saíu em 2019, e tava 22 trilhões de Trumps ) E credores internacionais importantes ( $$ ) estão no momento pessimistas quando o assunto é dólar.
E temos Bolsonaro e Guedes para lidar com os impactos disso no Brasil...
Edit1: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_d%C3%ADvida_externa
Repare no valor da dívida pública Estadunidense, isso em fev. 2019 quando estavam todos otimistas para o começo da década.
Edit2: https://www.economist.com/leaders/2020/06/04/dont-worry-about-inflation-yet ( não se preocupe com a inflação... ainda )
Edit4: eu nem precisei citar as taxas de desemprego em alta para ganhar relevância no post, era muito fácil empreender nos Estados Unidos dos anos 50 por exemplo, tinha pouca regulamentação, as políticas acreditavam no futuro do livre mercado, não é à toa que as maiores multinacionais do mundo surgiram justamente de lá... antigamente, para montar um empreendimento bastava contratar uma pessoa e avaliar o mercado consumidor, hoje em dia é tanta burocracia ( imposto governamental, regulamentações ) que fica muito caro pro patrão, por isso empresas como Apple concentram 30% de sua manufatura na China, é mais barato.
https://fee.org/articles/why-businessmen-fail-at-government/
Rondeei por muitos reddits gringos e a situação por esses locais está feia, muitos empresários dizem que tiveram que demitir mais de metade dos funcionários devido a pandemia, muita gente com ideias apocalípticas como estocar comida, armas. Isso é novidade por aqui porque nossa população é muito desconhecida de economia e finanças ( 0,29% de nossa população investe ) mas por lá muita gente já tem noção disso, muitos acreditam num crash da bolsa, é um tópico até que bastante discutido em fóruns de economia e política, recomendo quem tem conhecimento sobre a língua inglesa pesquisar isso.
Edit5: achei outro artigo muuuuito bom que corresponde diretamente com muito do que eu disse.
https://foreignpolicy.com/2019/04/05/in-trumps-economy-the-invisible-hand-belongs-to-the-government/
Para enriquecer a discussão, aqui vai um comentário de um americano aleatório que encontrei na internet traduzido, mas que pode ser muito útil para o entendimento de vossa comunidade
"Donald Trump é um defensor do mercado livre? Se Trump fosse um defensor do mercado livre, ele não teria imposto unilateralmente tarifas sobre produtos específicos. Ele não estaria resgatando agricultores prejudicados por suas tarifas. Ele não teria mantido a proibição de o governo negociar com as empresas farmacêuticas por melhores taxas ( review meu: Sistema de saúde norte americano, que era a única coisa que tinha que ser pública, é tão privatizado que as agências de seguro, médicos e farmacêuticos formam lobbies e são livres para controlar o preço como preferirem, tanto de remédios como de exames e consultas, qualquer ida ao médico, essas melhores taxas seriam preços mais acessíveis pelos remédios ). Continuando o comentário from my fellow American... Caramba, se ele fosse um verdadeiro defensor do mercado livre, ele teria alugado para qualquer um, em vez de colocar os negros na linha vermelha na década de 1970. Ele teria pago os milhares de empreiteiros que o processaram, em vez de processá-los, o que ele fez dos anos 1980 aos 2010. Trump é apenas um proponente do Mercado “Me” ( Eu ) - aquele lugar mágico onde tudo é para seu próprio benefício e todos podem morrer, a menos que ele lhes deva favores. Trump, um defensor do mercado livre ... em seguida, você vai me dizer que ele odeia Vladimir Putin, o homem que ele conheceu cinco vezes a portas fechadas e notas rasgadas para proteger."
Edit6: pulei o edit3 😂😂
Edit7: fodase essa merda o bagulho vai ficar louco daqui pra frente é isso aí tmj boa sorte galera TRUMP / BOLSONARO VÃO TOMAR NO CU
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2020.09.08 19:39 Malarazz Resultados do censo do /r/futebol 2020

Introdução
Primeiramente, obrigado a todos que responderam o censo! Tivemos 371 respostas esse ano, comparado com 68 em 2018.
Essa thread vai ser enorme. Nela, vou descrever e comentar sobre as estatísticas mais interessantes de cada uma das perguntas, principalmente respectivas aos 13 clubes grandes do Brasil. Quem preferir visualizar sozinho de maneira mais completa pelo google forms, aqui está o link do censo. Já quem gostaria de comparar com o último censo de 2,5 anos atrás, aqui está ele. Lembre-se que o censo foi separado em 4 categorias. Sinta-se à vontade pra pular pra categoria mais interessante (na minha opinião a 3) se não quiser ou não aguentar ler tudo. As perguntas estão numeradas e na mesma ordem que estavam no censo, então vocês também podem pular pra discussão das perguntas que acham mais interessantes.
Parte 1: Perguntas Demográficas
1) Aonde você nasceu? -- De 2018 pra cá, o subreddit ficou bem mais diversificado com esse quesito. Apesar de São Paulo continuar liderando, proporcionalmente o estado caiu muito. 76 (21%) dos usuários nasceram lá, enquanto que 22 (32%) ano passado. Rio Grande do Sul vem em segundo e Rio de Janeiro em terceiro, com 67 e 55 membros respectivamente (18% e 15%).
Curiosamente, apesar de ter metade da população e um futebol menos tradicional, o Paraná tem mais usuários do que Minas Gerais: 34 vs 25 (9% vs 7%). Outro fato bastante curioso são os estrangeiros. Os 4 portugueses nós já esperávamos, até por causa do Jorge Jesus. Mas além deles, 2 usuários nasceram em outro país da América do Sul, 3 na América do Norte, 2 em outro país da Europa, e 1 na Ásia, pra um total de 12 (3%) usuários que são estrangeiros. A proporção esse ano ficou parecida com a do censo passado, quando 2 (3%) dos usuários nasceram fora do Brasil. Fico muito curioso pra saber da vida desses usuários: se vêm de pais brasileiros ou simplesmente falam português e gostam da cultura e/ou futebol brasileiro.
2) Aonde você mora? -- Ranking muito parecido com o de nascimento, porém claro, com mais usuários morando no exterior do que nascendo lá. 30 (8%) usuários moram no exterior, sendo 13 (43% deles) na América do Norte. Essa proporção foi um pouco menor que os 9% de 2018.
3) Qual é o seu gênero -- 8 (2%) usuários são mulheres, enquanto em 2018 eram 2 (3%). Nenhuma surpresa aqui, quando combinamos duas coisas extremamente masculinas (futebol, e reddit para brasileiros).
4) Qual é sua cor ou raça? -- Similar ao censo do /brasil que agora perdi o link, 275 (75%) dos usuários são brancos, 70 (19%) pardos, 12 (3%) negros, 6 (2%) asiáticos, 2 (1%) árabes e 1 indígena. Tanto aqui quanto no gênero a gente vê que a população do /futebol não é nem um pouco representativa da população brasileira em geral.
5) Qual é sua idade? -- Semelhante ao censo passado, a faixa etária mais comum é 23 a 27 anos com 138 (37%) usuários. Em seguida vem 18 a 22 anos com 114 (31%), 28 a 32 anos com 66 (18%) e menos de 18 anos com 25 (7%). Os 2 (1%) usuários mais velhos têm entre 43 a 47 anos.
6) Qual é o seu grau de escolaridade? -- 159 (43%) usuários atualmente cursam o ensino superior. 77 (21%) têm graduação completa, 33 (9%) estão cursando pós-graduação, e 32 (9%) têm pós-graduação completa. Acho que seria bom ter separado mestrado e doutorado nessa questão. Talvez seja uma ideia interessante pro próximo censo.
7) Se você cursou ou está cursando o Ensino Superior, qual é sua área de formação? -- Dos 307 respondentes, 64 (21%) fazem ou fizeram Engenharia, 58 (19%) ciências sociais ou humanas, 47 (15%) ciência da computação ou similares, 35 (11%) administração e negócios e 34 (11%) direito. Essa é um pergunta complicada de analizar porque muitas pessoas escreveram "Other: xx" quando talvez se encaixava numa das opções dadas.
8) Qual é sua situação no mercado de trabalho? -- 146 (40%) usuários apenas estudam, enquanto 94 (26%) estudam e trabalham, 91 (25%) só trabalham e 34 (9%) estão desempregado.
9) Qual é seu status de relacionamento? -- Confirmando um estereótipo do reddit, 256 (69%) usuários estão solteiros. 79 (21%) em um relacionamento estável, 26 (7%) casados e 7 (2%) noivos. Me pergunto qual as porcentagens pra população brasileira em geral pra essa faixa etária. PS: não leiam as respostas manuais.
10) Há quanto tempo você usa o reddit? -- 89 (24%) usuários usam o reddit há mais de 5 anos, enquanto 69 (19%) usam há entre 1 e 2 anos. Apenas 41 (11%) usam há menos de 1 ano, sendo 17 desses (41% dos 41) há menos de 6 meses.
Parte 2: Futebol Como Passatempo
11) Há quanto tempo você acompanha o /futebol? -- Curiosamente, ao contrário da última pergunta, a maioria dos usuários são novos no pedaço. 133 (36%) entre 1 e 2 anos, 90 (24%) entre 6 meses e 1 ano e 73 (20%) há menos de 6 meses. Apenas 39 (11%) estão aqui há mais de 3 anos.
12) Que tipo de usuário você é? -- Aqui a gente vê algo que já é conhecido no reddit afora. A regra de Pareto, 80% do conteúdo é criado por 20% dos usuários.
228 (62%) usuários lêem as threads e/ou comentários mas raramente fazem o próprio, enquanto que 110 (30%) escrevem comentários mas raramente criam threads. Sobram apenas 30 (8%) que criam threads com certa frequência.
13) Como você descobriu o /futebol? -- Essa foi uma das questões mais surpreendentes pra mim. 207 (56%) usuários descobriram o /futebol no /brasil ou em outro lugar do reddit, enquanto que 148 (40%) simplesmente digitaram futebol no reddit torcendo pra existir. Apenas 7 (2%) vieram aqui por indicação de um amigo, enquanto que só 3 (1%) acharam o /futebol pelo google.
Para os veteranos que lembram do golpe ano passado, imagina se a gente tivesse migrado pro /FutebolBR? Ia perder um monte do fluxo de novos usuários.
14) Quantas partidas você costuma assistir por semana? -- 181 (49%) usuários assistem futebol 1 ou 2 vezes por semana, enquanto que 104 (28%) assistem 3 ou 4 vezes por semana e 33 (9%) assistem entre 1 vez por mês e 1 vez por semana. Apenas 19 (5%) usuários assistem 7 vezes ou mais por semana, enquanto que só 6 (2%) nunca ou quase nunca assistem. Uma ideia pro próximo censo seria separar as opções por 1, 2, 3, etc. invés de "1 ou 2".
15) Como você mais costuma assistir as partidas em casa? -- 159 (43%) costumam assistir por streaming, enquanto que 90 (24%) pelo premiere, 63 (17%) por TV a cabo sem ser premiere e 45 (12%) por TV aberta.
16) Você assistiu a quantas partidas no estádio em 2019? -- 178 (48%) usuários não assistiu nenhuma partida no estádio em 2019, o que eu achei bem curioso. 84 (23%) assistiram a 1 uma 2 partidas e 37 (10%) assistiram a 3 ou 4 partidas. Surpreendemente, 40 (11%) assistiram a 9 ou mais partidas ano passado.
17) Você costuma assistir partidas sem ser nem seu time nem seu rival jogando? -- Essa foi uma pergunta meio confusa que acho que precisa ser reformulada no próximo censo. Só não sei pra o que. Ainda assim, 188 (51%) usuários costumam assistir apenas jogo importante, enquanto que 138 (37%) aceitam assistir qualquer tipo de partida mesmo sem ser importante ou do seu time. 34 (9%) não costumam assistir partidas sem ser nem seu time nem seu rival jogando.
18) Você acompanha as ligas nacionais de quais países? (Selecione todas que acompanhar) -- 321 (87%) acompanham o Brasileirão, 231 (63%) a inglesa, 135 (37%) a espanhola e 100 (27%) a alemã. Apenas 57 (15%) acompanham a liga francesa do Neymar, e só 22 (6%) não acompanha nenhuma liga.
Há algumas diferenças interessantes perante ao censo passado. O Brasileirão caiu por 12% (67 ou 99% dos usuários em 2018) e a francesa caiu por 40% (17 ou 25% dos usuários em 2018), enquanto a alemã aumentou em 69% (11 ou 16% dos usuários em 2018). Interessante também os usuários que acompanham as ligas do Japão, da Austrália e da Nova Zelândia.
19) Você costuma assistir campeonatos estaduais? Se sim, quantos jogos? -- 187 (51%) usuários assistem vários jogos, inclusive contra times menores, enquanto que 118 (32%) assistem apenas jogos importantes e 59 (16%) raramente ou nunca assistem, ou só assistem só a final.
20) Se você acompanha campeonatos estaduais, você acompanha os de quais estados? (Selecione todos que acompanhar) -- Pra surpresa de ninguém, o Paulistão é o estadual mais badalado com 191 (55%) usuários acompanhando. Porém, apesar de termos mais gaúchos do que cariocas, o Campeonato Carioca ganha audiência de 162 (47%) usuários enquanto que o Gauchão apenas 106 (31%). Faz sentido, pois tem muita gente de outros estados que torcem pra times cariocas, e também porque simplesmente é um estadual mais competitivo.
Talvez por motivos parecidos, 49 (14%) usuários acompanham o Campeonato Mineiro enquanto que só 28 (8%) acompanham o Paranaense. Apenas 4 estados, Acre, Alagoas, Piauí e Roraima têm seus estaduais completamente ignorados pelo /futebol. Os resultados são parecidos com 2018, porém na época haviam 10 estados com 0 espectadores.
21) Como você acha que devem mudar os estaduais? (Tente selecionar a opção mais próxima da sua ideia) -- Chegamos à primeira pergunta suculenta e polêmica do censo. Apesar de eu ter pedido pra selecionarem uma das opções, muita gente quis detalhar sua ideia, o que efetivamente vira um voto nulo pro censo. Mas tudo bem.
119 (categoria A, 32%) usuários acham que o formato atual tá bom como tá ou deve apenas ser levemente reduzido, enquanto que 89 (categoria B, 24%) acham que times grandes devem entrar direto no mata-mata e 145 (categoria C, 40%) acham que times grandes devem parar de disputar estaduais.
Algo interessante que já era de se esperar foi a correlação entre a frequência que a pessoa assiste estaduais e sua opinião sobre o atual formato. Dos 159 usuários que assistem vários jogos, 43% tem opinião na categoria A, 16% na B e 41% na C. Dos 127 usuários que assistem apenas jogos importantes e/ou clássicos, 27% pertencem à categoria A, 35% à B e 38% à C. Dos 54 usuários que raramente ou nunca assitem, 29% pertencem à categoria A, 17% na B e 54% na C. Nos números deste parágrafo foram ignorados os usuários que “votaram nulo” no censo.
Apesar de fazer sentido na minha cabeça, não pôde ser visto uma correlação entre o entusiasmo do usuário sobre futebol e sua opinião sobre o formato de estaduais (i.e. usuários que assistem 2 ou menos partidas de futebol por semana vs usuários que assistem 3 ou mais partidas por semana).
22) Enquanto continuar existindo estaduais no formato atual, você acha que clubes grandes deveriam disputar com força máxima ou com reservas/sub-23? -- Semelhante à última pergunta, 179 (49%) usuários querem força máxima em clássicos e decisões e sub-23 nos demais, 150 (41%) querem sub-23 sempre e apenas 33 (9%) querem força máxima sempre.
23) Antes da pandemia, você jogava futebol? -- 202 (55%) usuários não costumavam jogar. Até que faz sentido pela demografia (ou estereótipo) do reddit. 61 (17%) usuários jogavam menos de 1 vez por mês, enquanto 45 (12%) 1 vez por semana. Apenas 8 (2%) jogavam 3 vezes por semana ou mais.
24) Você costuma assistir futebol feminino? -- 249 (68%) usuários não assistem, enquanto que 101 (28%) assistem às vezes e apenas 12 (3%) assistem com certa frequência. Além disso, 4 usuários escreveram "somente olimpiadas ou copa do mundo".
25) Além do futebol, qual outro esporte você costuma assistir? (Selecione todos que assistir) -- Esse foi talvez o meu maior erro no censo. O Ayrton Senna tá se revirando no caixão, tadinho. Eu esqueci de incluir Fórmula 1! Num censo pra brasileiros! O esporte que eu vejo meu vô assistir todo domingo! Esqueci o Tênis tambem mas no Brasil esse é esquecível, azar. Em minha defesa eu ainda dei um google "esportes mais assistidos no brasil", mas só apareceu um monte de artigo sobre os esportes mais praticados.
Anyway, essa pergunta me surpreendeu um monte. O grande líder foi e-sports com 143 (39%) usuários dando audiência. Basquete veio em segundo com 131 (36%) e futebol americano em terceiro com 95 (26%), enquanto que 86 (24%) usuários só assistem futebol. Me surpreendeu também que os esportes que eu achava populares no Brasil, luta e vôlei, só tem 56 (15%) e 46 (13%) usuários assistindo, respectivamente. E o futsal que é o mais parecido com o futebol só tem 28 (8%) espectadores. Curiosamente, temos um usuário que assiste xadrez, um curling e um punhobol. Não me pergunta o que é isso. Also, tivemos 4 usuários que selecionaram tanto um esporte quanto “nenhum, só o futebol.” 🔔🔔 Shame 🔔🔔 Shame 🔔🔔 Shame 🔔🔔.
No próximo censo, além de acrescentar Fórmula 1, acho que seria uma boa ideia separar e-sports em CS, LoL, DotA e FIFA/PES. Não sei se esses são o top 5 ou tem mais.
Parte 3: Futebol Como Paixão
26) Qual é o principal clube pro qual você torce? -- Essa pergunta foi bem interessante. Era óbvio que o Flamengo iria ganhar, por ter a maior torcida e tar em ótima fase. 71 (19%) tem o Flamengo como time principal. Mas a grande surpresa pra mim foi o Grêmio aparecer em segundo com 49 (13%), atropelando o Corinthians com seus 35 (10%). Tu pode pensar “faz sentido porque muita gente coloca o Corinthians como segundo time”, mas não, apenas 1 usuário colocou, enquanto 2 colocaram o Grêmio.
Fora isso, temos Inter e São Paulo empatados com 33 (9%), Palmeiras com 24 (7%) e Vasco com 20 (5%). O Atlético-MG com 15 (4%) tem quase o dobro que o Cruzeiro com 8 (2%). Isso pode ser um sintoma da fase horrível do Cruzeiro.
27) Aproximadamente o quão longe você mora do estádio do seu time? -- Outra surpresa, 114 (31%) usuários moram a mais de 500km do estádio do seu time. Apenas 77 (21%) moram a menos de 10km, enquanto que 60 (16%) moram entre 10km e 30km e 38 (10%) moram entre 30km e 100km.
28) Você se considera torcedor de dois clubes brasileiros? -- E aqui temos outra pergunta polêmica, que quer saber não apenas sim ou não como tambem tua opinião. Nessa, a descrição vai ser longa. Daqui em diante vou chamar os usuários que responderam sim de “bitorcedores.”
Superficialmente, apenas 59 (16%) usuários torcem pra dois clubes. 145 (39%) não mas respeitam, 72 (20%) não e nem tem opinião e 91 (25%) não e acham um absurdo. Mas a gente não vai parar na superfície.
Acho que todos nós esperávamos que o Flamengo seria o clube mais popular entre os bitorcedores. E de fato ele foi. Mas eu esperava que seria por uma diferença muito mais gritante. Apenas 12 dos 56 (21%) bitorcedores torcem pro Flamengo. Em segundo lugar vem o São Paulo com 9 (16%), e em seguida, de maneira surpreendemente, Grêmio e Inter empatados com o Corinthians com 7 torcedores cada (13%). Por outro lado, 2 (4%) bitorcedores torcem pro Santos, e 1 (2%) pra cada um de Cruzeiro e Atlético-MG. Segue a tabela completa mais pra baixo, mas antes disso deixa eu explicar ela melhor.
Comparando a quantidade de bitorcedores com o total de torcedores pra cada clube, vemos que a grande maioria (8 dos 13) tem entre 13% e 19% da sua torcida torcendo pra um segundo clube. A maior proporção foi do Athletico, onde 3 dos 11 (27%) torcedores torcem pra um segundo clube. Já as menores foram do Botafogo (0 dos 5) e Atlético-MG (1 dos 16, 6%). São Paulo tem 9 dos seus 38 (24%) torcedores torcendo pra outro time, enquanto o Santos tem 2 dos 8 (25%). Note que o Flamengo, alvo desse stigma, tem uma proporção normal, considerando que 12 dos seus 71 (16%) torcedores torcem pra um segundo time.
Por último, vemos a proporção de usuários por clube que acha um absurdo torcer pra 2 times. O Atlético-MG foi disparado o clube mais intolerante, onde 11 dos seus 16 (69%) torcedores acham um absurdo uma pessoa ter dois clubes do coração. Já o Athletico tem 5 dos seus 11 (45%) torcedores pensando dessa forma, enquanto o Flamengo tem 7 dos 76 (9%) e o São Paulo 3 dos 38 (8%) achando um absurdo torcer pra dois times. A tabela completa com toda essa informação para os 13 grandes aparece abaixo.
Time X Dos usuários que torcem pra 2 times, o número que torce pro time X Dos usuários que torcem pra 2 times, a % que torce pro time X Dos torcedores do time X, a % que torce pra 2 times Dos torcedores do time X, o número que acha um absurdo Dos torcedores do time X, a % que acha um absurdo Número total de torcedores do time X
Athletico 3 5% 27% 5 45% 11
Atlético-MG 1 2% 6% 11 69% 16
Botafogo 0 0% 0% 0 0% 5
Corinthians 7 13% 19% 8 22% 36
Cruzeiro 1 2% 13% 3 38% 8
Flamengo 12 21% 16% 7 9% 76
Fluminense 2 4% 17% 3 25% 12
Grêmio 7 13% 14% 17 33% 51
Inter 7 13% 19% 12 33% 36
Palmeiras 5 9% 19% 3 12% 26
Santos 2 4% 25% 1 13% 8
São Paulo 9 16% 24% 3 8% 38
Vasco 4 7% 16% 7 28% 25
29) Qual é o segundo clube (aquele que fica geograficamente mais longe de você) pro qual você torce? -- Essa pergunta ficou meio confusa porque usuários organizaram de forma diferente o primeiro e o segundo clube. Não sei como reformular ela no próximo censo. Talvez “qual é o segundo clube (aquele que for “maior”) pro qual você torce”?
De qualquer forma, as estatísticas interessantes já aparecem na última pergunta. Aqui, vemos que 275 (77%) usuários não têm segundo clube, enquanto 5 (1%) torcem pra cada um de Flamengo, Vasco, São Paulo e por incrível que pareça, Paysandu. Curiosamente, 3 (1%) escolheram o Milan.
30) Fora o maior rival, qual clube você mais quer ver perder? -- Outra pergunta suculenta sugerida por algum usuário aqui há muito tempo atrás. Essa também vai ter uma discussão enorme, então botem o cinto gurizada.
Superficialmente, pra surpresa de pouca gente, nós vemos o Flamengo sendo o clube mais desprezado do Brasil, com 96 (26%) usuários querendo vê-los perder. Curiosamente, isso é muito maior do que a quantidade de usuários que apenas querem o mal pro rival (60, 16%) e que não querem o mal pra ninguém (36, 10%). O Corinthians é claro vem em segundo com 60 (16%). Palmeiras tem 38 haters (10%) e São Paulo 14 (4%). Pra minha surpresa, apesar de todas suas falcatruas, Cruzeiro tem apenas 11 (3%) e Fluminense só 8 (2%). Meu tio sempre teve a opinião de que o pessoal fora do RS não gosta do Grêmio por considerar ele um time argentino, mas não vemos isso aqui. 0 usuários escolheram ele, enquanto apenas 2 (um torcedor do Caxias e outro do Grêmio) desprezam o Inter.
Mas podemos ir mais fundo. Primeiramente, tal como ilustrado acima, houve muitos usuários que selecionaram o nome do seu rival invés de selecionar “Apenas quero o mal pro meu rival.” Talvez fosse melhor reformular essa pergunta pra “qual clube de outro estado você mais quer ver perder.” Enfim, pra diminuir esse problema com os dados, eu editei cada usuário que escolheu o nome do seu rival para “apenas quero o mal pro meu rival.” Clubes gaúchos, mineiros e paraenses foram fáceis. Para os cariocas, eu considerei o Flamengo como rival de todos os outros três grandes, enquanto que o Vasco e Fluminense são simultaneamente rivais do Flamengo, mas o Botafogo não. Já em SP, o Corinthians, São Paulo e Palmeiras são simultaneamente rivais um do outro, enquanto o Santos ficou sem rival.
Levando em consideração apenas torcidas de tamanho médio (4 ou mais), sobram 351 usuários. As maiores diferenças são no Palmeiras e São Paulo. O primeiro caiu para 27 (8%) usuários que o desprezam, enquanto que o São Paulo caiu para 4 (1%).
Os clubes que mais desprezam o Flamengo são o Santos (6 dos 8, 75%), Atlético-MG (10 dos 15, 67%), e Palmeiras (14 dos 24, 58%). O único clube com muitos torcedores (10 ou mais) que não quer ver o Flamengo perder mais que todos os outros foi o Inter. 8 dos 31 (26%) colorados desprezam o Flamengo, enquanto que 17 (55%) despreza o Corinthians. Isso faz sentido, porque o Corinthians “roubou” um Brasileirão em 2005 enquanto o Flamengo meteu 5 a 0 no Grêmio ano passado.
Dos clubes com poucos torcedores, Ceará (0 dos 5) e Santos (0 dos 8) são os com mais desgosto no coração (0 torcedores “não querem o mal pra ninguém”), enquanto que Cruzeiro é o mais pacífico (3 dos 7, 43%). Dos clubes com muitos torcedores, Atlético-MG (0 dos 15), Athletico-PR (0 dos 11) e Inter (1 dos 31, 3%) são os com maior antipatia por outros clubes, enquanto que o São Paulo (4 dos 37, 11%) é o mais pacífico.
Segue a tabela completa para quem quiser ver. Para ler a tabela: 20% dos 15 torcedores do Atlético-MG, por exemplo, querem o mal apenas pro seu rival, 7% pra cada um de Corinthians e Fluminense e 67% pro Flamengo.
31) Fora o(s) seu(s) clube(s) do coração, com qual clube você mais simpatiza? -- Uma pergunta um pouco diferente da de dois torcedores. Temos usuários que torcem pra dois times e simpatizam com um terceiro. Temos usuários que torcem só pra um time mas simpatizam com outro. E temos usuários que não simpatizam com nenhum - especificamente, 103 (28%).
Dos times com simpatizantes, pra minha surpresa, a Chape ficou apenas em segundo com 22 (6%) usuários. O time mais simpático do /futebol é o Vasco com 26 (7%). O Bahia fecha o pódio com 19 (5%). Fora isso, podemos ver algumas curiosidades ao analizar mais profundamente.
Dos 86 torcedores da dupla grenal, 3 (3%) deles simpatizam com o arquirival, enquanto que 1 vai mais longe e considera o arquirival seu segundo time. Curiosamente, essa pessoa mora em Porto Alegre ou região (i.e., a menos de 10km do estádio). Nenhum dos 24 Cruzeirenses e Atleticanos torce ou sequer simpatiza com o rival. Nenhum dos 20 Coritibanos e Athleticanos torce ou sequer simpatiza com o rival. Dos 5 torcedores do Botafogo, 1 (20%) simpatiza com o Fluminense, enquanto que dos 76 torcedores do Flamengo, 1 simpatiza com o Botafogo. Curiosamente, 2 (3%) torcedores do Flamengo e 1 dos 25 (4%) torcedores do Vasco desprezam o Botafogo acima de todos os outros. Dos 38 torcedores do São Paulo, 3 (8%) simpatizam com o Santos, enquanto que dos 36 torcedores do Corinthians, 1 (3%) simpatiza com o Santos.
32) Você participa de alguma torcida organizada? -- Gostei dessa pergunta. E até fiquei surpreso com os resultados. Temos 9 (2%) usuários do sub que atualmente participam de uma torcida organizada. Além disso, temos 2 (1%) usuários que já participaram delas. Um falou que parou por “questões de tempo, responsabilidades e etc.” enquanto o outro comentou “acho que são importantes no estádio, mas a estrutura e cultura delas é lamentável” (eu gostaria de ouvir mais sobre isso).
Fora isso, 182 (49%) usuários responderam “não, e sou indiferente,” 93 (25%) “não, mas apoio elas,” 59 (16%) “não, e odeio elas” e 20 (5%) “não, mas tenho amigos que participam.” Dos usuários que escreveram sua propria resposta, um colocou “gosto da festa e não gosto da briga,” outro “não, mas sei que a maioria dos seus integrantes não são bandidos infiltrados,” mais um “não, e acho que as vezes atrapalham o futebol, porém algumas fazem um trabalho fenomenal (Fortaleza),” e por último “não participo, gosto da festa que fazem, mas são problemáticas na questão da violência.”
Parte 4: Futebol Como Profissão
33) Você já tentou seriamente virar jogador de futebol profissional? -- Uma pergunta interessante que eu não tinha muitas esperanças de receber um “sim”, mas ainda assim recebemos. 1 usuário conseguiu enquanto 24 (7%) tentaram mas não conseguiram. Outros 22 (6%) tiveram parentes que conseguiram. 318 (86%) simplesmente nunca tentaram.
Outra coisa interessante foram as respostas manuais. Um usuário escreveu “joguei em categorias de base mas nunca tive ambição,” outro “jogo nas categorias sub 17,” e o meu favorito, “não, mas tive um ex-colega que treinou no Internacional e teve chance de ir para o Real Madrid, mas foi tonto e perdeu a chance porque não quis ficar longe da família.” Imagina se o Messi tivesse pensado dessa forma. Imagina se tivesse alguém com ainda mais talento que o Messi mas que pensou dessa forma e o talento nunca floresceu. Perguntas interessantes.
34) Você já tentou ganhar a vida do futebol sem ser jogador, pelo menos por um tempo? Se sim, como? -- Pergunta parecida com a anterior, porém mais ampla. Ainda assim, não gostei dela. Ela teria que separar “tentei e não consegui” de “tentei e consegui,” e talvez “tentei, consegui, e continuo conseguindo.” Mas não tenho nem ideia qual o melhor jeito de fazer isso.
De qualquer forma, 344 (93%) usuários nunca tentaram. Dos 26 que tentaram, 10 (38%) foram como apostador, 5 (19%) como jornalista, 2 (8%) como técnico, 1 (4%) como dirigente e 1 como narrador. Nenhum usuário selecionou Youtuber da lista, mas um escreveu “além de Youtuber, também planejo ser Técnico ou Preparador.” Além disso, um usuário escreveu que já estagiou em medicina do esporte no Athletico, outro “Quadra de Futebol Society,” mais um “Faltou e-Sports aí na lista,” enquanto outro afirmou ser diretor do Criciúma!
Conclusão
Então é isso. Termina mais um censo do /futebol. Espero que vocês tenham achado interessante. Mas lembrem-se que não dá pra extrapolar muito os dados desse censo, e que a população do /futebol não é nada representativa da população de torcedores brasileiros de futebol. Agora pra sair outro censo acho que talvez só em 2022, então aproveitem esse.
submitted by Malarazz to futebol [link] [comments]


2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.07.04 00:54 altovaliriano Grande Walder matou Pequeno Walder

Em A Dança dos Dragões, em meio às mortes misteriosas em Winterfell, ocorre uma que parece estar fora das expectativas:
As portas do Grande Salão se abriram com estrondo.
Um vento frio entrou rodopiando, e uma nuvem de cristais de gelo brilhou azul e branca no ar. Através dela veio Sor Hosteen Frey, endurecido até a cintura pela neve, um corpo nos braços. Em todos os bancos, homens baixaram seus copos e colheres para ver boquiabertos o macabro espetáculo. O salão ficou em silêncio.
Outro assassinato.
A neve escorregava do manto de Sor Hosteen, enquanto ele caminhava em direção à mesa principal, seus passos ressoando contra o chão. Uma dúzia de cavaleiros Frey e homens em armas entraram atrás dele. Um era um garoto que Theon conhecia; Grande Walder, o pequeno, cara de raposa e magro como um palito. Seu peito, braços e manto estavam salpicados de sangue.
O cheiro daquilo agitou os cavalos. Os cães saíram debaixo das mesas, farejando. Homens se ergueram dos bancos. O corpo nos braços de Sor Hosteen brilhava sob a luz das tochas, blindado em gelo rosado. O frio que fazia lá fora congelara seu sangue.
O filho de meu irmão Merrett. – Hosteen Frey colocou o corpo no chão, diante do estrado. – Massacrado como um porco e enfiado embaixo de um monte de neve. Um garoto.
Pequeno Walder, pensou Theon. O grande.
(ADWD, Theon)
Como se vê, o assassinato é apresentado com uma pompa ausente nas demais mortes. É claro que o garoto Frey tem um status diferentes dos homens de armas que vinham sendo assassinatos, porém as reações a sua morte também revelaram que algo fora da curva estava acontecendo.
As lavadeiras de Abel, que estavam provocando as mortes no castelo, assim reagem à censura nos olhos de Theon:
Olhou para Rowan. Há seis delas, lembrou. Qualquer uma pode ter feito isso. Mas a lavadeira sentiu seu olhar.
– Isso não é trabalho nosso – disse.
– Quieta – Abel a advertiu.
A situação no grande salão de Winterfell se desenrola para tornar a morte de Pequeno Walder Frey um crime de Wyman Manderly. Como Jared, Rhaegar e Symond Frey já haviam sumido depois de passarem por Porto Branco, não era difícil atribuir qualquer culpa a Lorde Wyman:
Lorde Ramsay desceu do estrado até o garoto morto. Seu pai se ergueu mais lentamente, olhos claros, encarando solene.
– Isso foi trabalho sujo. – Pela primeira vez, a voz de Roose Bolton estava alta o suficiente para ser ouvida. – Onde o corpo foi encontrado?
– Embaixo daquela fortaleza destruída, meu senhor – respondeu Grande Walder. –Aquela com as velhas gárgulas. – As luvas do menino estavam empastadas com o sangue do primo. – Eu disse para não sair sozinho, mas ele falou que tinha que encontrar um homem que lhe devia prata.
– Que homem? – Ramsay exigiu saber. – Dê-me seu nome. Aponte-o para mim, garoto, e eu lhe farei um manto com a pele dele.
– Ele nunca disse, meu senhor. Apenas que ganhou o dinheiro nos dados. – O garoto Frey hesitou. – Foram uns homens de Porto Branco que o ensinaram a jogar. Não sei dizer quais, mas foram eles.
– Meu senhor – trovejou Hosteen Frey. – Conhecemos o homem que fez isso. Matou este garoto e todos os demais. Não com suas mãos, não. É muito gordo e muito covarde para matar por conta própria. Mas por sua ordem. – Virou-se para Wyman Manderly. – Nega isso?
Manderly, contudo, não se deixa intimidar. Na verdade, o Lorde de Porto Branco não faz qualquer defesa para si ou para seus homens. Ignora a investigação totalmente e parte de vez para o ataque a Casa Frey, algo que não se sentiu à vontade para fazer nem mesmo quando estava em sua própria cidade.
O Senhor de Porto Branco mordeu uma linguiça no meio.
Confesso... – Limpou a gordura dos lábios com a manga. – ... confesso que conhecia pouco este pobre garoto. Era escudeiro de Lorde Ramsay, não era? Quantos anos tinha o rapaz.
Nove, no último dia de seu nome.
Tão jovem – disse Wyman Manderly. – Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey.
A seguir, Hosteen fere Wyman quase mortalmente e diversos homens de arma Frey e Manderly morrem em uma luta que é separada por lanceiros Bolton. Para evitar mais confrontos, Roose envia os Frey na vanguarda do ataque a Stannis na Vila dos Arrendatários eu assunto morre, sem que seja solucionada a morte de Pequeno Walder.
Muitos leitores já apontaram culpados. Desde o óbvio Lorde Manderly até o misterioso Fantasma de Winterfell. Alguns até mesmo acusaram Ramsay Bolton, alegando que ele imaginava que o garoto o estivesse espionando e que ele armou a cena para que Manderly levasse a culpa.
Entretanto, a teoria que se tornou mais famosa foi a que Pequeno Walder foi morto por seu próprio primo, Grande Walder, por um motivo torpe e fútil (especialmente para uma criança de nove anos), que servirá de prenúncio do futuro da Casa Frey.
Pequeno Walder e Grande Walder são primos enviados para serem criados em Winterfell como parte da aliança entre rei Robb Stark e lorde Walder Frey. Por serem crianças, comentários estúpidos são esperados, assim como que eles compartilhem os mesmo valores que os adultos com quem conviveram. No caso das Gêmeas, o lodaçal Frey de pessoas mesquinhas e egoístas encabeçado por lorde Walder.
Há várias exceções, claro. Freys são seres humanos, então há decentes e indecentes. Mas pelo que vimos através de Pequeno e Grande Walder, eles pareceram mais identificados com o último tipo. Especialmente, Grande Walder.
Com efeito, Grande Walder manifesta uma expertise e crueza muito singulares para uma criança quando o assunto é a ascensão ao poder:
Nós somos primos, não irmãos – acrescentou Grande Walder, o menor. – Eu sou Walder, filho de Jammos. Meu pai é filho de Lorde Walder e da sua quarta esposa. Ele é Walder, filho de Merrett. A avó dele era a terceira esposa de Lorde Walder, a Crakehall. Ele está na minha frente na linha de sucessão, apesar de eu ser mais velho.
Só por cinquenta e dois dias – retrucou Pequeno Walder. – E nenhum de nós jamais ficará com as Gêmeas, seu estúpido.
Eu ficarei – declarou Grande Walder.
(ACOK, Bran I)
Quando chegou a Winterfell a notícia da morte de Stevron Frey, tudo que os garotos conseguem pensar é na linha de sucessão, porém Grande Walder consegue ser mais frio do que seu primo:
[...] Isso significa que Sor Emmon é agora o herdeiro?
Não seja burro – o primo rebateu. – Os filhos do primogênito vêm antes do segundo filho. O seguinte na linha de sucessão é Sor Ryman, e depois Edwyn, e Walder Negro e Petyr Espinha. E depois Aegon, e todos os filhos dele.
Ryman também é velho – disse o Pequeno Walder. – Já passou dos quarenta, aposto. E tem uma barriga ruim. Acha que ele vai ser o senhor?
Eu serei o senhor. Não me interessa se ele é ou não.
(ACOK, Bran V)
Entretanto, falar é uma coisa, fazer é outra. Grande Walder teria coragem de matar seu primo no afã de herdar o título de Senhor da Travessia? Sim, e o que demonstra isso é justamente as dinâmicas de um jogo exatamente chamado “Senhor da Travessia” que os Frey trouxeram para Winterfell:
Para jogar, punha-se o tronco atravessando a água e um jogador ia para o meio com o bastão. Era o senhor da travessia, e, quando um dos outros jogadores se aproximava, ele tinha de dizer: “Eu sou o senhor da travessia, quem vem lá?”. E o outro jogador tinha de inventar um discurso sobre quem era e o motivo pelo qual devia ser autorizado a atravessar. O senhor podia obrigá-los a prestar juramento e a responder a perguntas. Não tinham de dizer a verdade, mas os juramentos deviam ser cumpridos, a não ser que incluíssem a palavra “talvez”. Portanto, o truque era dizer essa palavra sem que o senhor da travessia notasse. Então, podia-se tentar atirá-lo na água, e quem conseguisse passaria a ser o senhor da travessia, mas só se tivesse dito “talvez”. Caso contrário, ficaria fora do jogo. O senhor podia atirar qualquer um na água sempre que quisesse, e era o único que podia usar um bastão.
Na prática, o jogo parecia resumir-se a empurrões, pancadas e quedas na água, acompanhados de sonoras discussões sobre se alguém tinha ou não dito “talvez”. Normalmente, era o Pequeno Walder o senhor da travessia.
Dessa forma, os Walder eram educados por meio desse jogo disputarem o título de Senhor da Travessia à base da violência. Na dinâmica entre os primos, Grande Walder geralmente ocupava a posição de contestante, como se estivesse destinado a derrubar o primo em algum momento.
É notável como GRRM gasta mais tempo explicando as regras deste jogo do que qualquer outro nos livros. Parece que o escritor está querendo nos mostrar como a criação nas gêmeas favorece a competição, tirania e a traição como valores inerentes à Casa. Os jogadores tem que enfrentar desarmados os caprichos do “Senhor” armado e somente são autorizados a derrubá-lo uma vez que o tiverem enganado.
Este jogo está tão entranhado na cultura das Gêmeas que até o nonagenário Lorde Walder faz referência a ele quando Robb vem se arrastando após trair seu compromisso com a Casa Frey:
Tenho de tratar da travessia de meus homens para a outra margem, senhor – disse Robb.
Eles não se perderão – objetou Lorde Walder. – Já atravessaram uma vez, não foi? Quando vieram do norte. Quiseram atravessar, e eu concedi-lhes passagem, e você nunca disse talvez, heh. Mas faça o que quiser. Leve todos os homens pela mão, se assimentender, por mimtanto faz.
(ASOS, Catelyn VI)
Por outro lado, Grande Walder devia estar em crescente insatisfação por seu primo estar ganhando a comapnhia de Ramsay:
Pequeno Walder se tornara o favorito de Lorde Ramsay, e cada dia parecia mais com seu senhor, mas o menor dos Frey era feito de material diferente, e raramente tomava parte nos jogos e nas crueldades do primo.
(ADWD, Fedor III)
Esta semelhança crescente entre o Frey assassinado e Ramsay é um sinal de que a disputa entre os Frey poderia se tornar uma tragédia de família. Afinal, Ramsay é acusado de ter matado seu meio-irmão Domeric. Sendo assim, Grande Walder pode ter pensado em matar o primo para prevenir que este viesse a ameaçar sua posição.
E, de fato, Grande Walder demonstra trata o uso da violência com indiferença, inclusive quando são pessoas de seu próprio sangue que estão em questão. Como quando Theon-Fedor pergunta a ele por Rhaegar, Jared e Symond Frey:
Encontraram seus primos, meu senhor?
Não. Nunca achei que os encontraríamos. Estão mortos. Lorde Wyman os matou. Isso é o que eu teria feito se fosse ele.
(ADWD, Fedor III)
Por fim, as circunstâncias em que o corpo de Pequeno Walder é apresentado denunciam que há algo de errado na história contada por Grande Walder.
Hosteen Frey afirma que Pequeno Walder foi “massacrado como um porco e enfiado embaixo de um monte de neve”, portanto quem quer que tenha retirado o garoto do local onde foi achado deveria estar molhado de neve, mas não necessariamente de sangue.
E é isso que ocorreu a Hosteen, que é descrito como “endurecido até a cintura pela neve” e sendo visível que “neve escorregava” de seu manto.
A coisa é bem diferente com Grande Walder, cujas luvas “estavam empastadas com o sangue do primo”. É claro que alguém poderia arguir que ele estava com sangue do primo devido a ter encontrado o corpo primeiro debaixo da pilha de neve e teve contato com o ferimento antes de todos.
É dito que mesmo nos braços de Hosteen “o frio que fazia lá fora congelara” o sangue no ferimento do menino morto. Assim, se o garoto teve contato com o sangue congelado e saiu para chamar Hosteen para desenterrá-lo, é possível que fluído tenha derretido no meio tempo, ensopando suas luvas.
Contudo, é extremamente suspeito que “seu peito, braços e manto estavam salpicados de sangue”. Com o frio que fazia lá fora, era praticamente impensável que tanto sangue tivesse salpicado seu peito, braços e, especialmente seu manto.
Entretanto, por mais suspeito que isso seja, não chamou a atenção de ninguém presente. Talvez isso se deva ao fato de que os presentes estivessem muito concentrados em incriminar Lorde Wyman, que não prestaram a atenção a estes detalhes investigativos. Tudo aconteceu muito rápido e os humores já estavam exaltados desde o momento em que Hosteen entrou no recinto com o corpo.
Por outro lado, o fato de Hosteen não ter ligado os pontos quando teria visto Grande Walder todo ensaguentado, enquanto ele mesmo, que desenterrara o garoto, não tinha quase nenhum traço de sangue, provavelmente se deve ao fato de [SPOILERS de Ventos do Inverno]ele ser considerado estúpido, nas palavras de Stannis Baratheon.
De todo modo, o assassinato do Pequeno pelo Grande (do mais novo pelo mais velho, do mais alto pelo mais baixo) parece servir de prenúncio para como a cultura de concorrência da família Frey irá resultar em guerra civil nos próximos livros, todos jogando a versão Frey do jogo dos tronos.
E isto parece estar previsto por uma das rimas de Cara-Malhada, quando ele diz:
– Debaixo do mar, o peixe velho come o peixe novo. [...] Eu sei, eu sei, ei, ei, ei.
(ASOS, Davos V)
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2020.06.29 16:49 forceloco Vocês já leram o manifesto "A Sociedade Industrial e Seu Futuro"? Aquele mesmo. Escrito por Ted Kaczynski, o Unabomber. Sim, daquela série da Netflix.

Ainda não terminei de ler, mas é impressionante como, 24 anos atrás, o texto do terrorista faz mais sentido e descreve com quase absurda precisão alguns pontos de como a sociedade ocidental é hoje (e para onde caminha).
Nele, o autor explica, dentre outras coisas, como a "mente esquerdista" funciona. Porque odeiam a racionalidade, o ocidente e, principalmente, os EUA. Como o pensamento esquerdista, aliado à tecnologia, promove uma forte agenda de integração do homem ao sistema (não, não o sistema capitalista ou comunista). Como o esquerdista usa pautas vazias para forçar outros a aceitarem seus posicionamentos, como o "politicamente correto".
Os detalhes do texto, que tem pouco mais de 200 parágrafos, não são divulgados e explicados na série da Netflix, obviamente, mas estão disponíveis para consulta pública (como no arquivo do New York Times) e até mesmo em formato de livro.
12. Aqueles mais sensíveis à terminologia do "politicamente correto" não são os negros, asiáticos imigrantes, mulheres abusadas ou pessoas com deficiências físicas, mas uma minoria de ativistas, muitos dos quais não pertencem ao grupo "oprimido" mas vêm de uma casta privilegiada da sociedade.
13. Muitos esquerdistas têm uma identificação intensa com os problemas de grupos que eles imaginam serem fracos (mulheres), derrotados (indígenas), repulsivos (homossexuais) ou inferiores de alguma maneira. Os próprios esquerdistas sentem que estes grupos são inferiores. Eles nunca admitiriam eles mesmos que eles acham isso, mas é precisamente porque eles vêm estes grupos como inferiores que eles se identificam com seus problemas. (Não sugerimos que mulheres, indígenas, etc. são inferiores; apenas fazemos uma observação sobre a psicologia esquerdista.)
Além disso, também fala em como (e porque) na sociedade atual temos tantos casos de depressão e doenças psicológicas. Porque estas doenças são mais facilmente identificadas em esquerdistas também (como a depressão). Como a tecnologia basicamente destruiu um dos pilares da evolução das pessoas.
59. Dividimos impulsos humanos em três grupos: (1) aqueles impulsos que podem ser satisfeitos com esforço mínimo; (2) aqueles que podem ser satisfeitos mas com um custo de esforço grande; (3) aqueles que não podem ser adequadamente satisfeitos não importando a quantidade de esforço. O processo de poder é o processo de satisfazer os impulsos do segundo grupo. Quanto mais impulsos existirem no terceiro grupo, maior é a frustração, raiva, eventual derrotismo, depressão, etc.
60. Em uma sociedade industrial moderna os impulsos humanos tendem a ser colocados no primeiro e terceiro grupo, e o segundo grupo tende a ser constituído cada vez mais de impulsos criados artificialmente.
63. Certas necessidades artificiais foram criadas e colocadas no segundo grupo, e então servem ao processo de poder. Técnicas de marketing e propaganda foram desenvolvidas para que várias pessoas sintam que elas precisam de coisas que seus avós nunca precisaram ou desejaram. É necessário um grande esforço para conseguir dinheiro suficiente para satisfazer estas necessidades artificiais e, portanto, elas caem no segundo grupo. O homem moderno deve satisfazer suas necessidade pelo processo de poder através da perseguição de objetivos artificiais criados pela indústria de marketing e propaganda, e através de atividades substitutas ou complementares.
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2020.06.12 04:50 altovaliriano Para onde vai o dinheiro dos homens sem rosto?

Este tópico foi uma sugestão de u/frdnt. Eu nunca havia pensado sobre a questão, de forma que eu não tinha uma resposta quando comecei a escrever o texto. Contudo, conforme pesquisava, cheguei a uma conclusão pessoal, que está no fim deste post.
Desde o primeiro livro da série somos apresentados à noção de que, apesar de mundialmente famosa, a Casa do Preto e Branco pratica preços inacessíveis até mesmo para o Trono de Ferro:
Em Bravos há uma sociedade conhecida como os Homens Sem Rosto – sugeriu o Grande Meistre Pycelle.
Faz alguma ideia do preço que eles cobram? – protestou Mindinho. – Poderíamos contratar um exército de mercenários comuns por metade do preço, e isso para dar cabo de um mercador. Nem me atrevo a pensar no que pediriam por uma princesa.
(AGOT, Eddard VIII)
Vale notar que o comentário veio do mesmo mestre da moeda que teve que levantar fundos para um torneio em que foram distribuídos 90 mil dragões de ouro só em prêmios. Não sabemos quanto o evento em si custou, mas não seria impensável que a coisa toda ultrapassasse em muito os 100 mil dragões. Então para que Mindinho protestasse, era porque o preço embaraçaria até mesmo seu trabalho como Mestre da Moeda.
Porém a fala de Petyr em A Guerra dos Tronos revela uma coisa: o preço dos homens sem rosto não é fixo. Martin chegou a comentar sobre o preço em uma correspondência com uma fã:
Os Homens sem Rosto não publicam uma lista de preços na porta. Funciona de uma forma que você vai até eles e diz quem quer que seja morto, e aí eles negociam o preço. Quanto mais proeminente for a vítima, quanto mais difícil for de se aproximar, quanto mais perigoso para o assassino e a guilda, mais alto será o preço.
(SSM 15/11/1999, tradução de Felipe Bini)
Essa idéia é reforçada nos livros seguintes. A primeira vez que um homem sem rosto matou uma pessoa diferente do próprio suplicante, o preço cobrado foi a servidão vitalícia:
Você ofereceu tudo o que tinha pela morte deste homem, mas escravos não têm nada além de suas vidas. É isso o que o deus deseja de você. Pelo resto de seus dias na terra, você o servirá”. E, daquele momento em diante, éramos dois.
(ADWD, A Garota Cega)
A Criança Abandonada afirma que o preço pela morte de sua madastra, pago por seu pai, foi em dinheiro e em deixar a filha na Casa do Preto e do Branco:
[…] ele veio até aqui e fez um sacrifício, oferecendo toda sua riqueza e a mim. O das Muitas Faces ouviu suas preces. Fui trazida para o templo para servir, e a esposa do meu pai recebeu o presente.
(AFFC, Gata dos Canais)
Todavia, talvez não devamos levar a sério as palavras destas pessoas tão bem treinadas para mentir. Seja como for, o fato é que pessoas de fora da seita reconhecem que o custo pode ser exorbitantemente caro a depender do alvo. E aí chegamos à pergunta do título: o que a Casa do Preto e do Branco faz com tanto dinheiro?
A primeira explicação seria a mais simples:

Custos de manutenção de suas atividades

Os homens sem Rosto viajam mundo afora para matar os mais diversos tipos de pessoas. Então, são necessários recursos para custear este tipo de coisa. São passagens, armas, comida, acomodações e trajes adequados ao disfarce. Há ainda os venenos raros, como Lágrimas de Lys, Sangue de Basilisco, Sonodoce e o que quer que seja que eles ponham no poço do templo:
Venenos. Então compreendeu. Todas as noites depois das preces, a criança abandonada esvaziava um jarro de pedra nas águas do tanque negro.
(AFFC, Arya II)
Além disso, há a manutenção da Casa do Preto e do Branco em si. Fora os custos normais, ainda existem itens especiais como as velas aromáticas cujo incenso traz memórias do passado e conforta as pessoas que estão morrendo:
Aqueles que vêm beber da taça negra estão em busca do seu anjo. Se têm medo, as velas os acalma. Em que você pensa quando sente o cheiro de nossas velas ardendo, pequena?
Winterfell, podia ter dito. Sinto cheiro de neve, fumaça e agulhas de pinheiro. Sinto cheiro de estábulos. Sinto o cheiro do riso de Hodor e da luta de Jon e Robb no pátio, e de Sansa cantando sobre uma estúpida bela senhora qualquer. Sinto cheiro das criptas onde estão os reis de pedra, sinto o cheiro de pão quente assando, sinto o cheiro do bosque sagrado. Sinto o cheiro da minha loba, de seu pelo, quase como se ainda estivesse comigo.
Não sinto cheiro de nada – respondeu, esperando para ver o que ele diria.
Mente – ele disse –, mas pode guardar seus segredos, se quiser, Arya da Casa Stark […]
(AFFC, Arya II)
Entretanto, esta resposta é largamente insuficiente. Mesmo que somadas, nenhuma destas despesas parece justificar o preço dos homens sem rosto. Os valores e sacrifícios exigidos superam em muito qualquer despesa eventual que os assassinos poderiam ter ao longo dos anos.
Sem falar que, a julgar por Jaqen H’aghar, fica parecendo que os agentes da seita improvisam muito quando estão em campo, tendo que arranjar recursos por si mesmo, por vezes perdendo algum tempo trabalhando para consegui-los.
Ainda devemos lembrar que os servos da Casa do Preto e Branco tiram o dinheiro e os bens carregado por aqueles que vêm ao templo para morrer. Portanto, o templo também pode contar com tais “doações”.
Isso nos leva a segunda teoria popular sobre o dinheiro dos homens sem rosto, que seria:

Eles não ligam para o dinheiro

Segundo esta linha de pensamento muito difundida no fandom, o preço estabelecido pela seita não teria relação com seus custos, mas com sua visão de mundo. Exigir um alto preço e/ou um duro sacrifício de seus clientes seria uma forma de não banalizar suas missões.
Neste sentido, o cliente dos homens sem rosto seriam pessoas que não os estariam procurando levianamente, pois saberiam que o preço se baseia em fazer o cliente cortar na própria carne. Caso contrário, como bem colocou um leitor em um fórum, de que outra forma a Casa do Preto e Branco evitaria se tornar uma ferramenta para os ricos e poderosos oprimirem os mais fracos que eles?
Assim, eles não pedem apenas uma quantia em dinheiro. A quantia em dinheiro deve ser extorsiva, quase levando o cliente à bancarrota, para que o cliente, a seita e todo mundo entenda que a encomenda foi um péssimo negócio, em que ambos os lados tenham enormes prejuízos.
Essa linha de pensamento tem várias virtudes. Analisando um caso que conhecemos, o dono da companhia de seguros marítimos morto por Arya, podemos ver isso com certa clareza. Muito prrovavelmente, alguém que deseje ardentemente a morte deste homem é alguém que foi agudamente prejudicado por ele, e que portanto já pode estar até mesmo falido. Nesse caso, seria natural que a guilda exigisse sacrifícios pessoais ao invés de dinheiro.
Mas a linha de pensamento de que os homens sem rosto somente pedem dinheiro como uma forma de autosacrifício também se aplica bem a um caso surgido via teorias de leitores. É muito popular a teoria que afirma que Euron Greyjoy teria pago homens sem rosto para matar Balon e que o preço teria sido um ovo de dragão (aquele que ele disse a Victarion que atirou ao mar).
Uma vez que Euron é conhecido por não ficar com a “parte do leão” de seus saques, caso ele tenha ficado com um ovo de dragão para si, isso pode indicar que o objeto teria um valor relevante para ele. Dessa forma, supondo que a Casa do Preto e Branco tenha exigido exatamente este tipo de pagamento revela que os homens sem rosto estariam sendo coerentes com o conceito de exigir um enorme sacrifício do cliente.
Porém, como vocês podem reparar, esta solução não resolve a questão principal que é para onde o dinheiro vai e não a forma como ele é adquirido. A seita pode não negociar preços pensando no lucro, mas diante dos preços que eles praticam, o lucro virá.
Chegamos então à terceira explicação e de longe a mais popular:

Eles guardam no Banco de Ferro

Todo tipo de teoria da conspiração surge desta ideia, que se subdivide em duas linhas:
  1. Eles são os maiores correntistas do banco e por isso controlam o Banco;
  2. Eles apenas guardam o dinheiro lá.
A segunda hipótese é plenamente risível e não resolve a questão que estamos investigando. Simplesmente haver um cofre no Banco de Ferro que se assemelha ao tesouro de Smaug em Erebor ou ao de Tio Patinhas não tem serventia alguma. Estariam os homens sem rosto acumulando dinheiro sem motivo algum? Não me parece ser verdade.
A primeira hipótese é mais difícil de dissuadir, mas tampouco faz sentido. A história do Banco de Ferro é conhecida e envolve gente demais, com cerimônias demais, para que um segredo dessa magnitude não tenha vazado ao longo da história. Além disso, os modus operandi de ambas organizações é muito distinto um do outro.
Por que uma organização liderada pelos mais letais assassinos do mundo gastariam fortunas patrocinando os inimigos de seus mutuários inadimplentes quando poderia enviar agentes especializados em fazer com que as mortes de seus alvos parecessem acidentes?
“Mas as moedas dos homens sem rosto são feitas de ferro, o que é uma clara alusão ao Banco de Ferro”, alguns dizem. Mas estas pessoas esquecem um simples fato: as moedas correntes em Braavos são todas feitas de ferro (ADWD, A garotinha feia). Todas elas podem ser cunhadas pelo Banco de Ferro, claro, mas o que eu quero dizer é que o fato delas serem feitas de ferro nada revela.
Por outro lado, a forma como o Banco de Ferro está amalgamado com a política de Braavos, tendo ido até Valíria para pagar pelos navios tomados na fuga de seus fundadores – mas não pelos escravos fugidos (TWOIAF, As Cidades Livre: Braavos) – revela que o Banco tem interesses na luta contra escravidão e outras bandeiras braavosis que são totalmente ignoradas pela Casa do Preto e do Branco.
A religião do Deus de Muitas Faces é uma religião de não-intervenção, inerte até que seja provocada por um suplicante que pague o preço. Eles não interveem no mundo exterior, nem escolhem seus alvos como partes de planos deliberados. Ou, como mesmo disse o Homem Gentil:
Não somos mais que instrumentos da morte, não a morte em si. Quando assassinou o cantor, você tomou os poderes do deus para si. Matamos homens, mas não pretendemos julgá-los.
(ADWD, A garota cega)
Assim, os objetivos da Casa do Preto e Branco é algo mais imaterial do que política. O que nos leva à quarta hipótese:

Eles tem um objetivo secreto que exige MUITO dinheiro

Só que ninguém tem ideia de qual seria este objetivo.
Alguns leitores chegam a especular que eles estão de olho nos Outros e que controlar o Banco de Ferro é apenas um meio para enfrentá-los. Segundo este pensamento os Outros representariam uma corrupção da dádiva Daquele de Muitas Faces ao levantarem os mortos. Porém, não há qualquer evidência que fundamente isto.
Sem mais delongas, vamos às minhas conclusões

Minhas conclusões pessoais

Eu não acho que o mistério de para onde vai o dinheiro dos homens sem rosto seja um enigma central em ASOIAF, apenas um detalhe que exige explicação para que a criação de mundo fique redonda.
Não acho que a quantidade de dinheiro que a Casa do Preto e Branco tenha guardada será crucial para a história, tampouco saber onde este dinheiro esta guardado. Por essa razão, eu proponho que este dinheiro tem que ser aplicado de maneira mundana, sem direito a teorias da conspiração complexas.
E eu imagino que este dinheiro tenho uma destinação bem simples: permitir que a Casa do Preto e Branco continue a existir, sem retaliações ou perseguições. Aí você poderia me perguntar “E quem em Braavos iria querer o fim de uma seita tão útil?”. Bem, qualquer pessoa que tenha inimigos.
A simples existência da guilda deve ser um fator de muita tensão na política braavosi. Os ricos e poderosos que levam suas contendas às últimas consequências na cidade devem viver sob a ameaça de que seu inimigo qualquer dia atravesse as portas de ébano e represeiro no centro da cidade. Por outro lado, que Senhor do Mar poderia assegurar que não seria assassinado por seus concorrentes-inimigos a qualquer momento? Ou, ainda pior, alguém de fora de Braavos poderia solicitar o serviço dos Homens Sem Rosto para influenciar na ordem interna da cidade.
Portanto, eu acho bastante provável que todo este dinheiro seja usado pela Casa do Preto e Branco para pagar propinas e “taxas” ao governo de Braavos, ao Banco de Ferro e às famílias nobres mais proeminentes em determinada época.
A sensação de que estavam enriquecendo com as atividades dos homens sem rosto pode dar aos braavosis beneficiados a sensação de que estavam fazendo um investimento de risco calculado ao permitir que a Casa do Preto e Branco continue a operar. Este é o tipo de negócio que combina bastante com a personalidade dos bravosis.
Com efeito, Fogo & Sangue nos deu alguns insights com relação a isso. Quando a cidade entra na mira do Trono de Ferro, após uma troca de ameaças veladas, o Senhor do Mar de Braavos assim resume o jeito braavosi:
Ameaças me incomodam. Os westerosis podem ser guerreiros, mas nós, braavosis, somos negociantes. Vamos negociar.
(F&S, Jaehaerys e Alyssane: Triunfos e Tragédias)
Se isto não lhe soar suficientemente persuasivo, Fogo & Sangue novamente volta a se referir aos braavosis como burgueses heréticos e gananciosos (um ponto de vista certamente carregado com algum preconceito de Arquimeistre Gyldayn):
[…] os braavosis eram um povo pragmático, pois a cidade deles é formada de escravos fugidos onde mil deuses falsos são honrados, mas só o ouro é verdadeiramente adorado. Lucro é mais importante do que orgulho, nas cem ilhas.
(F&S, Sob os regentes: Guerra e Paz e Exposição de Gado)
Estas são as minhas especulações.
O que vocês acham?
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2020.03.04 22:12 altovaliriano O retorno de Alliser Thorne

No meio de A Dança dos Dragões, Jon envia Alliser Thorne em uma patrulha para as terras Para-lá-da-Muralha. Três grupos de três patrulheiros, partiriam e Thorne foi colocado no trio comandado por Dywen.
A chances de sobrevivências eram incertas e tanto Jon Snow, quanto o corvo de Mormont e Thorne sabem disso:
– Então o garoto bastardo vai me mandar para a morte.
Morte, gritou o corvo de Mormont. Morte, morte, morte.
[...]
Não era uma coisa fácil enviar os homens para campo, sabendo que as chances de nunca mais voltarem eram grandes. [...]
(ADWD, Jon VI)
Segundo Jon, porém, o objetivo da missão na era por Thorne em perigo, mas simplesmente tirá-lo de Castelo Negro para que ele não voltasse a conspirar contra ele (vou citar em inglês e português porque tem um erro de tradução relevante – que eu marquei em negrito):
– O garoto bastardo está mandando você para fora de alcance [na verdade seria “para patrulhar”]. Para encontrar nossos inimigos e matá-los, se necessário. Você é hábil com uma lâmina. Foi mestre de armas aqui e em Atalaialeste.
"The bastard boy is sending you out to range. To find our foes and kill them if need be. You are skilled with a blade. You were master-at-arms, here and at Eastwatch."
(ADWD, Jon VI)
Algum tempo depois, conforme antevisto por Melisandre nas chamas, as cabeças dos integrantes de um dos grupos, comandado por Negro Jack Bulwer, aparecem espetas em lanças ao norte do portão de Castelo Negro.
Como os olhos foram retirados e as cabeças parecem chorar sangue, assume-se se tratar de trabalho do Chorão, o líder que está acampando nas presas gelo e cujo ataque à Torre Sombria parece iminente (o que já tratei aqui em outro tópico).
Nada se houve falar sobre os outros dois trios, tampouco sobre o personagem mais relevantes em um deles: Alliser Thorne.
Quatro meses e oito dias depois que Alliser partiu (se pudermos acreditar na acuidade da Mais Precisa Linha do Tempo ), Jon Snow é assassinado no motim de Bowen Marsh .

Onde está Alliser Thorne? Como ele reaparecerá em Os Ventos do Invernos?

Como sempre, as especulações são muitas.
Entretanto, devido às informações serem quase nenhumas, os leitores lançam teorias tão dispares quanto dizerem que Alliser Thorne se tornará o 999º Lorde Comandante, quanto que ele voltará como uma criatura dos Outros (wights). Uns dizem que ele escreveu a Carta Rosa, enquanto outros afirmam que ele encontrará Benjen Stark.
Na verdade, esta última possibilidade é justamente aquela que vêm à mente de Jon Snow:
Não pela primeira vez, nem pela última, Jon Snow se pegou imaginando o que teria acontecido com Benjen Stark. Talvez os patrulheiros encontrem algum sinal dele, disse para si mesmo, sem realmente acreditar.
(ADWD, Jon VI)
Enquanto que a possibilidade de voltar como uma criatura é trazida pelo próprio Sor Alliser:
– [...] No entanto, você deveria rezar para que uma lâmina selvagem me mate. Aqueles que os Outros matam não permanecem mortos... e eles se lembram. Eu voltarei, Lorde Snow.
(ADWD, Jon VI)
O único consenso aqui é que, seja quais forem os perigos que o destino reservem para Sor Alliser, eles aparecerão bem distante de Castelo Negro. Contudo, quando GRRM faz com que Jon coloque Thorne com Alliser, ele parece estar aumentando significativamente as chances de sobrevivências de Thorne em relação aos demais.
Isso porque Dyewn já demonstrou ser alguém dotado de grande experiência como patrulheiro e notável capacidade de percepção do sobrenatural. A primeira vez que ouvimos falar sobre isso, é em A Fúria dos Reis:
Dywen parecia discursar, de colher na mão: – Conheço esta floresta tão bem quanto qualquer homem vivo, e digo-lhes que não gostaria de percorrê-la sozinho esta noite. Não sentem o cheiro?
Grenn olhava-o com os olhos muito abertos, mas Edd Doloroso disse: – O cheiro que sinto é o da merda de duzentos cavalos. E deste guisado. Que tem quase o mesmo aroma bem aqui, agora que o cheiro bem.
– Tenho seu aroma parecido bem aqui – Hake deu um tapinha na adaga, e, resmungando, encheu a tigela de Jon.
O guisado era engrossado com cevada, cenoura, cebola e um fiapo de charque aqui e ali, amaciado pela fervura.
– Como é que cheira para você, Dywen? – Green quis saber.
O lenhador colocou a colher na boca um momento. Tinha tirado os dentes. Seu rosto era enrugado, semelhante a couro, e suas mãos nodosas, como velhas raízes.
– Parece-me que tem cheiro… bem… de frio.
– Sua cabeça é tão feita de madeira como seus dentes – disse-lhe Hake. – Não existe cheiro de frio.
Existe, Jon respondeu em pensamento, lembrando-se da noite nos aposentos do Senhor Comandante. Tem cheiro de morte. De repente, sua fome desapareceu. Deu o guisado a Grenn, que parecia precisar de um jantar extra para se aquecer contra a noite.
(ACOK, Jon IV)
Depois, ficamos sabendo mais em A Tormenta de Espadas, quando Chett prepara a lista dos que devem ser assassinados para que o motim contra Lorde Comandante Mormont funcione:
O Velho Urso morre e o Blane, da Torre Sombria, também. Grubbs e Aethan também, má sorte a deles por terem ficado com esse turno. Dywen e Bannen por serembons batedores, e Sor Porquinho por causa dos corvos. É tudo. Matamos os caras emsilêncio, enquanto dormem. [...]
[...] Lark e os primos silenciariam Bannen e o velho Dywen, para evitar que depois farejassem seu rastro [...]
(ASOS, Prólogo)
Por fim, ouvimos isso do próprio Jon Snow quando está mandando Alliser Thorne embora:
– É bom ter um cavalo embaixo de mim novamente – disse Dywen no portão, sugando seus dentes de madeira. – Com seu perdão, senhor, mas estávamos com farpas na bunda de tanto ficar sentados. – Nenhum homem no Castelo Negro conhecia a floresta como ele, as árvores e os riachos, as plantas que podiam ser comidas, as trilhas dos predadores e das presas. Thorne está em mãos melhores do que merece.
(ADWD, Jon VI)
Por outro lado, em 2012, Martin deu uma entrevista em que afirmou:
E sobre o que está realmente ao norte nos meus livros - ainda não exploramos isso, mas iremos nos dois últimos livros.
GRRM
Como os únicos personagens relevantes que atualmente estão para lá da Muralha são Bran, Corvo de Sangue e Alliser Thorne, há uma grande chance de que venhamos a saber sobre as Terras do Sempre Inverno a partir de um relato dado por Sor Alliser.
De fato, considerando-se que o trio de Negro Jack tenha sido realmente morto pelo Chorão, fica parecendo que este trio seguiu para oeste, enquanto os demais seguiriam para o norte e para leste. Caso o grupo de Kedger Olho-Branco apareça no leste (como em Atalaia-Leste-do-Mar ou Durolar, ou emalgum lugar do caminho), somente restaria a Dywen e Alliser Thorne ter tomado rumo para o norte mais distante.

O que vocês pensam que irá acontecer com Sor Alliser?
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2019.12.28 05:51 altovaliriano GRRM deixou a peteca cair? [Parte 2]

Link: https://towerofthehand.com/blog/2014/01/12-did-grrm-drop-ball/index.html
Título original: Did George R. R. Martin drop the ball?

[Link para a Parte 1]
Stefan Sasse : Não tente me convencer da qualidade literária de nada comparando-a com O Senhor dos Anéis - acho os livros um tédio. Eles são, para mim, o principal exemplo de informação inútil e subtramas estúpidas destruindo as coisas interessantes. Mas aí eu estou fugindo do assunto.
Eu realmente não ligo para Essos também – a importância daquele lugar reside no fato de termos que saber de tudo aquilo antes que venha a se tornar importante. É importante para a missão de Dany e para delinear a conspiração Varys-Illyrio, eu penso.
Mas acho que se resume a uma questão de gosto. Você está definitivamente certo de que há partes do Festimdança que poderiam ser cortadas e ainda teríamos o mesmo enredo, mesmo que eu queira enfatizar que gosto delas e não gostaria de vê-las desaparecer. Para mim elas são importantes na construção do mundo. É gosto, eu acho.
Mas vamos avançar para o próximo ponto sobre o(s) livro(s). Argumentei desde o início que é importante visualizá-los como um único volume em vez de dois volumes separados, e é por isso que eu os chamo de Festimdança (quando não estou me referindo especificamente a um deles). Ambas as histórias são muito profundamente entrelaçadas, e somente quando lidas juntas – na ordem de leitura sugerida por Sean T. Collin, por exemplo – é que você poderá desbloquear o verdadeiro potencial delas, que reside principalmente nos temas governo, guerra e paz. Chamei a multidão de tramas entrelaçadas de "A Guerra no Norte", "A Paz no Norte", "A Guerra no Leste" e "A Paz no Leste" porque Jon e Dany tentam governar sob circunstâncias muito difíceis e diversas, e ambos fracassam. Até certo ponto, esse desenvolvimento é refletido pelas tentativas de Cersei de governar em Porto Real, que são um assunto incidental neste tópico.
Somente quando vistos em conjunto Festimdança se torna um livro muito bom (comparado à experiência bastante medíocre de que você e muitos outros se queixam). Fiquei decepcionado no começo. É por isso que definitivamente concordo com sua avaliação anterior de que foi definitivamente a errada a decisão de George de dividir o livro da maneira que ele fez.
Remy Verhoeve : Suponho que me valer de O Senhor dos Anéis foi uma péssima jogada. Nada como duzentas páginas expositivas sobre os hobbits antes de a história sequer começar... (ainda assim, uma vez que começa a rolar... não, foi um exemplo ruim). Suponho que há uma importância para Essos, já que Martin gasta tanto tempo construindo-o para nós. Mas quando não atrai o leitor (e aqui parecemos concordar que Essos não é muito interessante) por que devo me importar mais tarde durante a história sobre o que acontece ou não acontece em Essos?
Não li os livros na ordem sugerida, mas não me importaria de tentar. Só tenho medo – e falo sério – de reler aqueles capítulos horríveis de Tyrion e Daenerys (os capítulos de Jon são ligeiramente mais interessantes, em geral). Embora eu possa reler qualquer capítulo dos três primeiros livros com alegria, não suporto ler sobre Daenerys sentada ali conversando com todos aqueles personagens que não consigo distinguir.
Os livros também se tornaram mais repetitivos, e estou quase arrancando os olhos sempre que leio outro "Onde quer que as putas vão". Você está certo de que a história provavelmente precisava diminuir de intensidade para reconstruir o momento. Concordo com isso. Mas mesmo nos capítulos e momentos mais silenciosos dos três primeiros livros, Martin mantém o leitor envolvido e interessado.
Sim, existem temas abrangentes, e as semelhanças entre as histórias de Jon e Dany são agradáveis ​​e os vinculam aos pólos "gelo" e "fogo" da balança. Mas há muita encheção de linguiça. Muita encheção, mesmo para um entusiasta como eu. Veja os capítulos de Bran em Dança. Eles se movem rapidamente. E em três capítulos o arco de Bran para o livro está pronto e parece satisfatório. Parece uma continuação natural de sua história dos três primeiros livros. Daí olhe para o arco da história de Tyrion. Tudo o que ele faz é viajar e dar espaço para exposições.
Stefan Sasse : Eu não seria tão rápido em vincular isso à qualidade, por si só. Está diferente, tudo bem –ac não vou negar isso. Afinal, não adiantaria, pois está óbvio. É como reclamar que o quarto ato do drama clássico não oferece tanto quanto o terceiro. A história precisa se resumir para poder recuperar o ritmo novamente no quinto ato. No caso de "A Song of Ice and Fire", estamos falando de uma estrutura de três atos, é claro, mas isso não altera a questão.
Eu diria que Festimdança nos permite aprofundar questões que os três primeiros livros apenas tangenciaram, uma vez que estávamos muito envolvidos nas perspectivas dos agentes principais. O conflito foi intenso e relativamente curto, e precisava ser contado de diferentes perspectivas.
Porém, Festimdança permite que nos aprofundemos em outras questões. Um dos pontos mais importantes é o enredo de Brienne, que é o primeiro olhar verdadeiro para o mundo do “Time dos Plebeus” (fora aqueles capítulos de aventura de Arya). É impossível imaginar o monólogo de Septão Meribald sobre os Homens Quebrados (que também é exposição, lembre-se) nos três primeiros e mais compactos romances. Mas é fundamental entender o que esses livros verdadeiramente falam sobre. E o processo de paz que compõe grande parte da política da Festimdança (exceto, notadamente, na campanha de guerra de Stannis no Norte) é uma tarefa árdua, sim. E assim foi deliberadamente concebida para ser, acredito.
Adam Feldman, do Meereenese Blot, argumentou de forma convincente que o que Martin está propondo é um processo de paz altamente complexo, tedioso e opaco, precisamente porque manter a paz é complexo, tedioso e opaco. Existem muitas camadas em toda a história e em toda a tediosidade. Camadas que pedem para serem analisadas e afastadas. Feldman, por exemplo, defendeu que Daario Naharis e Hizdahr zo Loraq personificam as opções da guerra e paz para Dany. Os beijos de um são quentes e emocionantes, os do outro são tépidos. Mas, como insiste a Graça Verde, a paz é uma pérola sem preço. Infelizmente, não há como entrar nestes pontos sem literalmente demolir tudo. A menos que você espelhe isso na narrativa, que é o que Martin faz.
Obviamente, ele arriscou a ira do fandom por causa dessa mudança, especialmente porque a dedicada fanbase levou mais de dois anos para entender o cerne da questão. Entretanto, aqui o desapego de GRRM pela fanbase é útil. Ele não precisa titubear diante dos fãs, já ele não parece se importar. E assim ele pode basicamente escrever a história em seu próprio tempo, com o melhor resultado que ele acha que pode alcançar. Na maioria do tempo, isso se mostrou recompensador (embora, como observado, a divisão dos livros não pareça uma decisão sábia, olhando em retrospectiva).
Já espero que você discorde veementemente com relação o tratamento de Martin com sua fanbase, é claro, mas, por favor, também leve em consideração o que eu disse sobre a narrativa.
Remy Verhoeve : Está diferente. E eu diria que um fator é que, de fato, a qualidade não é tão boa quanto costumava ser. Não estou dizendo que menos qualidade é a única razão pela qual Dança não se tornou um dos favoritos. Se você olhar, digamos, A Fúria dos Reis e A Dança dos Dragões lado a lado, existem vários elementos que tornam o primeiro bom e o segundo não tão bom.
No lado técnico, eu argumentaria que há muito mais erros de digitação e erros editoriais em Dança. Às vezes, o livro parece uma compilação feita às pressas, o que tenho certeza de que foi. Desenhar sobre uma tela maior também reduz a qualidade da pintura. Onde os três primeiros livros parecem compactos, Festimdança incha conforme o número de capítulos de POVs aumenta. A tal ponto que temos tantos personagens novos que Martin começa a lutar para torná-los especiais.
Veja personagens antigos como Sansa, Arya ou Tyrion, por exemplo. Você pode definir rapidamente essas personas por um número de características distintas. Eles são completamente bem caracterizados. Nos primeiros capítulos, você pode começar a formar uma imagem dessas pessoas em sua mente. No caso dos novos POVs, eles começam a se misturar, não são mais tão únicos e – para mim, pelo menos – tornam-se menos interessantes porque estão "apenas lá".
Em alguns desses novos POVs eu enxergo certas qualidades redentoras porque elas estão em uma história interessante ou foram melhor desenhadas (Asha Greyjoy me vem à mente), mas outros são muito genéricos em comparação com os POVs 'originais'. Até Melisandre, que permaneceu um dos grandes e interessantes mistérios da série, é reduzida a um ponto de vista não muito interessante (foi um grande erro em dar a ela – e a Sor Barristan – pontos de vista, eu acho; estes são personagens épicos que só devemos ver de fora; outra falha em minha opinião).
Eu também argumentaria que foi péssimo jogar, de repente, Jovem Griff na história em um momento tão tardio – embora eu esteja ciente de que ele poderia ser um arenque vermelho [red herring]. No entanto, antes dessa 'reviravolta', eventos importantes na narrativa foram profusamente ofuscados. Jovem Griff parece surgir do nada, o que contribuiu para uma experiência, na verdade, chocante. O POV de Barristan também é muito genérico. Martin precisa equilibrar todo o conhecimento que um personagem como Selmy tem para não revelar muito. E o resultado é, bem, não muito especial.
Não estou reclamando de nada ser diferente, aí é você colocando palavras na minha boca. Estou argumentando que a qualidade da redação é reduzida. Não me importo das coisas serem 'diferentes' porque, se tudo é igual, também não é muito interessante. A história fornece personagens, enredos e localidades muito diferentes. E geralmente estou interessado na maior parte deles, seja um capítulo "quieto" ou cheio de ação e aventura.
A escrita está tão diferente que eu e outras pessoas de fato já cogitamos se algumas partes não foram escritas por ghost-writers. No momento em que não parece mais com As Crônicas de Gelo e Fogo, podemos perguntar se é porque está diferente ou se é porque não está tão bom como costumava ser (tecnicamente).
Na verdade, eu não me importo com as histórias reais apresentadas em Festimdança. Gosto dos conceitos apresentados, incluindo as viagens de Brienne, os problemas políticos de Dany, o desvio de Jaime para Correrrio etc. (o único enredo em que sinto que Martin saiu terrivelmente do curso foi o de Tyrion). É uma questão de como essas histórias são executadas que deixa algo a desejar. Os personagens parecem ter perdido suas características. O diálogo perdeu a nitidez. Tantas cenas pareciam escritas para chocar, em vez de aprofundar a história. Tantos erros gramaticais que escaparam ao processo de edição. A repentina mudança nos títulos de capítulos, em vez de manter a estrutura no lugar, para que a série possa parecer mais com um todo.
Quanto a ver o mundo da perspectiva do “Time Plebeu”, com certeza é bom, mas será que realmente precisamos de um arco inteiro para isso? Pessoalmente, senti que o Time Plebeu já estava bem representado nos capítulos de Arya – através de suas jornadas, vemos realmente como a guerra afetou a população.
Prefiro dizer que os capítulos de Brienne permitiram que Martin colocasse um elemento que ele realmente não havia destacado antes - o religioso. De repente, com Festim, sacerdotes, monges e crenças são jogados na mistura de uma maneira um tanto abrupta. Ela exemplifica como Martin, tardiamente, decidiu que não havia dedicado tempo suficiente à religião. Afinal, a religião era tão importante nos tempos medievais e ele também assim queria, e ficamos com um aumento repentino na exposição sobre religião em Westeros. Alguém poderia arguir que esse é outro ponto contra os livros mais recentes - parece que Martin quer cobrir todas os pontos. Em vez disso, ele poderia ter mantido o foco mais restrito. Ninguém disse que ele precisava incluir tudo o que tem a ver com a história medieval.
Eu tenho o mesmo sentimento na Dança quando, de repente, o rito da prima noctis é mencionado pela primeira vez em mais de 3000 páginas. Como se Martin tivesse assistido Coração Valente e percebesse que ele precisava adicionar esse ritual curioso (e talvez nem verdadeiro) a sua própria obra. Quando uma obra já se estabeleceu tanto ao longo dos três primeiros livros, ela parece 'amarrada' e não soa verdadeiro quando coisas novas aparecem nos livros quatro e cinco. Especialmente quando essas coisas novas parecem que deveriam ter sido introduzidas mais cedo, se elas eram assim tão importantes.
De qualquer forma, você pode argumentar que a história de Brienne é uma maneira de vermos a luta dos plebeus com as consequências da Guerra dos Cinco Reis, enquanto eu posso arguir que a história é usada mais para apresentar e integrar facções religiosas à história. E talvez estamos ambos certos ou ambos errados (ou um de nós está certo...). Mas tudo ainda se resume à apresentação técnica.
É interessante ler sobre Brienne viajando pelas terras fluviais em busca de Sansa, quando sabemos onde Sansa está (e ela definitivamente não está por perto)? Veja bem, eu não diria que isso é uma narrativa de alta qualidade. Se houvesse alguma esperança de que Brienne pudesse encontrar Sansa, talvez isso aumentasse o interesse pela história. Ou se Brienne tivesse alguém atrás de si que representasse um perigo real, poderíamos nos preocupar com ela e, assim, estar mais envolvidos com a história. Páginas do monólogo que parecem ter sido copiadas e coladas diretamente de alguma fonte medieval (há pelo menos algumas linhas que são literalmente tiradas de algum lugar, lembro-me de protestar quando a li) não nos envolvem da mesma maneira, eu acredito.
Não há tensão, é tudo um "vamos dar uma olhada no campo". Muitas das informações recolhidas nos capítulos de Brienne parecem mais pertencer a "O Mundo de Gelo e Fogo". Mais uma vez, gosto da jornada de Brienne, mas, como narrativa, ela trabalha contra si mesma; apenas um fanático por Westeros diria que isso é uma boa narrativa. Porque você estaria tão vidrado no cenário que qualquer representação dele se torna interessante. Nossa, eu estou divagando.
No final, o enredo de Brienne poderia ter sido condensado, com alguns capítulos a menos, ou então a enorme quantidade de exposições deveriam ter sido trabalhadas na narrativa de uma maneira mais sutil. Aliás, o único objetivo dessa história (fora a exposição) é que ela dá de cara com uma certa mulher no final, o que leva ao seu confronto trilateral com Sor Jaime e Senhora Coração de Pedra, possivelmente interessante.
Quanto à paz, ou processos de paz, só posso dizer isso: a paz é a ausência de conflito, e o conflito é o que impulsiona uma narrativa. Se o "trabalho árduo", como você diz, é intencional ou não, não importa. Se você admitir que seja árduo de ler, você está, em minha opinião, admitindo que o Festimdança (ou partes dele, pelo menos) simplesmente não são tão boas. Contudo, admito que, para alguns leitores, também pode haver partes 'arrastadas' nos três primeiros livros – eu sei que existem leitores que acham os capítulos de Bran menos interessantes, por exemplo – mas esses capítulos movem a história – o que eu não tenho certeza se todos os capítulos de Festim dança realmente fazem.
Eu não me importaria se Quentyn Martell não aparecesse em Dança até o momento em que ele se apresenta na corte de Daenerys. O que teríamos perdido? Os elefantes em miniatura no Volantis? Nós realmente precisamos de tantos capítulos de Tyrion no rio ou no mar? A história poderia funcionar sem Penny?
Para que você não me entenda muito literalmente, é claro que vejo conflito em Festimdança, no nível pessoal. Há um conflito dentro de Daenerys Targaryen (vários, na verdade); há um conflito dentro de Jon Snow (talvez o mais óbvio – sua história sempre foi sobre lealdade, lealdade, honra, dever). Mas a ação exterior diminuiu, isso é verdade. Quase nada com consequência acontece até o livro terminar. “Diferente”? Sim. Mas “melhor”? Os livros antigos misturavam ação interior e exterior com grande sucesso. Por que repentinamente só estamos olhando para o próprio umbigo (por tanto tempo)?
Eu acho que seria simples demais dizer que Martin está intencionalmente tornando sua história menos interessante. Isso é uma desculpa insatisfatória. Martin sabe escrever cenas arrasadoras, sejam lentas ou não. Ou você está dando muito crédito a ele ou eu estou dando muito pouco. Pois bem, suponha que Martin queira nos mostrar que a paz é chata. Então ele teria que usar outros truques para nos manter interessados pela história. Ele nos daria personagens secundários fáceis de distinguir. Em vez disso, temos uma série de personagens com nomes semelhantes. Ele deveria elaborar o desenvolvimento do personagem de modo que acompanharíamos uma trajetória interessante. Em vez disso, Daenerys é a mesma pessoa do primeiro ao penúltimo capítulo (apesar de que, com certeza, ela não é a personagem que vimos em A Tormenta de Espadas).
Vamos deixar a interação de Martin com seus leitores para outro dia, porque só de pensar nisso sai vapor dos meus ouvidos. Eu espero que eu tenha esclarecido meus argumentos e, se algo não estiver claro, diga-me e poderemos analisar melhor esta parte do debate.
Stefan Sasse : Eu ainda acho que muitas das críticas que você faz ao(s) livro(s) vêm de uma perspectiva distinta do que está por vir. Sim, eu e muitos outros intencionalmente acreditamos que isso faz parte do todo, o que permite não se aborrecer com histórias como a de Brienne, onde nada de grande monta acontece (exceto para os personagens envolvidos, é claro). Mas, como você diz a si mesmo, para muitas pessoas, ocorria (e ocorre) o mesmo com os livros antigos.
Acho difícil na maioria das vezes lembrar minhas primeiras impressões sobre o livro, porque elas acabaram misturadas irreconhecivelmente com minha compreensão posterior e com o conhecimento decorrente de releituras. Mas tenho certeza de duas coisas: fiquei aborrecido com os capítulos de Brienne na primeira e na segunda vez que li O Festim dos Corvos em 2005 e 2006. E também não gostei muito dos capítulos de Bran nos três primeiros livros, precisamente pelo fato de que nada parecia estar acontecendo. Veja, de verdade: você precisa ser um leitor excepcionalmente perspicaz para apreciar a história do Cavaleiro da Árvore que Ri em sua primeira leitura. Se você não entende do que se trata, simplesmente acharia uma leitura muito chata a longa lista de personagens mortos há muito tempo identificados apenas por seus brasões.
O mesmo vale para as provações de Brienne. Já sabíamos que ela não encontrará Sansa (exceto naquele momento em que pensa em ir ao Vale, mas isso é descartado rapidamente). Em vez disso, nos envolvemos em uma variedade de subtramas e na resolução de subtramas (o destino de Podrick Payne, Sor Shadrich e colegas, Gendry, a Irmandade e Senhora Coração de Pedra) e também passamos por uma subnarrativa realmente atraente (especialmente na parte de Lagoa da Donzela). Mas levei um tempo para me aquecer.
Da mesma forma, ao ler A Dança dos Dragões pela primeira vez, sinceramente desejei que os capítulos de Tyrion fossem mais rápidos. Eu não conseguia lembrar nem mesmo uma das malditas cidades em ruínas que eles passam no Rhoyne. Também não fiquei particularmente intrigado com Aegon, até porque nunca gostei da “teoria da conspiração” segundo a qual Varys traficou o garoto (a qual já estava circulando há um longo tempo, assim como a de que Tyrion seria um bastardo Targaryen). Mas em releituras posteriores, quando você já sabe o que vai acontecer (como Brienne não encontrar Sansa), você pode se envolver pelas coisas que realmente estão lá.
A propósito, é isso que eu queria dizer com o problema das expectativas. Esperávamos que várias coisas acontecessem em Festimdança, e muito disso não aconteceu (nenhum Outro na Muralha, nenhum encontro entre Tyrion e Dany e assim por diante). Entretanto, apesar de que Martin certamente poderia ter cortado muito do que está lá e "ido ao ponto" mais rapidamente, eu acho que isso tornaria estes livros uma leitura menos convincente (mesmo que ele adotasse sua abordagem, mantivesse as histórias intactas e apenas cortando fora a carne – ou gordura, conforme o ponto de vista).
Da mesma forma, simplesmente ainda não sabemos qual é o objetivo com os nomes de capítulos alterados. Martin enfatizou repetidamente que existe um sistema por trás, que ainda não podemos compreender apenas com base nos dois livros, mas que no final entenderemos. Então estou reservando o julgamento final sobre isso para mais tarde, quando os livros finais forem lançados.
A propósito, fiquei desapontado com o aparecimento do Ius Primae Noctis, porque é apenas um mito medieval criado por Coração Valente. Mas achei lógico que aparecesse só agora. É claro que os Boltons (que só agora vimos de perto) ainda o praticariam. E é claro que eles não contariam aos Starks (que têm sido nossa única janela no Norte até agora).
Na verdade, eu achei essa uma das coisas mais interessantes e envolventes sobre a história do norte em A Dança dos Dragões: o Norte "sombrio". Bran aprendendo que os Stark costumavam sacrificar as pessoas sob as árvores-coração; pendurarem entranhas nas árvores; os Bolton e suas práticas cruéis; os clãs das montanhas e Karstarks e o descarte dos velhos e doentes no inverno para preservar a comida para os saudáveis; e assim por diante. O que víamos até agora era o belo Norte, através das lentes rosas dos benignos senhores Stark. Por baixo, há um norte muito mais sombrio, que foi despertado pelo conflito Bolton-Stannis. E isso torna as coisas muito boas de ler.
Também poderíamos argumentar facilmente que as culturas orientais nos três primeiros livros eram praticamente figurante feitos de papelão (escravistas do mal com penteados ridículos) e só foram aprofundados em Festimdança. Claro que você pode dizer que simplesmente não se importa com eles, já que a história deveria estar em Westeros. Mas eu gosto do toque de realismo e credibilidade que isso traz à história. Torna o lugar mais real, ao invés de somente um ponto da trama a ser riscado da agenda.
Isso me leva à minha última questão com seus argumentos: a questão da luta. Sim, a paz por definição é a ausência de guerra, mas esta última tem sido por muito tempo a doença da fantasia, que se baseou em conflitos armados para contar histórias envolventes. O experimento que Martin fornece com Festimdança é realmente ousado: ele usa dois livros realmente volumosos para verdadeiramente nos mostrar o que vem depois. Martin certa vez fez uma observação (estou parafraseando) que, em O Senhor dos Anéis, nunca aprendemos como Aragorn governaria e qual seria, por exemplo, sua posição sobre rotação de culturas em três campos ou sobre tributação. Isso ocorre porque a fantasia tradicional se mantém convenientemente afastada das questões cabeludas.
Mas ele não se afastou. Quando Dany anunciou no final de A Tormenta de Espadas que ela iria ficar e governar, acho que ninguém acreditou de verdade. Até agora, sua jornada era marcada por contínuo sucesso, crescimento e progresso (sim, mesmo com a morte de Drogo). Mas em A Dança dos Dragões, testemunhamos de perto o quão difícil é vencer. Esse desenvolvimento foi refletido na história de Jon na Muralha, onde ele teve que lidar com os selvagens (que provaram ser a parte mais fácil) e com seus próprios homens (com quem ele constantemente falhou). E em Porto Real, Cersei consegue jogar fora, em questão de semanas, os sucessos que os Lannisters conquistaram em uma guerra realmente sangrenta.
Ganhar a paz é o objeto mais difícil de todos. É duro, difícil e confuso. Lutar uma guerra, por outro lado, é a parte mais fácil. É como o lado negro em Star Wars: fácil de sucumbir, já que é tão direto e emocionante (se você não é um membro do Time Plebeu, claro). Mas é o lado negro. A paz é muito mais difícil, o caminho não está posto para você, e você deve enfrentar seus demônios internos de uma maneira muito mais pronunciada, pois você não pode apenas canalizá-los para o inimigo da vez. Jaime Lannister aprende isso também – assim que ele não pôde acertar alguém com uma espada, ele passou a estar realmente perdido.
E veja como estão todos perdidos, e como gostariam de voltar à guerra: Cersei faz de tudo para criar um fronte em Porto Real: ou você está com ela ou com os Tyrells. Não há acordo, nada no meio. Essa é a atitude da guerra, não da paz. E conflito é tudo o que ela recebe de volta. Dany tem que escolher continuamente entre o caminho mais fácil, fornecido por Cabeça-Raspada e Daario, e a paz complicada e insatisfatória, fornecida pelo Senescal, Graça Verde e Hizdahr. E Jon aproveita todas as oportunidades para deixar Castelo Negro e liderar patrulhas, e por fim, desnecessariamente, dá suporte à campanha de Stannis pelo Trono de Ferro, provocando guerra com Forte do Pavor (e sua traição).
Tudo isso é uma narrativa muito forte, ainda mais forte do que nos três primeiros livros, onde os elementos dela já eram aparentes. Robb Stark conseguiu derrotar facilmente todos os oponentes na batalha, mas ele era totalmente incapaz de ganhar a paz, ou qualquer tipo de paz. Esse é o lado negro. Toda a corrente subjacente à saga já está configurada aqui, e Festimdança capitaliza isso. Mas apenas se você estiver disposto a ler o que está lá e não a fantasia “Lado Negro” que você esperava. Aqui não há George Lucas, que deixou Luke agir dos dois lados, atacando Darth Vader e ainda saindo limpo porque seu pai mudou de idéia. Isso não acontece aqui.
E acho que o trabalho de base da Festimdança se tornará realmente importante nos livros a seguir, quando Jon, Dany e Cersei, todos tendo aprendido as lições erradas do fracasso em manter a paz, tomarão realmente algumas decisões ruins e desdenharão da carnificina durante o ataque arrebatador dos Outros. E estou bastante convencido de que muitos olharão com mais carinho para Festimdança então.
Remy Verhoeve : Você faz alguns argumentos convincentes em referência à paz e essa é provavelmente uma maneira melhor de enxergar tudo caso deseje manter a fé de que não há nada errado com Dança. Eu gostei de ver o 'norte sombrio', embora isso também dê a Martin uma chance de se aprofundar ainda mais na depravação, o que não estou certo de que seja algo que faltava na série.
Agora, eu ainda mantenho que a maioria das coisas que tornam Dança não tão bom tem a ver com tecnicidades, como mencionado, e que o enredo em si não é ruim. Sim, você tem algumas observações interessantes e eu particularmente gosto de como todos pensam que o caminho mais fácil teria sido guerra, mas quando estou lendo um dos dois romances, não estou sob juramento. Eu não precisava que ninguém me dissesse exatamente o que procurar ou sentir ao ler A Guerra dos Tronos. Ele apenas me deu um chute na cara e disse "Preste atenção".
Com Dança, as pessoas são forçadas a entrar na Internet para encontrar explicações detalhadas sobre por que Martin talvez tenha decidido escrever isso ou aquilo, mais ou menos. Mas até chegarmos ao Os Ventos do Inverno, não podemos saber exatamente o que é construção de bases e o que é escrita desleixada. Se ele pretende resolver tudo o que apresenta, então teremos mais dez livros. O que novamente significa que você deve julgar Festim e Dança por seus próprios méritos. E eles estão em falta - para muitos. Gostaria de observar que gosto mais desses livros do que a maioria dos romances de fantasia, mas eles não são tão surpreendentes quanto os três livros originais.
Existem também algumas objeções pessoais aos romances, é claro, contra as quais você não pode fazer nada. Não acho a história de Cersei convincente, sendo a profecia de 'Maggy, a Rã' um enredo particularmente ruim. Esta não era o Cersei que eu pensava conhecer dos três primeiros livros, e não sou capaz de reajustar minha percepção da personagem. Isso é culpa minha, claro. Mas isso serve como outro exemplo de escrita ruim. Não apenas porque parece tão forçado no quarto livro (embora eu entenda que você possa defendê-lo tecnicamente porque não tivemos o ponto de vista de Cersei antes), mas também porque Martin, com Festimdança, começa a fazer todas essas conexões entre os personagens, ao ponto de tornar tudo um pouco bobo - especialmente em comparação com os três primeiros livros, onde ocorria praticamente o contrário.
Agora você tem personagens se encontrando regularmente (de preferência na mesma Estalagem na Encruzilhada), nomes de personagens vinculados de várias maneiras etc. Sim, ele precisa começar a amarrar os pontos, mas essa é uma maneira ruim de fazê-lo, em minha opinião. O mundo de Westeros, que era vasto, fica menor a cada capítulo. De qualquer forma, agora estou saindo pela tangente de novo.
Tendo dito tudo isso, sou totalmente em seu favor - a dificuldade de conquistar a paz é definitivamente um tema importante e grande. No entanto, não torna mais emocionante a leitura de Tyrion a bordo de uma embarcação por dez capítulos consecutivos. Não me enche de encanto ler uma página de cima a baixo com os pensamentos de Daenerys sobre Daario. E o ponto de vista sombrio de Jon Snow também não fica mais emocionante com nada acontecendo.
Stefan Sasse : Receio que isso nos deixe em um impasse, onde tudo se resume a uma questão de gosto. Pelo menos acho que podemos ter certeza de que você dará a Os Ventos do Inverno uma chance de trazê-lo de volta ao redil.
Remy Verhoeve : Suponho que não podemos conciliar nossas opiniões, mas é bom discutir isso com você de maneira civilizada e concordar em discordar. Estou pronto e disposto a aceitar Os Ventos do Inverno. Também decidi tentar abordar os dois livros usando a reorganização dos capítulos que você sugeriu. Concordo que o gosto é o fator divisor essencial aqui, mas você parece concordar comigo que, por exemplo, os capítulos de Tyrion Lannister em Dança não são tão bons. Isso me faz pensar por que você está defendendo o desenvolvimento de As Crônicas de Gelo e Fogo se também vê certas falhas. De qualquer forma, obrigado pela conversa :)
Stefan Sasse : Foi um prazer. E para usar o privilégio da última palavra, acho que os capítulos de Tyrion precisavam de mais tempo para que se estivesse aquecido para eles. Gosto do desenvolvimento e estou ansioso para ver mais. Apenas levei um pouco de tempo para ver a luz. ;)
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2019.12.21 09:50 altovaliriano Dragões dos Filhos da Floresta

Novamente, estou atrasado. Meus compromissos de final de ano estão cobrando seu preço.
Aqui vai uma teoria curta, porém muito famosa.
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Os Filhos da Floresta parecem ter algum poder mágico que evita que os mortos-vivos se aproximem de sua caverna nas terras Além-da-Muralha. Porém estes não parecem ser os únicos protetores de sues subterrâneos.
Enquanto explorava a Caverna dos Filhos da Floresta, Bran viu através do olhos de Hoder muito particular:
Como Hodor, explorava as cavernas. Encontrou câmaras cheias de ossos, hastes que mergulhavam profundamente na terra, um lugar onde esqueletos de morcegos gigantes penduravam-se de cabeça para baixo do teto.
(ADWD, Bran III)
Pois bem, alguns leitores arguem que tais esqueletos na verdade seriam restos mortais de dragões que morreram sem se desenvolver plenamente em razão de seu confinamento na galeria subterrânea.
Cumpre destacar que já observamos este mesmo comportamento em um dos dragões de Daenerys Targaryen em Meereen, existindo mesmo uma comparação de Viserion a um morcego gigante:
Os dragões esticavam o pescoço de um lado para o outro, olhando para eles com olhos queimando. Viserion havia quebrado uma corrente e derretido as outras. Pendurava-se do teto do fosso como um imenso morcego branco, suas garras penetrando profundamente nos tijolos queimados e em ruínas. Rhaegal, ainda acorrentado, estava roendo a carcaça de um touro. A pilha de ossos no chão do fosso estava mais profunda do que da última vez em que ela estivera ali, e as paredes e o chão estavam negros e acinzentados, mais cinzas do que tijolos. Não aguentariam muito tempo... mas atrás deles havia apenas terra e pedras. Dragões podem fazer túneis na rocha, como os wyrms de fogo da antiga Valíria? Esperava que não.
(ADWD, Daenerys VIIII)
Nas histórias do passado, morcegos gigantes eram ligados à Harrenhal, uma ruína de castelo ligada tanto aos Filhos da Floresta quanto os altos segredos. De fato, durante a governança de Danelle Lothston, morcegos gigantes supostamente a serviam:
Minha velha mãe costumava dizer que morcegos gigantes voavam de Harrenhal em noites sem luar para levar as crianças más às panelas da Doida Danelle.
(AFFC, Brienne II)
Portanto, a partir destas evidências, muitos leitores especulam que os "morcegos" serviam, na verdade, aos Filhos da Floresta, que os manteria como linhas de defesa em seus labirintos subterrâneos. A forma como apenas seu esqueleto seriam apenas um meio de distrair o leitor sobre a verdade do que está lendo. Seu tamanho pequeno seria um reflexo de seu confinamento às galerias debaixo da terra.
Por outro lado, os "morcegos" relatados sobre Harrenhal poderiam ter origem na Ilha das Faces e não de invocações por Danelle. Caso contrário, também seria possível estabelecer um conexão entre Danelle e Corvo de Sangue, já que ela aparece brevemente em O Cavaleiro Misterioso, fazendo parte da companhia que vêm desbaratar a conspiração Blackfyre no torneio de Alvasparedes. Assim, o que quer que Danelle sabia invocar, pode ter sido ensinado a Corvo de Sangue.
Uma terceira opção explorada pelo fandom é a de alegar que estes "morcegos" poderiam ser dragões de gelo, uma vez que pensam que a versão normal destas criaturas teria poucas chances contra o frio opressor do Norte. Mas não há nenhuma evidência textual a respeito.

O que acham disto?
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2019.12.07 23:14 no_brainwash Analogia de Merda: Explicando o conflito Uigur em Xinjiang e os elementos envolvidos

  1. Islamitas se depararam com uma merda na privada. Os comunistas Afegãos não conseguiram dar descarga porque a privada estava entupida.
  2. A União Soviética dispersou os comunistas locais e tentaram arrumar a privada sozinhos.
  3. Os EUA se infiltraram dentro do banheiro, jogaram uma bomba na privada, que, além de ter ferido severamente os soviéticos, também explodiu a merda toda pelo banheiro. Restou a privada ainda entupida, a merda espalhada pra todo lado, incluindo na cara e boca dos próprios EUA.
  4. Os chineses que ajudaram os EUA a se infiltrarem para "trollar" os soviéticos, caíram de serem os mesmos que estavam consertando um problema de entupimento no banheiro ao lado, e também foram "atingidos" pela "chuva de merda".
  5. Agora os chineses querem lavar a cara, limpar a merda, e consertar o entupimento, mas os EUA bloqueiam a porta de saída, não deixam os chineses limpar nem deixam eles saírem mas ainda pior continuam jogando bombas em todo e qualquer banheiro pra continuar espalhando mais merda.
Então a questão é, como você se livra da merda, conserta o banheiro e se limpa? Não tô brincando, porque esta é a natureza do problema em Xinjiang. A privada não dá descarga na merda que vai transbordar. Ou você conserta, ou "desfruta" das consequências. Se você não tem um melhor plano pra resolver os problemas, melhor deixar trabalhar quem está com a mão na massa. Qualquer criticismo sem solução construtiva, ou é com más intenções ou é simplesmente estúpido. Até onde sei, a maioria dos países ocidentais não têm planos para deixarem membros do ISIS e seus parentes voltarem para seus países de origem e não têm planos em como lidar com eles assim que estes retornarem. No entanto, eles continuam criando terroristas diariamente, tanto através de intervencionismo quanto de neoliberalismo irracional. De novo, [por que atrapalhar alguém que está lidando com o problema com uma estratégia tanto a curto quanto longo prazo]fighting terrorism? Você não vai recebê-los, e acusa a Nova Rota da Seda de criar armadilhas financeiras e neocolonialismo (enquanto você não provê nenhuma alternativa).
Então o que você quer exatamente? Eu acho que a resposta é: deixar o banheiro não funcionando, a merda voando na cara de todos, enquanto você aproveita o "show" a partir dos camarotes. Esta é de fato a mentalidade de muitos países que apontam o dedo para a China por aquilo que ela está fazendo.
Estes hipócritas morais têm feito este tipo de coisa por centenas de anos. Em primeiro lugar eles eram donos de escravos. Então eles começaram a amar os negros tanto que eles desejaram que os negros trabalhassem 18 horas por dia assim como os brancos, apesar de os indígenas não terem chego a experimentar isto. Mais tarde, eles amaram os negros um pouco mais ao ponto que eles estavam ávidos em transformá-los em bucha de canhão contra os "vietcongue" do outro lado do planeta. Eles eram os grandes amigos do mundo islâmico nos anos 80 e então eles estão contra eles mas não o suficiente para deixarem outros chegar a fazer nem sequer 10% do que eles fizeram aos Muçulmanos. Eles eram tão simpáticos com os chineses antes de 1945 mas não o suficiente para tomar de volta Hong Kong mas o bastante para deixá-los se desgastar em Burma para os Britânicos. Então eles se viraram contra os chineses, mas desde 1970 eles repentinamente não tinham mais problema com o país, mas de novo, no inicio dos anos 90 quando a União Soviética se desfez, eles não estavam mais OK com os chineses do nada. Eles então se associaram aos Hindus, mas de novo, não o suficiente para tornar a Índia muito poderosa, nem realmente perdendo controle na Coreia do Sul e Japão. Eles acusaram os chineses por implementar a politica de um filho único enquanto também recusaram a oferta de Deng Xiaoping de emigrar 100 milhões de chineses ou mais.
É desta forma que eles vêm "mudando de cor" todo o tempo, assim como um grande e gordo camaleão. É perda de tempo tentar ouvir ou procurar sentido do que pode sair do "buraco" deles no segundo seguinte. A única coisa que realmente importa aqui, assim como Muhammad Ali pensava do "branco liberal", é se manter o mais longe possível deste "buraco" que libera aquele "doce" amarelo. O tempo que o ocidente era tratado como o "sugar daddy" já se foi há muito tempo.
Feng Xian, Ex-pesquisador associado no Centro Eurasiático (2017-2018)
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2019.11.28 01:11 altovaliriano O papel de Skagos

Muita gente acredita que a missão de resgate de Rickon por Davos é uma distração. Uma forma de colocar Davos em Skagos para outra causa. Muito se aponta para o fato de que a fama de Skagos como uma terra de Canibais ser apenas lenda. Caso contrário, haveria uma contradição aparente entre todo mundo saber disso e Osha ter viajado com Rickon para lá.
Sabemos que os nortenhos da antiguidade faziam sacrifícios aos represeiros. Também sabemos que os Skagosi são um povo isolado. Assim, não é difícil pensar que os Skagosi são apenas nortenhos à moda antiga cuja fama foi aumentada. Talvez até tenha tido um evento de canibalismo em sua história que se desencadeou essa fama, mas não precisaria ser um hábito.
Por outro lado, muita gente não consegue entender como Wex Pyke, o escudeiro mudo de Theon Greyjoy, poderia ter, realisticamente:
  1. Descoberto para onde Osha e Rickon iam;
  2. Escolhido seguí-los sem nenhuma razão aparente e sem ser notado (nem mesmo por Cão Felpudo);
  3. Ter certeza de que eles partiram efetivamente para Skagos.
Sem falar nas outros pontos esquisitos:
  1. Como e onde Osha teria conseguido embarcar com Rickon?
  2. Como e por que Manderly capturou Wex?
  3. Como Manderly descobriu que Wex era um homem de ferro?
  4. Por que Manderly enviou Davos resgatar Rickon ao invés de seus próprios homens de confiança?
De todo modo, talvez possamos ignorar os problemas e assumir que veremos Davos em Skagos à procura de Rickon. Afinal, Martin já disse que veremos unicórnio (ou algo assim) e sabemos de relatos sobre unicórnios em Skagos (TWOIAF, Os Nascidos Na Pedra de Skagos).
Na verdade, unicórnios vêm sendo assunto na segunda metade da saga há algum tempo. Samwell afirma que Skagosis motavam unicórnios em batalha (AFFC, Samwell II). Folha diz a Bran que os unicórnios ainda existem (ADWD, Bran III) e Jon sonha através de Fantasma com Cão Felpudo caçando o que parece ser um unicórnio (ADWD, Jon I). Portanto, o elo Rickon-Skagos já estava estabelecido mesmo antes de Davos, Wex e Manderly conversarem.
Ainda assim, há que se perguntar por que Martin escolheria esconder Rickon e Osha neste lugar, uma ilha tão próxima ao continente?
Alguns leitores acreditam que a razão seria fazer com que Davos estivesse a meio caminho de Durolar, para tornar sua missão de resgatar Rickon em uma missão de resgatar Selvagens. Acreditam nisto, pois alegam que Martin está surgindo com muitos elementos ligados a Durolar. Que seria inevitável que a história se vire para lá.
Antes da Carta Rosa chegar a Castelo Negro, Jon havia trazido para si esta missão. Depois, a missão passou para Tormund. Contudo, com Jon morto, não se sabe se Tormund se manterá fiel ao plano. Quem acredita na imediata ressurreição de Jon aposta que o ex-Lorde Comandante seguirá obstinadamente para Winterfell (como ocorreu na série da HBO).
Porém, agiganta-se no fandom a noção de que Jon viverá uma segunda vida em Fantasma por algum tempo, não tão curto quanto visto na série. Isso tornaria incertas todas as questões envolvendo a Muralha e os Selvagens. Assim, imagina-se que o Cavaleiro das Cebolas poderia, diante da notícia da morte de Jon e Stannis, querer abandonar o resgate de Rickon e se dedicar a tarefas mais nobres. Como, por exemplo, salvar os Selvagens ali perto em Durolar (parte de Skagos fica acima da Muralha). E a motivação para esse desvio de rota poderia vir de um naufrágio.
Os navios piratas Coração Bom e Elefante partiram de Durolar levando mulheres e crianças para Lys, mas uma tempestade separa os navios. Coração Bom acaba sendo capturado pelos bravosis, mas o paradeiro de Elefante ainda é desconhecido. Arya afirma para o Homem Gentil que Elefente deve ter voltado a Lys (ADWD, A Garota Cega). Alguns leitores, porém, apostam que Martin há muito está dando sinais de que barcos que somem nestas condições, estão fadados a naufragar contra as rochas de Skagos.
Vejamos como Martin denota isso:
As correntes são traiçoeiras em volta de Skagos, e há rochedos capazes de quebrar o casco de um navio como se fosse um ovo.
(AFFC, Samwell II)
Enquanto o Melro dava a volta pela costa sul de Skagos, viram os restos de uma galé nos rochedos. Alguns dos membros da tripulação tinham dado à costa, e as gralhas e os caranguejos tinham se reunido para lhes prestar homenagem.
(AFFC, Samwell II)
As galeras Oledo e Filho da Velha Mãe haviam sido levadas para as rochas de Skagos, a ilha dos unicórnios e canibais onde até mesmo o Bastardo Cego tinha medo de ir; [...].
(ADWD, Davos I)
Cotter Pyke escrevera de Atalaialeste para reportar que o Corvo da Tempestade vira destroços de uma galé ao longo da costa de Skagos. Se o navio destroçado era o Melro, um dos navios mercenários de Stannis Baratheon ou algum barco mercante de passagem, a tripulação do Corvo da Tempestade não era capaz de dizer.
(ADWD, Jon V)
Diante desta informações, há quem acredite que Elefante naufragou em Skagos e que os Selvagens que estavam a bordo foram parar na Ilha. Por extensão, Davos os encontraria, ouviria suas histórias, os despacharia para o continente nos navios Manderly e seguiria para Durolar. Tudo parece bastante possível, Mas ainda assim, a pergunta permanece: Por que ele faria isso? Que motivações ultra-altruístas seriam essas? E quanto Rickon?
Bem, quanto a Rickon, eu tenho uma hipótese maluca, construída apenas para que esta teoria faça mais sentido: Rickon pode estar com Osha em algum lugar montanhoso habitado por unicórnios, mas fora de Skagos. Assim, a visão de Jon seria apenas um modo de destrair o leitor.
Há evidência textuais de que poderiam haver unicórnios fora de Skagos, observe:
  1. Entre os itens confiscados dos Selvagens que cruzaram a muralha estava "um elmo feito com a cabeça de um unicórnio, incluindo o chifre" (ADWD, Jon VIII)
  2. Euron tinham entre seus tesouros de "terras distantes" alguns chifres de unicórnio (AFFC, O Pirata).
Assim, existindo unicórnios fora de Skagos, um deles estaria no lugar recôndito onde Osha e Rickon estão escondendo-se. Ou seja, o unicórnio visto no sonho de Jon seria um verdadeiro arenque vermelho.
Do mesmo modo, a história de Wex/GloveManderly seria totalmente furada e Davos estaria em Skagos procurando um Stark-fantasma há meses (segundo "A Mais Precisa Linha do Tempo", há um hiato de 4 meses entre o capítulo de Davos e a morte de Jon). Contudo, sua missão disparatada voltaria a fazer sentido quando encontrasse os sobreviventes do naufrágio do Elefante.
Enfim, muitas especulações.

Vocês tem alguma teoria sobre o resultado da viagem de Davos? Acreditam nas teorias acima? Qual é a sua opinião?
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2019.07.18 20:51 olavowalter Meu quiroprata conheceu o Leonardo Da Vinci numa sessão espírita

Tenho dores na lombar, geralmente agravadas pelo estresse, e por isso costumo chamar um quiroprata de tempos em tempos. Esse cara é daqueles que tem o hábito de falar sem parar e over-explicar as coisas, mas ajuda bem nas minhas dores e o preço é okay.
Só que dessa vez ele puxou a coisa pro lado do espiritismo e engatou a falar do corpo físico e do ser. Entrei na besteira de perguntá-lo sobre a tal data-limite do Chico Xavier, já que eu ouvi falar que tinha a ver com o fim do mundo – não tenho a mínima ideia de kardecismo. Ele me explicou, então, que não é bem o apocalipse, que a religião católica crê que o mundo vai acabar para chegar Jesus Cristo, mas que, segundo Chico Xavier, a tal data-limite foi uma espécie de pacto selado após a 2ª Guerra Mundial entre os guardiões espirituais dos planetas e Jesus (que é o guardião espiritual da Terra), pois eles queriam isolar espiritualmente o nosso planeta, mas Jesus pediu para segurar essa coisa aí até este sábado (20/7/2019) e que se não tivesse nenhuma Terceira Guerra mundial, aí a Terra alcançaria outro estágio espiritual.
A partir daí, ele veio explicando sobre os diferentes níveis de evolução, que tem uma coisa chamada mundos felizes, cujo nome achei um pouco ingênuo, e que não tem inferno e céu, mas que tem reencarnação, que é algo comprovado cientificamente o fato de termos vivido várias vidas e carregarmos isso e que somos espíritos separados, com personalidades meio atemporais. Nessa hora me acendeu um alerta, eu falei, peraí, não acredito nisso não, e tentei explicar minha leitura espiritual da vida.
Me considero ateu ou agnóstico, fui criado num dogmatismo católico que reneguei completamente e, não que eu gaste muito tempo pensando nisso, mas vejo as coisas como interconectadas de alguma forma, que vibramos na mesma frequência e que por causa do big bang somos formados pelos mesmos elementos – ou seja, repetimos padrões de pensamento que no fundo vêm de um mesmo lugar, que esse mesmo lugar pode ser o tal deus, mas que não tem nada de consciente, que todo mundo quando morre volta para a natureza sem estar mais preso a um corpo e rola uma comunhão com a terra, por isso devemos respeitar o que é diferente, pois no fim tudo é igual, mas não sabemos porra nenhuma. Aí o cara surtou e começou a falar mais ainda, que eu estava confundindo os conceitos, que existe inconsciente coletivo (eu já li O Homem e Os Símbolos de Jung, mas preferi ficar calado, afinal não era nem 8 da manhã direito), que é quando você sente que uma pessoa está triste e fica triste também (no meu entendimento isso é empatia, não tem nada a ver com inconsciente coletivo).
Ele então me perguntou, “e sua mãe, quando ela morre, pra onde você acha que vai?”, aí eu falei, “sei lá, vira vento, terra, árvore”, era uma metáfora, mas logicamente o quiroprata não entendeu, ficou meio nervoso, começou a balançar a cabeça e gargalhar e falar que eu tinha fumado maconha estragada, que quando eu morresse e abrisse o olho do outro lado eu ia ver que não era assim – e me perguntou o sentido de o homem ter criado religiões. “É para aplacar o desespero com o fato de tudo acabar após a morte”, rebati, mas ele não aceitou e continuou com o papo de espíritos, falou das crianças indianas que com 7 anos tocam sinfonias do Beethoven sem saber ler partitura e que isso é uma evidência que nas vidas passadas eles eram músicos ou coisa do tipo (eu disse que eram gênios ou superdotados), que tudo se acabar numa só vida não tem sentido (achei particularmente forçado esse ponto de vista, agora penso que acabou justificando a minha explicação). E ele continuava falando que eu misturava conceitos, que isso que eu penso de vir tudo do mesmo lugar é irracional, que não tem lógica, que a gente tem que se perguntar o que vem antes do big bang, que um cara psicografou um livro nos anos 50 citando três elementos químicos que não estavam na tabela periódica e só foram descobertos décadas depois...
Enfim, já estava ficando cansativo, mas o cara não parava. Eu particularmente não sabia que os espiritistas podiam ser tão intolerantes com uma opinião contrária, e mesmo que eu tivesse colocado meu ponto de vista de forma sutil, ele parecia estar disposto a uma cruzada contra a minha forma de pensar diferente da ideia dele (de que somos indivíduos pré-definidos pela eternidade). Também acabei deixando de perguntar porque tem gente sofrendo, sendo escravizada e se ferrando de todas as formas, porque no fundo evitei a fadiga de ouvir que era justificável por causa de alguma vida passada ou espírito ou planeta ou mundo infeliz (posso estar errado disso, mas parecia estar muito bem embutido naquele pacote todo).
Então ele me contou das experiências deles, das sessões, de artistas mediúnicos que psico-pintam quadros, contou de ter visto baixar um espírito num medium que fez uma escultura com a cara de Jesus Cristo, que, segundo ele, "era igualzinho o Cristo mesmo, como você explica isso". Pensei em catarse, em alucinações, esquizofrenia e me perguntei que Jesus seria esse, aquele de olhos azuis e cabelos loiros ou o com traços árabes ou negros, mas tampouco retruquei, porque afinal a maconha estragada era a minha e não dele. Foi aí que veio a cereja no bolo.
Ele disse que estava numa sessão mediúnica uma vez e viu, atrás da mesa, três pessoas. Essas pessoas foram se aproximando e uma delas disse a ele: "Viemos ver o trabalho que estão fazendo aqui, e estamos orgulhosos". Então ele perguntou quem era e o tal sujeito, que era um espírito, disse que era o Leonardo. "Da Vinci", o quiroprata completou, e disse que era tudo explicado pela lógica e que meus conceitos estão errados e que eu não sei de nada.
Fiquei o resto da manhã encucado com a intolerância e com essas e justificativas alucinógenas, que no fundo me pareceram tão conformistas e passa-panistas com as injustiças e disparidades quanto o catolicismo clássico.
Caso haja algum adepto por aqui, me responda: O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO INTOLERANTE? Nunca achei que fosse, mas praticamente mudei de ideia hoje.
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2019.07.15 16:28 gabpac O terraplanista está terrivelmente errado, mas não da maneira como normalmente se supõe.

Eu entendo a vontade de desistir da humanidade sempre que se ouve um adulto dizendo - a sério! - que a terra é plana. Depressão e aborrecimento. Dá vontade de argumentar e botar algum senso na criatura e, simultaneamente, sair correndo para nunca mais falar com o sujeito.
O terraplanista está terrivelmente errado, mas não da maneira como normalmente se supõe.
Não entender isso significa transformar o terraplanista num buraco-negro que parece sugar toda a lógica durante uma discussão e vai confundir todo mundo ao redor. Assim que, se você não conseguir resistir à tentação de tentar botar senso na cabeça de um terraplanista, vai embarcar em alguma coisa parecida com isso daqui:
"É óbvio que a terra é uma esfera."
"Ah, é? Então prove."
"Como assim, prove?"
É enlouquecedor. Você sabe que a terra é um esferóide. Circunavegação, aviões, satélites, foguetes, fotos do espaço, o mínimo conhecimento das leis básicas da física. Você vai tentar tudo isso contra o terraplanista. E como resposta vai ter só um lacônico:
"É tudo uma conspiração. Você não tem como provar."
Você insiste e vai largar uma série de nomes notáveis e suas teorias. Newton, Kepler, Einstein, e vai ouvir como resposta um ultrajante:
"É mesmo? Você entende as teorias desses caras? Você sabe de onde eles as tiraram? Se não, você só acredita neles cegamente, como se fosse religião."
E você, confuso, que sabe que não é uma fé cega, não é simplesmente religião, mas não sabe exatamente como apontar para a solução desse aparente paradoxo e certamente não sabe como responder ao sujeito.
"Sim," você pensa, "eu acredito na teoria da Relatividade de Einstein e não, eu não a entendo completamente, mas isso não é a mesma coisa que ser doutrinado em uma fé cega religiosa…"
Ou é?
Como resolver esse aparente paradoxo?
Colocando de forma muito clara dois pontos:
1) Qualquer um acredita no que quiser.
Simples. Tudo é crença. A filosofia briga desde antes de Descartes sobre qual é a essência da realidade objetiva. Pois bem: não existe realidade objetiva. Ou existe, e não temos como estar seguros dela. Acreditamos no que vemos mesmo sabendo que existem ilusões de ótica. Acreditamos no que nos contam, mesmo sabendo que pessoas mentem. Acreditamos em professores, mesmo sabendo que cientistas erram. Construímos nosso mundo selecionando uma série de informações que, objetivamente, não podemos ter completa certeza de sua validade. Confiamos na nossa construção de realidade mesmo sem lembrar onde botamos nossa chave ou o que comemos de café da manhã ontem. Isso vale tanto para ciência quanto religião, fantasmas, UFOS, astrologia ou qualquer outra coisa.
2) Mas nem toda crença tem a mesma equivalência.
Aha! O terraplanista tem a tendência de te fazer aceitar que, se tudo é crença, então tanto faz no que você acredita. Essa falsa equivalência é a origem do aparente paradoxo. Mas acontece que não: Nem toda informação surge da mesma maneira. Nem toda a crença tem o mesmo valor e, apesar de você ter o direito de acreditar no que quiser, existe, sim, uma estrutura, uma hierarquia de valores na escala do conhecimento humano. Por que? Porque as informações são geradas de formas diferentes, através de processos diferentes.
Qualquer um tem o direito de decidir no que acreditar e os terraplanistas definitivamente tem o direito de acreditar que a terra tem a forma que eles quiserem. O que eles não podem, no entanto, é afirmar que a qualidade da informação e do processo para se construir essa visão é a mesma dos processos científicos, de que, crença por crença, tudo é a mesma coisa.
O processo científico não funciona do jeito que os terraplanistas (em sua maioria) acham que funciona. O processo científico não começa com uma mera proposição. "A terra é plana!" ou "a terra tem a forma de um abacaxi podre" ou "a terra é um geóide próximo a uma esfera e agora vamos procurar provar isso!" O processo científico começa, em primeiro lugar com uma observação. Depois, uma pergunta. "A terra, como vista daqui onde eu estou, parece ser plana. Qual formato de planeta poderia explicar essa minha observação?" Daí vêm as proposições. Cada uma dessas hipóteses explica o porque a terra parece ser plana. Uma boa hipótese deverá explicar todos ou quase todos os fenômenos ligados à topologia da terra. Uma excelente hipótese, inclusive, pode prever coisas ainda nem observadas.
Assim que o formato esférico da terra explica o movimento aparente do sol, a diferença de fuso-horário, o motivo pelo qual o horizonte fica mais longínquo à medida que estamos mais altos, a diferença no ângulo em que se vêem as estrelas à medida que se viaja norte-sul e tantos outros fenômenos.
Os terraplanistas subvertem a lógica e criam explicações para justificar a teoria inicial. É exatamente o contrário de um método científico de observação seguido de questionamento, seguido de proposição que acaba por trazer uma massa de conhecimento. E é por isso que é uma crença de menor qualidade: ela não traz mais conhecimento, não gera nada. Dizer que a terra é plana é parar o processo de investigação lógico. É uma frase simplesmente inútil em termos ontológicos e epistemológicos. Ela não propõe nenhuma investigação nova. Apenas negação.
Vi um sujeito lutando contra a teoria antropogênica do aquecimento global com a seguinte linha de argumentação: "Essa é uma questão científica e, como toda questão científica, ela deve ser questionada!". E ele tem toda a razão. Ciência não é dogma. Mas o questionamento científico tem método. Rejeitar com base no esperneio não é questionamento científico. É só teimosia. Já ví questionamentos muito bem elaborados (todos refutados) como "não seria o aquecimento uma consequência do aumento da atividade solar?", ou "a temperatura na terra faz mais água evaporar, portanto cria mais nuvens, portanto mais superfícies brancas a refletir o sol. Isso não controlaria a temperatura da terra?" Proposições deste tipo podem ser negadas a partir de busca de evidências. São, portanto, refutáveis. Efetivamente já o foram. Diversas vezes. Mas o questionamento é legítimo.
"Ah, é? Quem foi que disse?" ou "você confia na Nasa? É claro que eles só estão atrás de fundos" ou o achismo do "impossível o homem ser capaz de fazer isso!" não são argumentações bem elaboradas porque não são refutáveis. Não são nem sequer questionamentos. São apenas imposições de um ponto de vista. E, como coloquei antes, crenças (e pontos de vista são uma forma de crença) são livres para serem adotadas, mas não têm todas a mesma qualidade ou utilidade.
Os terraplanistas não estão errados só com relação ao formato da terra. Eles estão errados em como é que a civilização desenvolve seu conhecimento. O forno de microondas não surgiu na cabeça de um inventor que precisava esquentar o jantar. "Ah! Se ao menos eu tivesse uma caixa que miraculosamente aquecesse minha janta!". O forno de microondas surgiu da observação. Um cientista observou um fenômeno (seu chocolate, guardado no bolso, estava derretido). Testou hipóteses e, depois de testá-las (coisa que terraplanistas não costumam fazer) concluiu que o emissor de radar que estava desenvolvendo aquecia moléculas de água. Observação, hipótese, teste, pesquisa, conclusão.
"Mas a ciência já esteve errada tantas e tantas vezes!"
Ciência é uma ferramenta, como é um martelo. Não está nem certa, nem errada. Ciência é o nome do processo utilizado por profissionais treinados para se chegar a um modelo que explique um fenômeno. Frequentemente o modelo (e suas conclusões) estão errados. Na verdade, por definição, estão sempre errados. E isto não é uma contradição. É proposital.
Um excelente exemplo desse processo ao longo dos séculos é a teoria da gravitação universal de Isaak Newton. Newton criou um modelo matemático que previa com precisão inédita uma enorme quantidade de fenômenos astronômicos - e mais - fenômenos mundanos na própria superfície do planeta. Bolas caindo e planetas orbitando funcionavam exatamente pelo mesmo princípio, as mesmas equações. Essa teoria levou o mundo à revolução industrial e científica do século XVIII e XIX. Então, séculos depois, surgiu a teoria geral da relatividade de Albert Einstein, com um outro modelo matemático para esses mesmos fenômenos, e muitos outros.
Não podem estar as duas teorias corretas. E isso significa que Isaak Newton estava errado este tempo todo? Tecnicamente, sim. Aliás, tecnicamente tanto Newton quanto Einstein estão errados. O que acontece é o modelo matemático não precisa ser absolutamente perfeito para ser útil. E as equações de Isaak Newton são extremamente úteis para prever e calcular sistemas físicos até hoje - dada uma margem de erro, e levando-se em consideração situações limítrofes. Em altíssimas velocidades e para enormes massas, as equações de Newton falham miseravelmente. Já as equações de Einstein explicam muito mais, prevêem muito mais fenômenos - alguns que demoraram mais de cem anos para serem observados. Mas também estão erradas. Não servem para nada em pequena escala e vários fenômenos acabam sendo estudados com outras equações.
Um modelo científico é um mapa que mostra uma determinada região. Não mostra todas as regiões, e leva em consideração apenas alguns elementos dessa região. Assim como um mapa rodoviário normalmente não mostra os buracos na pista - embora eles sejam importantes. Mapas antigos são substituídos por mapas melhores, mais completos, mais precisos e mais abrangentes. Esse é o processo científico. O mapa antigo não estava per se errado. Estava inexato.
"Mas e aquela revista americana que mostrou que o planeta ia esfriar, e agora essa coisa de aquecimento? E aquele professor da USP que foi no Jô Soares dizendo que aquecimento global é tudo mentira?"
Volto ao princípio 1) Qualquer um acredita no que quiser. E como regra, isso vai incluir cientistas e jornalistas. Porém, para eles também vale o fato de que existe uma hierarquia na construção das opiniões. Até mesmo cientistas se envolvem em situações em que deveriam começar a duvidar da estrutura de conhecimento que encontram. Einstein, tendo em vista o consenso científico da época, duvidou bastante dos resultados de suas pesquisas. Inclusive, sugeriu alterar alguns fatores para acomodar a corrente visão da realidade por esse consenso (se arrependeu disso depois, mas isso é outra história). É um paradoxo: a ciência se move através de mudanças e avanços, mas resiste terrivelmente a eles. E para vencer este paradoxo, algo que nem a tal revista americana e nem o tal professor da USP parecem terem feito uso: a frase de Marcello Truzzi, popularizada por Carl Sagan: Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.
Nenhum sistema complexo e humano pode ser infalível. A ciência, no entanto, é o sistema que tem, por definição, um mecanismo de autocorreção. O processo científico não aceita a crença em ideias sem o fundamento de observações, evidências e estudo. Maior prioridade dá ao conhecimento gerado com mais fundamentos, mais observações, mais evidências e mais estudo, numa clara hierarquia de solidez. E isso dá a qualquer um a chance de acreditar no que quiser, mas também de saber que há uma diferença enorme e hierarquia entre diferentes tipos de crença.
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2019.01.18 10:21 Sharkuel O porquê de apagar a tua conta de Facebook

Como o titulo refere, eu cancelei a minha conta de Facebook. A razão deste post não é para mostrar que o fiz, porque a minha vida não é de todo interessante para ser assim divulgada, mas sim para fazer pensar pessoal que atualmente está saturado da rede social.
Já a um par de meses que andava a usar cada vez menos o FB. Mas acabava sempre por voltar lá, só "para ver o que se passava". E o que é que se passava? Entre noticias falsas, rants políticos de pessoas que acham que ativismo político-social é ir para uma rede social insultar pessoas que não vão de acordo com os seus ideais, independente do espectro político que este apoia, a dramas de Internet seja entre pessoas, bandas, figuras publicas, etc.
Tudo bem. Se calhar a culpa é minha por ter adicionado aquele pessoal, mas pronto. O que quero dizer com isto é que o Facebook lentamente se foi tornando em algo corrosivo. Sabem aquele/a ex que nunca vos larga, que anda sempre a controlar a vida, mesmo que já não te identifiques com ele/a, isso era como o Facebook se estava a tornar.
Eu usava o Facebook também para promover algum trabalho artístico da minha autoria, mas honestamente, sentia que não chegava a lado nenhum, ou que não era levado a sério. Isso desmotivava-me. Andava sempre a ver a quantas pessoas o meu trabalho chegava, e cheguei a uma altura em que controlava mais a reação das pessoas, que propriamente fazer coisas, e deixar o meu bem estar ser influenciado por um contador de likes que, se pensarem bem, nem as minhas contas serviam para pagar.
E por fim, havia os dramas de Facebook. Pessoas que simplesmente por não irem com a tua cara, com base em opiniões alheias de pessoas que nem sequer me conheciam pessoalmente, se lembravam de tentar de algum modo sabotar o meu bem estar, ou neste caso, a minha imagem.
No meio destas situações todas, eu encontrei um amigo meu uma vez nos transportes, e eu comentei que nunca mais o tinha visto no Face. Este respondeu "ah eu cancelei aquilo, estava farto do circo, então retirei a ficha." A primeira coisa que pensei foi "Man, e aquele conteudo todo que perdeste? E as pessoas?"
Na altura pensei que ele estava a dar numa de eremita, mas o que é facto é que me pôs a pensar ainda mais sobre a possibilidade de deixar de todo usar o FB. Comecei a rever certas coisas. Comportamentos meus, comportamentos de pessoas a quem considerava "amigas". Inconscientemente, criei uma "*persona* online" que não ia de todo de acordo com a minha maneira de estar. Tudo porque me adaptei aquele ambiente. Natural que as pessoas depois pensem tão negativamente de mim, como eu pensava delas.
Comecei a reler alguns posts antigos, e a ver que eu gradualmente estava a ficar mais condescendente, mais revoltado, menos feliz, e mais conflituoso. Também tive a minha dose de rants, onde acreditava que ao estar a expor uma situação, sob o meu ponto de vista, que as pessoas que iriam reagir e dar-me razão só porque iam pelo meu relato da situação, que automaticamente me tornaria "um gajo cheio de razão". Gradualmente deixei-me de fazer isso, mas via pessoas a fazerem o mesmo, e pensava "olha-me este gajo/a, com a mania que é grande coisa só porque fez/disse X a Y.", quando eu fazia exatamente a mesma coisa. Mas como era eu, achava que "eu" tinha razão, e como eu é que passei pela experiência de tal, que o meu input era valioso. O que de facto, não era, simplesmente fazia-me parecer um gajo condescendente com a mania que era bom.
Outra coisa que reparei foi na maneira como lidava com o sexo oposto. Socialmente, temos que ser simpáticos, é tudo uma questão de conduta. Nem que seja para comentar "tens bom aspeto" na foto de uma miúda que não seja assim tão atraente quanto isso, mas pronto, um gajo é educado e preocupa-se com o bem estar da mesma. Ora, entre isso, e comentários que fazia na brincadeira onde mandava piropos nas fotos de perfil de pessoas com quem tinha alguma confiança, comecei a aperceber-me que tinha a "fama" de ser um gajo que se atirava a tudo o que mexe. Isso deixou-me indignado. Mas o engraçado é que depois via sempre "o mesmo gajo" a comentar "linda muito gata bjx" nas fotos de várias amigas minhas, e pensava exatamente o mesmo dele. Mas como era eu, e eu sabia o contexto em que criei aqueles posts, "eu tinha a indiscutível razão do meu lado", pois eu sabia que não era assim. Mas o que é facto, é que criei um personagem a parte da minha pessoa, e essa *persona* online é o que estas pessoas vêm.
Isto tudo fez-me refletir, e comecei a medir os prós e os contras da situação:
- Deixarei de pertencer a um veiculo social que partilha conteúdos de eventos culturais e afins;
- Deixarei para trás inúmeras pessoas com quem eu tive contacto, inclusive, pessoas familiares que só usam o FB para comunicarem;
- Dez anos de conteúdo meu, desde vídeos, fotos, memórias, musicas, pinturas, idem aspas, tudo a ir ao ar (sim eu sei que posso descarregar tudo a partir do FB através de um ficheiro ZIP com bué informação desorganizada e imagens altamente comprimidas) que em parte acabavam por servir como portefólio online;
- Iria perder um grande bocado da minha vida online, pois era onde eu passava grande parte do meu tempo;
- Possivelmente, iria isolar-me também de conteúdo de entretenimento que acaba por ser exclusivo aquela mesma rede social.
Aliás, eu na altura nem via nada de positivo em cancelar a minha conta, mas mesmo assim, sentia aquela necessidade. O que me fez sair da rede social, essencialmente, foram as pessoas. Parecendo que não, pois aquilo é a vista de todos, o ser humano tem a tendência a soltar o seu lado mais negro, seja a abraçar ideias extremistas, e abertamente promove-los, a constante perseguição de pessoas, seja para ver o que estas andam a fazer na vida de modo a vigia-las/tormenta-las.
E acontece muito, essa "perseguição". O Facebook não te dá privacidade nenhuma, mesmo que nas definições tenhas lá tudo bloqueado para quem não é teu amigo, haverá sempre maneira de chegarem até ti, nem que seja para te atormentarem com mensagens anónimas.
Desde que sai do Facebook que sinto que sou mais feliz, relaxado, e foco-me mais em coisas que antes não o fazia devido ao tempo que aquilo me roubava. Bastava acessar o feed e ficava ali, horas, sem me aperceber, a fazer scroll down, e a meter likes em conteúdo. Era altamente contra-produtivo.
Para além disso, já não levo diretamente com os pseudo-guerreiros da justiça social, mais as suas abordagens que acabam somente para mostrarem o "quão boas pessoas são" online, mesmo que o que estas defendam seja a coisa mais estúpida a face da terra, se for politicamente correto, lá estão eles/as.
Em relação a acompanhar "content creators", sempre tenho outras plataformas como o Youtube, o Patreon, ou até mesmo o velhinho, mas sempre fiel, Reddit.
A única coisa que sinto falta de lá são os grupos de "Memes" e de "Shitposting", e o pessoal que lá conheci.
Mesmo assim, o processo de saída do Facebook foi complicado. Tive que estar a alertar pessoas que me são próximas para que estas me contactem por Telefone, ou por E-mail. Mas valeu bem a pena.
Okay, posso ter a minha informação espalhada pela Internet, graças a "não" política de privacidade que levou o Sr. Zucc a responder ao Congresso, mas ao menos sinto atualmente que tenho privacidade, e que não tenho fatores alheios a afetar-me emocionalmente. E ao contrário do que as pessoas atualmente acreditam, existe activismo fora do Facebook, que vai muito para além de mostrarem gore animal mais pelo shock value, do que pela causa em si, ou andar a trocar comentários insultuosos entre esquerdas e direitas.
A muito tempo que o Facebook deixou de ser aquela rede social divertida onde ia descomprimir um bocadinho (circa 2009-2010), e agora passou a ser um veiculo com a sua agenda política própria que, para além de apoiar uma "Ditadura de Minorias" que não vai de todo beneficiar as mesmas, é conhecida por usar a tua informação e fazer testes, desde influenciar a opinião publica, a manipulação e tráfego de influencias, resultando na constante estupidificação das pessoas, seja na partilha de noticias falsas, ou de teorias da conspiração rebuscadas como o movimento "anti-vaxxer".
Não tenciono de todo iniciar aqui um movimento anti-Facebook, nah, não é isso. Mas estiveres um dia a ponderar também fazer o mesmo, por estares a sentir exatamente o mesmo, pensa nos prós e nos contras. Podes atualmente ver o Facebook como uma zona de conforto, e este pode ocupar atualmente grande parte do teu dia a dia, mas pensa no que podes fazer quando esse bocado estiver livre para fazeres outras coisas.
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2016.04.19 07:50 DopestTrip A verdade sobre o impeachment e a modinha do brasileiro engajado

Um pouco longo mas vale a pena
Fonte: http://www.apenasfatos.com/eleitor-a-culpa-e-tua-verdades-sobre-o-impeachment/
Hoje na câmara dos deputados foi aprovado o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef. A contagem foi de 367 votos favoráveis contra 137 contrários.
Enquanto milhões comemoravam esta vitória da democracia brasileira, milhões gritavam injustiça. E assim temos um Brasil dividido pela corrupção, traição partidária e uma mídia suja e comprada. O povo, que chora ou comemora, hoje não ganhou nada. Fantoches em uma briga de gigantes com ambição de assumir ou manter o poder da oitava maior economia mundial. E nós, brasileiros, como sempre somos vítimas deste jogo político. Nós, como sempre, apontamos os dedos à nossos companheiros de pobreza e culpamos as pessoas erradas.
Se somos direitistas culpamos esquerdistas por 13 anos de corrupção. Se somos esquerdistas, culpamos direitistas e gritamos golpe! Se somos classe média, culpamos a classe baixa por viver de esmolas governamentais. Se somos da classe baixa, culpamos a classe média por querer derrubar um governo que tirou milhões da extrema miséria. Se somos negros, culpamos os brancos e vice-versa. O apontar de dedos é interminável. Porém na hora da eleição, ninguém sabe nem o número dos candidatos em que vão votar. O brasileiro não estuda candidatos e nunca exige partidos e candidatos de ficha limpa.
Mas brigamos no facebook, brigamos nas ruas, invadimos terra, pedimos a volta da ditadura militar, tocamos fogo em carros e bloqueamos estradas. Nós assistimos a Globo (que por alguma razão agora se importa com a corrupção), como se a votação fosse um BBB, onde deputados citam suas famílias e agradecem a Deus, cospem, gritam, cantam o hino brasileiro e usam a oportunidade para garantir sua reeleição nas urnas. Acima de tudo, esquecemos quem são os verdadeiros vilões deste reality show.
Brasil, acorda. A mídia não está do teu lado. Esta mídia é suja, comandada por somente algumas famílias de magnatas, que flutuam da esquerda pra direita, sempre aonde o pote de ouro é mais gordo. A Globo, que apoiou a ditadura e faturou milhões em cima de nosso sofrimento, é a mesma emissora que apoiou Lula e Dilma por doze anos. Esta mesma emissora que hoje apoia a queda dos corruptos que ela ajudou a eleger, e que obviamente lucrou milhões no processo. Não caia nessa de que se a esquerda for derrubada o país vai sair ganhando. A mídia comprada tenta nos convencer de que a ESQUERDA ou a DIREITA são a solução de todos nossos problemas, mas ambas não significam nada. São termos usados para nos confundir e fazer com que percamos foco.
Acorda Brasil, político hoje está fazendo a festa. De todos os lados, ofertas de compra pelos seus votos, eles não estão nem aí para vocês nas ruas pedindo o fim da corrupção. Aqueles mesmos que gritaram contra a corrupção hoje na televisão, há poucos dias atrás estavam leiloando votos.
Se cada pessoa que saiu às ruas hoje, contra ou a favor do impeachment, se cada pessoa que apoia a esquerda ou direita e que hoje chora ou comemora, tivesse pensado um pouquinho mais antes de votar, nós não teríamos que derrubar um político corrupto para colocar outro. Se você votou na Dilma, você também votou no Temer. Isto é fato. Não reclame ou grite golpe, porquê você é responsável também. E se não votou na Dilma, votou em quem? No Aécio? Mas que piada.
Agora, nosso Brasil certamente não têm nada a ganhar. Por mais que sejamos a favor ou contra o impeachment, por mais que acreditemos que políticos corruptos devem ser depostos democraticamente, vamos ser realistas: o Brasil perde com a continuação deste governo ou não.
O impeachment é um processo democrático. E é uma maneira do povo redimir seus erros nas urnas. Portanto não podemos gritar golpe. O brasileiro também não deve brigar por partidos ou por políticos. O brasileiro dever brigar por uma REFORMA política, para que possamos corrigir nossa democracia e constituição. Há democracias ao redor do mundo que funcionam e possuem um mínimo de corrupção. Políticos corruptos caem e o povo vota consciente. Lá, candidatos sem ficha limpa ou rodiados por escândalos nunca teriam chance alguma de se eleger. O dia que pararmos de brigar por partido, e sim brigarmos contra a corrupção é que estaremos na direção certa.
De certa forma o impeachment nos entristece. Muitos brasileiros mostraram engajamento político pela primeira vez na vida em 2016. Parece que finalmente acordaram, mas pelo contrário: assim como modinhas que vão e vêm, a modinha do iphone, a modinha do créu e a copa do mundo, ser engajado agora virou moda.
Estes novos engajados vêem o PT como o único partido corrupto e acreditam que tudo vai se resolver assim que a Dilma cair. Mágico. E logo após, voltarão à normalidade de suas vidas, pagando 50% de impostos para um governo que nada lhes retorna. Porém desta vez com a ilusão de terem vencido, de que vai ficar tudo bem.
Não vai. A classe média vai continuar sofrendo como sempre e bancando a economia brasileira. E a classe baixa vai ter que se contentar com esmolas ou com miséria, sendo escrava de um governo que não lhes proporciona educação ou oportunidade. Não se iludam! Estas bolsas vieram para te escravizar. “Queremos emprego, queremos investimento em educação e saúde” é o que deveríamos gritar.
Vamos parar de apontar dedos ao brasileiro do nosso lado. Ao brasileiro que veste vermelho ou ao brasileiro que grita impeachment. Vamos parar de apontar dedos ao brasileiro que pensa diferente, mas que sofre tanto quanto nós. Não podemos flutuar de extremo para extremo e brigar por partidos ou por direita e esquerda. Temos que brigar em 2018 por um candidato decente. Por uma reforma política e uma constituição a favor do povo, onde políticos corruptos são condenados e banidos politicamente. Rumo à práticas políticas que promovam o progresso da economia e do país. Sem nos iludir com Marxistas ou Militaristas, porque ambos só serviriam para atrasar nosso progresso.
O problema está em você eleitor, que aceita esta política de pão e circo, e se aquieta, confiante de que se teu lado (esquerda ou direita) está no poder, então tudo está resolvido.
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2016.04.19 07:40 DopestTrip A verdade sobre o impeachment e a modinha do brasileiro engajado

Meio longo mas vale a pena ler
Fonte: http://www.apenasfatos.com/eleitor-a-culpa-e-tua-verdades-sobre-o-impeachment/
Hoje na câmara dos deputados foi aprovado o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef. A contagem foi de 367 votos favoráveis contra 137 contrários.
Enquanto milhões comemoravam esta vitória da democracia brasileira, milhões gritavam injustiça. E assim temos um Brasil dividido pela corrupção, traição partidária e uma mídia suja e comprada. O povo, que chora ou comemora, hoje não ganhou nada. Fantoches em uma briga de gigantes com ambição de assumir ou manter o poder da oitava maior economia mundial. E nós, brasileiros, como sempre somos vítimas deste jogo político. Nós, como sempre, apontamos os dedos à nossos companheiros de pobreza e culpamos as pessoas erradas.
Se somos direitistas culpamos esquerdistas por 13 anos de corrupção. Se somos esquerdistas, culpamos direitistas e gritamos golpe! Se somos classe média, culpamos a classe baixa por viver de esmolas governamentais. Se somos da classe baixa, culpamos a classe média por querer derrubar um governo que tirou milhões da extrema miséria. Se somos negros, culpamos os brancos e vice-versa. O apontar de dedos é interminável. Porém na hora da eleição, ninguém sabe nem o número dos candidatos em que vão votar. O brasileiro não estuda candidatos e nunca exige partidos e candidatos de ficha limpa.
Mas brigamos no facebook, brigamos nas ruas, invadimos terra, pedimos a volta da ditadura militar, tocamos fogo em carros e bloqueamos estradas. Nós assistimos a Globo (que por alguma razão agora se importa com a corrupção), como se a votação fosse um BBB, onde deputados citam suas famílias e agradecem a Deus, cospem, gritam, cantam o hino brasileiro e usam a oportunidade para garantir sua reeleição nas urnas. Acima de tudo, esquecemos quem são os verdadeiros vilões deste reality show.
Brasil, acorda. A mídia não está do teu lado. Esta mídia é suja, comandada por somente algumas famílias de magnatas, que flutuam da esquerda pra direita, sempre aonde o pote de ouro é mais gordo. A Globo, que apoiou a ditadura e faturou milhões em cima de nosso sofrimento, é a mesma emissora que apoiou Lula e Dilma por doze anos. Esta mesma emissora que hoje apoia a queda dos corruptos que ela ajudou a eleger, e que obviamente lucrou milhões no processo. Não caia nessa de que se a esquerda for derrubada o país vai sair ganhando. A mídia comprada tenta nos convencer de que a ESQUERDA ou a DIREITA são a solução de todos nossos problemas, mas ambas não significam nada. São termos usados para nos confundir e fazer com que percamos foco.
Acorda Brasil, político hoje está fazendo a festa. De todos os lados, ofertas de compra pelos seus votos, eles não estão nem aí para vocês nas ruas pedindo o fim da corrupção. Aqueles mesmos que gritaram contra a corrupção hoje na televisão, há poucos dias atrás estavam leiloando votos.
Se cada pessoa que saiu às ruas hoje, contra ou a favor do impeachment, se cada pessoa que apoia a esquerda ou direita e que hoje chora ou comemora, tivesse pensado um pouquinho mais antes de votar, nós não teríamos que derrubar um político corrupto para colocar outro. Se você votou na Dilma, você também votou no Temer. Isto é fato. Não reclame ou grite golpe, porquê você é responsável também. E se não votou na Dilma, votou em quem? No Aécio? Mas que piada.
Agora, nosso Brasil certamente não têm nada a ganhar. Por mais que sejamos a favor ou contra o impeachment, por mais que acreditemos que políticos corruptos devem ser depostos democraticamente, vamos ser realistas: o Brasil perde com a continuação deste governo ou não.
O impeachment é um processo democrático. E é uma maneira do povo redimir seus erros nas urnas. Portanto não podemos gritar golpe. O brasileiro também não deve brigar por partidos ou por políticos. O brasileiro dever brigar por uma REFORMA política, para que possamos corrigir nossa democracia e constituição. Há democracias ao redor do mundo que funcionam e possuem um mínimo de corrupção. Políticos corruptos caem e o povo vota consciente. Lá, candidatos sem ficha limpa ou rodiados por escândalos nunca teriam chance alguma de se eleger. O dia que pararmos de brigar por partido, e sim brigarmos contra a corrupção é que estaremos na direção certa.
De certa forma o impeachment nos entristece. Muitos brasileiros mostraram engajamento político pela primeira vez na vida em 2016. Parece que finalmente acordaram, mas pelo contrário: assim como modinhas que vão e vêm, a modinha do iphone, a modinha do créu e a copa do mundo, ser engajado agora virou moda.
Estes novos engajados vêem o PT como o único partido corrupto e acreditam que tudo vai se resolver assim que a Dilma cair. Mágico. E logo após, voltarão à normalidade de suas vidas, pagando 50% de impostos para um governo que nada lhes retorna. Porém desta vez com a ilusão de terem vencido, de que vai ficar tudo bem.
Não vai. A classe média vai continuar sofrendo como sempre e bancando a economia brasileira. E a classe baixa vai ter que se contentar com esmolas ou com miséria, sendo escrava de um governo que não lhes proporciona educação ou oportunidade. Não se iludam! Estas bolsas vieram para te escravizar. “Queremos emprego, queremos investimento em educação e saúde” é o que deveríamos gritar.
Vamos parar de apontar dedos ao brasileiro do nosso lado. Ao brasileiro que veste vermelho ou ao brasileiro que grita impeachment. Vamos parar de apontar dedos ao brasileiro que pensa diferente, mas que sofre tanto quanto nós. Não podemos flutuar de extremo para extremo e brigar por partidos ou por direita e esquerda. Temos que brigar em 2018 por um candidato decente. Por uma reforma política e uma constituição a favor do povo, onde políticos corruptos são condenados e banidos politicamente. Rumo à práticas políticas que promovam o progresso da economia e do país. Sem nos iludir com Marxistas ou Militaristas, porque ambos só serviriam para atrasar nosso progresso.
O problema está em você eleitor, que aceita esta política de pão e circo, e se aquieta, confiante de que se teu lado (esquerda ou direita) está no poder, então tudo está resolvido.
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